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Sopro de voz

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De ser infinitamente calado

Abriam-se as flores a ele

Afim de saberem do que se trata, ou se tratava

Aquelas perguntas, tantas, tão constantes e opacas

Tão fundas e obscuras

Fossem as perguntas ou as respostas

De ser infinitamente impreciso em sua mira

Mirava por todos os lados quando perguntava

E acusava qualquer vento de trazer uma resposta diferente

E brincava com mil miscelâneas místicas

Jogava com gestos, com jovens, com jeitos difusos

Confusos

Opacos como as perguntas

Flores que mostram sua cor e seu cheiros

Que queriam ouvir a voz daquele que calava

Elas traziam a única luz que alimentava esse silêncio

A única voz que falava facilmente ao que não fala

Abriam-se elas em meados de noites frias

E o vento sempre trazia um cheiro de infinito

E o céu era, igualmente, infinitamente calado

- Por que brilham essas estrelas tão orgulhosas suspensas num céu negro?

- Por que brilham enquanto o vento quente traz temporal?

- Por que brilham e se calam?

- Por que me pergunto?

E o céu era infinitamente calado

E abriam-se as flores como um jardim confuso e perdido

Entre o Éden e o Hades

Entre Vinícius e Azevedo

Entre Neruda e Poe

Era suspensão

Jardins suspensos, ironicamente, como uma tela de um artista barroco

Que demora por se decidir entre o vai e o vem

Entre o silêncio e a música

Entre as flores e as estrelas

Entre abrir-se ou ficar calado

Ficar calado

Apenas calado

- Silêncio

Silencio

Hoje eu ouvi a voz Dela

E ela suspirou seu nome em silêncio

Calada.

A democracia e as aparências

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Na Zero Hora de hoje há uma manchete assim: “Dilma treina voz com aulas de canto”.

Fiquei pensando, cá com meus botões, obviamente é importante para um candidato a um cargo público ter correta imposição de voz, treinar sua tessitura, entonação, colocação e dicção, não questiono isso, de forma alguma, mas não seria isso uma das prioridades atuais dos nossos governantes?

O exemplo da voz foi só um, o que eu, de fato, quis dizer é que parece que estamos entrando (há mais de cem anos) em um período em que a aparência daquelas pessoas que estão lá no Senado, na Câmara de Deputados, nas Prefeituras e, por que não, nos cargos de presidência de organizações conta muito mais do que seus trabalho prévios, do que seu passado.

A impressão de asseamento e de beleza em conjunto com uma voz potente e bem colocada é uma arma incrivelmente eficaz para a eleição de um pilantra. Ainda que a voz seja estranhamente peculiar, isso auxilia. Temos casos de Maluf, Collor e muitos outros que talvez não tenham ainda precisado se reeleger em cargos, mas foram se escapando de falcatruas por sua astúcia e habilidades persuasivas.

A democracia é uma coisa linda, não tenho dúvida de que esse modelo seja um dos mais (só para não dizer “o mais”) adequados para a eleição de um presidente ou outro cargo qualquer, porém, com todas essas enganações que acercam a nação brasileira e a falta de preparo de milhões e milhões de pessoas para abrir os olhos e enxergar as pilantragens de cada um, a falsidade no olhar disfarçada pelo terno e pela cor da gravata, eu fico em dúvida acerca da nossa competência para usar o voto.

O Brasil – assim como outros países, obviamente – é movido quase que completamente por aparências, o que a pessoas parece dizer vale muito mais do que ela realmente queria dizer. “Vote em mim, mas eu vou te sacanear.”.

Quanto demora para pararmos de avaliar roupas e palavras bem colocadas e passarmos a dar mais atenção à idoneidade, força de vontade e atitudes dos pretensos governadores, senadores, deputados, vereados, prefeitos e presidente?

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