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Há um inferno dentro de mim
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Há um átomo dentro de mim,
Ele guarda um inferno em seu núcleo,
E é como um radical livre:
Vai transmitindo o descompasso.
Um a um vão se contaminando os outros átomos
Até tudo se tornar necrosado.
Há um inferno dentro de mim
Guardado pelo meu núcleo;
No meu peito: uma chaga aberta;
Por ela se escapa um átomo;
Somos, ele e eu, um só fruto podre,
Contaminamos, pouco a pouco, o meio que nos rodeia:
- Um centro de pestilência!
Até que, por fim, tudo cheire a enxofre e podridão.
Há um inferno no mundo,
Escondido no centro da escuridão do infinito,
Num buraco negro desconhecido,
Num planetinha colorido,
E eles se colidem e se contaminam
E espalham ao universo um fim pútrido,
A via Láctea é o pus dessa ferida,
Que mata os elétrons e toda a vida.
E tudo torna a se recolher em morte profunda.
E há um inferno na morte.
Mas eu hei de nascer de novo,
Com o mesmo átomo dentro de mim.
tenho o costume de andar pelas estrelas
3Tenho o costume de andar pelas estrelas
E de correr pelo espaço como um deus
E só quando tropeço e caio que entendo
- sempre serei mais humano do que gostaria
Tenho a mania de brincar com espíritos
Dançamos, cantamos e brincamos o tempo todo
E é quando me canso e eles continuam ativos
Que me vejo ainda preso em minha história
Pois que dessas lições tão sutis e constantes
Que me faço vezes mais, vezes menos, vítima
Vejo que cada dado tem seu número certo
E que mesmo o caos é definido por um momento
E que nos planetas onde durmo, vez por outra,
Nas noites insustentáveis desse universo,
Possa abrandar esse meu espírito que não é meu
Sonhando ser mais força e menos delírio
A Matéria Escura e a Mente
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Pronto pra mais uma viagem, peque gafanhoto? Então vamos lá.
Matéria escura é uma espécie de matéria que não emite luz, portanto, não pode ser observada pelos nossos olhos. Não sabemos a forma, mas podemos mensurar, mais ou menos, o tamanho de um “aglomerado” (?) de matéria escura através de cálculos super divertidos em que dados são retirados de observações da interação dessa matéria escura com a matéria “normal” ao seu redor, uma vez que influências são exercidas por aquela sobre esta, em seu campo gravitacional e energético.
Mas o que é a matéria escura? Não se sabe ao certo, uma vez que não pode ser observada, não se pode determinar com precisão do que é formada, apenas teorias vão sendo formuladas e as mais plausíveis vão sendo levadas adiante.
Tá, mas o que que tem a ver essa tal da matéria escura, Christian?
Bom, astrônomos dizem que a matéria escura forma cerca de 83% (sim, oitenta e três) do universo, isso, por si só, já é interessantíssimo, imagine, algo que não sabemos o que é formar quase a totalidade do universo.
Contudo, não é nos mistérios do universo que quero mergulhar; quero, na verdade, trazer isso para dentro, para o ser humano, para os mistérios da mente.
Muitas e muitas vezes nos pegamos dizendo e fazendo coisas estranhas a nós mesmos, pensando sem controle nenhum, e isso só aumenta à medida que o tempo passa e as devidas atitudes não são tomadas. Perder a atenção sobre o que se passa nas nossas mentes tem sido o mal da humanidade, quanto mais velhos mais desatentos aos processos internos vamos ficando, sejam eles mentais, sejam emocionais ou sejam sentimentais (a desatenção ao âmago é diretamente proporcional ao tempo de vida, não resisti à proposição).
Nossa vida interna é formada por coisas incríveis e desconhecidas, uma superfície muito sutil nos é possível conhecer naturalmente, e eu diria que é algo semelhante aos 17% de matéria visível (ou não-escura) do universo.
Pense na sua mente como um universo particular, cheio de planetas, estrelas, nebulosas, meteoros, etc. Cada coisa dessas representa um pensamento, uma emoção, e você pode fazer a atribuição que quiser a cada um deles, o fato é que muito ainda está lá sem ser conhecido, regiões ermas, distantes, que apenas um mergulho destemido e sem medo de perder o caminho de volta pode acabar iluminando.
Essas áreas tão recônditas são o inconsciente, ou o Self, algo muito interno, profundo e de difícil alcance até pro mais hábil psicanalista ou pro mais destemido e esforçado espiritualista, meditando com afinco.
E eu ainda espero uma conciliação das várias ciências (física, química, psicologia, etc.) com o mundo do espírito do homem, da alma, ou a mente, ou como resolver chamá-lo.
Quase tudo é proibido
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Estou lendo o livro Contato, do falecido astrônomo Carl Sagan, e hoje me deparei com uma frase interessante no livro, um dos personagens dizia que vivemos num mundo onde quase tudo é proibido, aliás, devo ressaltar, o personagem também é um cientista, como o autor do livro.
É interessante ler uma frase com esse teor num meio de astrônomos e físicos modernos, pessoas que trabalham com hipóteses e teorias bastante complexas e de difícil sustentação, afinal, a astronomia ainda é bastante controversa em inúmeros pontos, ainda mais com as leis da física quântica.
É claro que quando tratamos de sistemas terrenos e tangíveis somos obrigados a concordar com essa frase. Mesmo tendo essa tendência atual da Lei da Atração, em que aquilo que se deseja pode ser alcançado, numa época em que literaturas como a dos vampirinhos (eclipse e os demais) fazem sucesso, em que um personagem como o do O Alquimista do Paulo Coelho desperta tanto interesse e desejo por poder, essas fantasias ainda não saíram do campo da imaginação, ou, ao menos, ainda não chegaram nas mãos da ciência, posto que não há evidências concretas da realização de milagres, e isso inclui aquele rapazinho lá da Galiléia.
Queríamos voar, mas não conseguimos; queríamos pensar em estar em um lugar e, automaticamente, nos transportarmos para lá, mas não podemos; desejamos materializar coisas, brincar com energias e forças, mas somos impotentes para isso. Tudo isso é proibido, as leis da física que regem nossas vidas não nos permitem tais feitos.
No entanto, novas teorias envolvendo a física quântica, o transporte de energia atômica, a força do pensamento, bootstrap, cordas, M, multiversos, seja o que for, nos abrem um leque gigantesco de imaginação, principalmente no que diz respeito de multirrealidades, como uma Matrix se abrindo para nós.
Ainda assim, pensar que se é Super-Homem e pular da sacada para voar continua configurando suicídio, ou, no mínimo, uma semana no hospital com alguns ossos quebrados.
Muita coisa é proibida: sua mãe não deixava você comer doce antes do almoço, sua mãe não deixava você dormir sem escovar os dentes, nem deixava enforcar o banho. Você não deve beber demais, você não deve fumar, nem comer muito, nem ter muitas parceiras sexuais, nem … tô cansando.
De fato, quase tudo é proibido, e eu começo a achar normal um homem-bomba invadir um supermercado para se explodir numa missão beata, também to quase pensando ser normal uma expert na arte da malandragem se candidatar à presidência da república. E isso deveria ser proibido.
Fractais e o mundo
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Talvez muitos de vocês ainda não tenham ouvido falar nos Fractais, ou então já ouviram e não procuraram entender melhor o que é essa coisinha linda descoberta na matemática moderna. Não é de se admirar que não tiveram interesse em saber mais sobre isso, afinal, matemática, gráficos e termos como “tender ao infinito”, de fato, não são muito atraentes aos olhos de todos.
Pois vamos adiante, de uma forma bem simples.
Fractal quer dizer “fração”, e esse termo foi cunhado pelo matemático francês Benoit Mandelbrot (e tem fractais apelidados com o nome dele, obviamente). Mas por que fração?
Vocês devem lembrar-se do colégio, quando a ‘tia’ pedia pra fazer o gráfico de uma função de primeiro grau, que dava uma reta, ou do segundo grau, que dava uma parábola, depois, quem vai pra área das exatas na faculdade, acaba vendo toda sorte de gráficos bizarros. Pois bem, fractal nada mais é (sendo bem simplório) do que uma função que tem o seu gráfico repetido ad nauseam, como se fosse um déjà vu impossível de escapar (“hey, já vi isso antes”).
O importante aqui é relacionar essa geometria atípica (só digo isso porque ela não é euclidiana) com o mundo ao nosso redor. Forçando a barra, eu sei, as coisas não se apresentam assim aos nossos olhos, repetidas, semelhantes, retornáveis, no entanto, mesmo no mundo físico, pode-se observar inúmeras vezes esses fractais, pra mim, o próprio universo deve ser um fractal gigantesco, como se o deus brincalhão nos olhasse de um caleidoscópio e dissesse “bah, tá repetindo tudo” (porque deus é gaúcho né).
O grandessíssimo filósofo loucão Friedierich Nietzsche falou do eterno retorno em seus livros ele não tinha nem idéia da teoria dos fractais, quando Buda falou aos seus discípulos, não conhecia Mandelbrot, contudo, todos eles se juntam numa espécie, ironia ou não, de repetição inevitável.
Nossos pensamentos são repetitivos, nossas ações tendem à repetição, e se existe uma vida após a morte, não tenderia ela também a essa repetição agonizante? Como Prometeu, que tinha seu fígado comido todos os dias como castigo de Zeus.
Se fosse possível modelar uma função matemática da nossa vida, através desses métodos iterativos que só softwares bem poderosos podem nos fornecer – num aspecto geral, considerando pensamentos, ações, emoções, sensações, e todo o conjunto humano – que forma será que teria esse fractal? Será que Nietzsche usaria isso para afirmar sua filosofia?
Bom, se Nietzsche não pode defender isso, eu digo aqui, como um bom e afobado emissor de pitacos: fractais são a modelagem matemática não só dos gráficos infinitos pra nós mas também da alma do homem.
E como dizem que o Einstein disse, “deus não joga dados com o universo”, eu diria mais: não joga dados, mas faz cálculo, e manja muito.