Continha certa tristeza,
Respirava um ar de outra era,
De uma grande incerteza
Da dúvida que não espera.

Imerso em marmórea masmorra,
Transpirava sua pestilência;
Sua vida já era tal qual borra:
Perdeu-se no resto a essência.

Tentava voar, mas ainda era mula;
Pretendia os céus, pobre lagarto;
Pitoresco, beato em dia de gula.
Já estava velho, tão farto.

Perdeu as últimas luas,
Não sabia em que ano estava;
Anacrônico, andava às escuras,
Ofegante com sua lipídica veia cava.

Pára! Respira!
Mata! Não! Morre!
Pára! Porre!
Agora, a vida vira…

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