Notei o quanto estou perdendo a habilidade de meditar e de ser uma pessoa paciente ontem à noite, no ônibus, vindo para Cruz Alta. Mal tinha saído de Chapecó e já queria fazer alguma coisa, além de ouvir música do mp3.

            Pensei em acender a luz e fazer palavra cruzada, ou ler (pela trilionésima vez) O Guardador de Rebanhos do Fernando Pessoa (ou seria do Alberto Caeiro?), ou ligar o notebook e escrever, ou jogar Neverwinter Nights, enfim, nada me dizia para ficar sem fazer nada, exceto a moça que viajou do meu lado. Não, ela não me disse para que eu ficasse quieto, até porque eu ainda estava quieto, mas ela estava num estado entre sono e vigília, assim todos do ônibus pareciam estar (a não ser o motorista, eu espero), um silêncio protestava contra minha ansiedade, e é proibido fumar dentro dum ônibus.

            Então o que eu fiz foi fechar os olhinhos, respirar em pranayama (certo que só depois de usar meu descongestionante nasal), e tentar tirar a consciência do corpo, isso nunca falhou. Dormi tanto, a viagem toda, acho que acordei quando o ônibus parou em duas rodoviárias apenas, e por pouco não acordo quando ele chegou aqui em Cruz Alta.

            Preciso recomeçar meus exercícios de meditação, pranayamas e padmasanas, por mais que não sejam muito do meu fito, são enormemente úteis para essas e outras coisitas mais.




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