Eu não te encontrei quando fechei os olhos
Não vi tua luz ao cruzar a esquina
Que sina essa de ser tão seu, só sendo só
Em dias tão distantes de um dia qualquer
Passo o dia tão pacato como uma melancolia normal
E a festa vai ficando verde, azul, roxa, todas as cores
Mas eu vou ficando preto e branco, cada vez mais contrastado
E tu assopras uma língua-de-sogra, bem na minha cara
Mas tu também não me vês aqui na frente
Eu fechei os olhos e só ficou o brinquedo e o barulho zombando
Pois tu já havias sumido num rosa
E se aquela árvore viesse até mim eu não me surpreenderia
Mas se eu te tivesse…
Uma raiz se moveu, eu vi!
Um balão cruzou os céus, e as cores estão fugindo
Ao lado do fogo que tu me roubas, zombas sob as cores
Eu grito “Prometeu”, só para aqui disfarçar teu nome
E poderia muito bem ser mais um sonho desconexo, uma semiótica mal-feita
E poderia ser tantas coisas
Mas eu queria que não fosse nada, senão aquilo que se conhece
Numa boca molhada balbuciando
Num braço fortemente me enlaçando, mesmo com unhas de medo
Numa pele como a tua, num cabelo como o teu
Naqueles olhos de dar inveja a Capitu
Tu, assim, eu a quero
Num sexo sem fim
Num gozo desmedido
Num riso cansado
Na tua maquiagem borrada depois de tudo
E aqueles erros pra consertar
Seriam matéria da minha próxima composição
Pois te amar, a mim, parece ser uma arte
E eu, como artista, preciso sempre me aprimorar
Nessas formas te guardo em canto, em verso, em nonsense
Nesse infinito de dentro de ti que eu enxergo e evito
Nesse teu mundo que me é um Éden
Nesse suspiro que me é temporal
Nesse beijo que me é oceano
Pois te amar é uma arte
E já interpretei tantos papéis…

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