O Radiohead, sempre inovador, sempre diferente, mesmo sem, talvez, ter vontade consciente disso. A banda lançou um álbum na internet e, pra variar um pouco do normal, cada um deve dar seu preço de compra. Enfim, uma coisa nada convencional até então.
Pergunto-me, ao ver uma coisa desse tipo, quanto pode valer a música? Temos um preço, mais ou menos, tabelado dos CDs atualmente, já nos acostumamos à pagar por isso, ou à baixar gratuitamente, mas, se você fosse o músico, quanto iria querer por seu trabalho? Quanto deveria valer aquele disco que contém uma parte da tua alma e grande parte do teu tempo?
Sejamos, agora, um pouco mais delicados. Se fosse um pintor, por quanto venderia suas telas? Aliás, realmente as venderia ou as guardaria todas, sua crias, filhas da tua imaginação e talento, conjugado de várias idéias e esforços do teu ser.
Escrevo, não sei se posso me chamar escritor, talvez muito menos poeta, mas afirmo: não saberia ofertar meus escritos, não saberia quanto cobrar por eles, eximiria de mim este peso, que ficasse com a editora essa responsabilidade.
Acredito que, no fim das contas, o que realmente importa, ao menos para amadores como eu, é o prazer de desabar em palavras, ou sua arte particular, mostrar sua anímica fragmentação e ser lido, ser decorado, ser citado, ser levado a sério, sendo isso bom ou não, gostem ou odeiem.
Voltando ao Radiohead, que não é das minhas bandas favoritas, mas merece respeito, faz música boa, de qualidade. O que eles gostariam de ganhar? Quanto eles mesmos pagariam pelo álbum recém lançado? Ninguém vende seu filho…bom, talvez se pagarem bem…

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