tirando os pregos
Escarro nessa bandeira pálida da moral.
Cuspo no bem e no mal – já não se sabe o que é valor.
Se a virtude é ser decrépito, caminhar de costas em direção à própria cova, prefiro não ser virtuoso.
Se valoroso é aquele que esquece do corpo e da realidade tangível para se refugiar numa fé em além-mundos, quero estar longe desse valor.
Não há função na flagelação, senão conhecer os próprios limites. É a arte de conhecer o prazer e a dor, isso nos provê conhecimento de si. Agora, como poderia eu crer em um deus que bonifica aquele que maltrata o próprio templo?
A divindade está na realidade, nas matizes mais diversas, no rato e na borboleta. Orar é agradecer a si mesmo também.
Causa-me náuseas esse culto à senilidade, às olheiras do ascetismo, às túnicas negras e cheirando a velhice dos sacerdotes. Recuso e refuto essas sandices.
A razoabilidade está no mundo real, ali está tudo que é divino e sacro. O nosso deus é um deus de liberdade e força, de poder e de evolução. O nosso deus grita: basta com a negação da criação; saí sob as estrelas e brincai, minhas crianças!
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