﻿<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Descompassado &#187; universo</title>
	<atom:link href="http://descompassado.com/tag/universo/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://descompassado.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Mon, 30 Apr 2012 17:14:35 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.2</generator>
<xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" />
		<item>
		<title>Di&#225;logo I</title>
		<link>http://descompassado.com/dialogo-i/</link>
		<comments>http://descompassado.com/dialogo-i/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 02 Oct 2011 21:08:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minicontos]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[auto-conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[ser]]></category>
		<category><![CDATA[universo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://descompassado.com/?p=925</guid>
		<description><![CDATA[                 &#160; Era de lembran&#231;as vazias que vivia. Aquela noite ele quis d&#225;-las de presente. Era tudo o que possu&#237;a de verdade, seus bens mais preciosos, e oferec&#234;-las era abrir sua alma de forma que n&#227;o poderia voltar atr&#225;s; era tudo que podia dar e, ainda que pensasse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Fdialogo-i%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2FqCGDWT%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Di%C3%A1logo%20I%20%23%22%20%7D);"></div>
<p style="text-align: center;">                <img class="aligncenter" src="http://2.bp.blogspot.com/-IvyxgAJ-mNU/TadPYqN3CQI/AAAAAAAAADo/PntedngL6iE/s1600/Atlas.jpg" alt="" width="475" height="608" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Era de lembran&ccedil;as vazias que vivia. Aquela noite ele quis d&aacute;-las de presente. Era tudo o que possu&iacute;a de verdade, seus bens mais preciosos, e oferec&ecirc;-las era abrir sua alma de forma que n&atilde;o poderia voltar atr&aacute;s; era tudo que podia dar e, ainda que pensasse que aquilo, de fato, era um ato de doa&ccedil;&atilde;o, que era presente&aacute;-la com seu &acirc;mago, atirando-se num abismo de lembran&ccedil;as, era ele mesmo quem se presenteava.</p>
<p>Aconteceu que no dia do seu anivers&aacute;rio eles jantaram juntos e, ap&oacute;s a janta, sentados na sacada que dava para a rua onde, vez ou outra, um carro passava interrompendo o tom suave de confid&ecirc;ncia da conversa e a lua despontava minguando entre dois pr&eacute;dios altos, ele lhe contou coisas que permaneciam enterradas, coisas que s&oacute; ousava remexer sozinho mas que, n&atilde;o obstante, faziam parte de suas noites de ins&ocirc;nia, t&atilde;o freq&uuml;entes quanto os dias de vento norte.</p>
<p><em>Engole isso, acalme-se, </em>dizia de si para si, diariamente. Todos lidam com seus dem&ocirc;nios internos. <em>Acalme-se!</em> <em>N&atilde;o alimente com sangue quente essas bestas!</em></p>
<p>Era do qu&atilde;o humano era e o quanto se sentia pequeno e impotente diante da sua alma t&atilde;o universal, por&eacute;m, t&atilde;o alquebrada, que falava. Cada constela&ccedil;&atilde;o era uma cicatriz no seu &iacute;ntimo; as estrelas, os pontos da opera&ccedil;&atilde;o. Um sol ardia em seu peito, um sol que brilhava melancolicamente sozinho, querendo abra&ccedil;ar o mundo numas vezes; noutras, querendo explodir em toneladas de destrui&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>- Eu tenho medo desse seu lado – ela dizia. Tenho medo de n&atilde;o conseguir acalmar essa fera que est&aacute; em seu peito.</p>
<p>Ele dizia “<em>calma, est&aacute; tudo sob controle</em>” como quem fala do papai Noel para uma crian&ccedil;a.</p>
<p>Crian&ccedil;a&#8230; via-se quando crian&ccedil;a, era cheio de energia e alegria. Onde aconteceu o rompimento? Em que lugar foram abandonadas a inoc&ecirc;ncia e a esperan&ccedil;a?</p>
<p>Brincava na rua com os amigos, anos mais tarde era o amigo beberr&atilde;o divertido, depois o homem ocupado, mas sempre se lembrava dessa semente vermelha que brotava na escurid&atilde;o do seu ser. De todos os dias que podia lembrar de sua vida, via sempre aquela fa&iacute;sca insustent&aacute;vel nos seus olhos, como quem sabe de um segredo mas n&atilde;o compartilhar&aacute;. Ele sabia que conhecia esse segredo, mas n&atilde;o podia se recordar de nada&#8230; nada.</p>
<p>Eram muitas vidas em uma. Queria gritar para que aquela crian&ccedil;a que fora lhe ouvisse, ela saberia gui&aacute;-lo naquela queda acelerada atrav&eacute;s da escurid&atilde;o do abismo.</p>
<p>Deu uma tragada no cigarro enquanto segurava a x&iacute;cara de caf&eacute; com a outra m&atilde;o.</p>
<p>- Eu n&atilde;o entendo como isso acontece, t&ecirc;m dias&#8230; melhor, t&ecirc;m horas que sinto um aperto no peito, como se um verme se alimentasse das minhas entranhas. De repente, vejo-me um r&eacute;ptil, uma gota, uma poeira estelar, um ca&ccedil;ador interglacial, ou talvez uma c&eacute;lula dele, ou a pr&oacute;pria causa da Glacia&ccedil;&atilde;o Wiscosin, o que for. Por vezes, sinto-me circundando o universo, abrangendo tudo, e vejo as coisas com tanta paz e clareza; noutras, sou circundado por el&eacute;trons, uma parte t&atilde;o &iacute;nfima de tudo que sinto que s&oacute; posso obedecer &agrave;s leis da in&eacute;rcia ou da gravidade.</p>
<p><em>Estou caindo. Eu sou a queda.</em></p>
<p>Freud parecia dar demasiada import&acirc;ncia para a sexualidade, da mesma forma procediam os vedantas, os monges, os magos, os tantras et Cetera. Excedendo ou anulando, o sexo parecia ser chave para a liberdade e para o entendimento, mas ele nunca encontrara no sexo essa superconsci&ecirc;ncia; era prazer, dom&iacute;nio, som, cheiro e tato, ritmo e gozo, depois tudo voltava ao normal. &Agrave;s vezes, pior.</p>
<p>Cansara de fugas, de &aacute;lcool e das drogas, dos transes e das abstra&ccedil;&otilde;es. Queria abrir os olhos para enfrentar o que era seu e ele insistia em se escapar.</p>
<p>A vida ia se abrindo, ia se rasgando como um v&eacute;u de tecido fino, queimando e estalando como o seu cigarro. E o presente era seu, de si para si.</p>
<p>Ela ouvia, tentava entender aquela alma complicada, feliz por ter sido escolhida por ele para compartilhar aquilo; insegura, por&eacute;m, sem saber como proceder com aquele universo que se abria no meio, recolhendo-a, permitindo sua entrada.</p>
<p>Ele abria ao meio seu universo como um filhote quebra a casca do ovo para sair ao mundo. <em>Abraxas, eu sempre lembro.</em> Tudo era pesado e lento, doloroso e quase insustent&aacute;vel.</p>
<p>- &Agrave;s vezes penso que vou quebrar.</p>
<p>- Eu me sinto incapaz de te ajudar. O que posso fazer? Perguntava ela.</p>
<p>Ele respondia “<em>nada</em>”, sabendo que era mentira. Ela existia e lhe ouvia como quem deve ouvir a si mesmo, como quem ouve Vivaldi, e essa era a ajuda; e quebrar a casca era cair em um abismo perigoso, solit&aacute;rio e necess&aacute;rio.</p>
<p>- Por vezes me sinto t&atilde;o universal que colapso sobre mim, um Big Crunch. Sou dois, tr&ecirc;s, muitos com a mesma intensidade que sou s&oacute; um perdido entre milh&otilde;es, incapaz de navegar apenas numa dire&ccedil;&atilde;o correta, &agrave; deriva, num oceano vasto demais para uma vida. Sinto que nunca realizarei minhas possibilidades.</p>
<p>- Dizem que quem n&atilde;o sabe para onde vai qualquer dire&ccedil;&atilde;o serve e&#8230;</p>
<p>- Ou nenhuma serve; ou, ainda, n&atilde;o tenho dire&ccedil;&atilde;o, navego em um c&iacute;rculo eternamente perfeito, olhando sempre para as mesmas paisagens que as esta&ccedil;&otilde;es se encarregam de mudar as sombras, criando a ilus&atilde;o de que realmente estou mudando mas&#8230;</p>
<p>- Mas na verdade n&atilde;o est&aacute;, n&atilde;o &eacute; mesmo?</p>
<p>- Acho que no fundo nunca mudei, de verdade. Creio, ali&aacute;s, que &agrave; poucos de n&oacute;s &eacute; permitida a mudan&ccedil;a.</p>
<p>- Como n&atilde;o mudou?!</p>
<p>- Sim. Essas mudan&ccedil;as aparentes j&aacute; s&atilde;o parte de mim, sinto como se estivessem guardadas em algum lugar, esperando, prontas para assumir o controle do que sou.</p>
<p>- Muitas vidas em uma&#8230; voc&ecirc; me parece Fernando Pessoa.</p>
<p>Muitas vidas em uma&#8230; &agrave;s vezes ele sentia que todas essas vidas se abra&ccedil;avam e se atiravam com ele naquele abismo. Nada havia &agrave; frente, ou, talvez, apenas n&atilde;o enxergasse um fim pr&oacute;ximo, prestes a lhe bater no rosto com uma for&ccedil;a descomunal.</p>
<p>Muitas vidas em uma&#8230; como pode? Tudo parecia uma s&eacute;rie de sonhos, ora concatenados com perfei&ccedil;&atilde;o, ora revelando vac&acirc;ncias terr&iacute;veis, lapsos assustadores. Mas n&atilde;o eram sonhos, pois dormir era mais quieto.</p>
<p>Tinha as m&atilde;os amarradas para si, enxergava tudo ao seu redor, mas n&atilde;o lhe era permitido ter controle sobre sua alma. O Atman, ele acreditou, o Inner Self, o SAG, o Daeimonos, o que for, era aquilo que deveria govern&aacute;-lo; cada a&ccedil;&atilde;o, cada gesto, cada pensamento, cada emo&ccedil;&atilde;o&#8230; tudo era controlado por algo que n&atilde;o compreendia, e ia para o diabo o livre arb&iacute;trio.</p>
<p>- Por que o mundo &eacute; assim? – Perguntou ele, depois de um tempo em sil&ecirc;ncio enquanto soprava a fuma&ccedil;a do cigarro que terminava. – Por que somos assim?</p>
<p>- Se existe uma raz&atilde;o nisso tudo, talvez o melhor mesmo seja que a desconhe&ccedil;amos.</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://descompassado.com/dialogo-i/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Uma F&#225;bula Reconfortante</title>
		<link>http://descompassado.com/uma-fabula-reconfortante/</link>
		<comments>http://descompassado.com/uma-fabula-reconfortante/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 08 Jul 2011 01:26:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Indignação]]></category>
		<category><![CDATA[carl sagan]]></category>
		<category><![CDATA[Darwin]]></category>
		<category><![CDATA[humanos]]></category>
		<category><![CDATA[planeta]]></category>
		<category><![CDATA[universo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://descompassado.com/?p=917</guid>
		<description><![CDATA[Esse &#233; o terceiro v&#237;deo da S&#233;rie Sagan que eu, fortemente, recomendo que assistam todos. Esse, em especial, inspirou/revoltou o texto a seguir. Olhando para o planeta Terra, esse planeta que habitamos de forma inconseq&#252;ente, irrespons&#225;vel e parasit&#225;ria, olhando para ele, um ponto azul perdido num Universo infinitamente grande&#8230; nada acontece olhando de longe, em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Fuma-fabula-reconfortante%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Uma%20F%C3%A1bula%20Reconfortante%20%23%22%20%7D);"></div>
<p>Esse &eacute; o terceiro v&iacute;deo da S&eacute;rie Sagan que eu, fortemente, recomendo que assistam todos.<br />
Esse, em especial, inspirou/revoltou o texto a seguir.</p>
<p><object width="640" height="390"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8-fnoS01KmU?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="390" src="http://www.youtube.com/v/8-fnoS01KmU?version=3&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Olhando para o planeta Terra, esse planeta que habitamos de forma inconseq&uuml;ente, irrespons&aacute;vel e parasit&aacute;ria, olhando para ele, um ponto azul perdido num Universo infinitamente grande&#8230; nada acontece olhando de longe, em verdade, o que acontece &eacute; praticamente insignificante para o Universo.</p>
<p><strong>Somos part&iacute;culas infinitesimais de poeira sobre a superf&iacute;cie de um gr&atilde;o de poeira um pouco maior. Somos &aacute;caros.</strong></p>
<p>&Eacute; uma arrog&acirc;ncia exorbitante pensarmo-nos seres especiais nisso tudo. &Eacute;, al&eacute;m de arrogante, est&uacute;pido pensar, por um momento sequer, que religi&otilde;es, ideias, conceitos, op&ccedil;&otilde;es sexuais, fronteiras nacionais ou qualquer outro motivo ou valor ou ideal t&atilde;o transit&oacute;rio possa ser o &uacute;nico, o verdadeiro. Aquele que diz “eu tenho orgulho de ser assim, pois assim &eacute; o certo”, aquele que grita sua verdade (sua e somente sua), que levanta suas armas com outras centenas de milhares de pessoas que pensam estar no mesmo barco (pois cada um est&aacute; sozinho no seu, por&eacute;m, no mesmo oceano), &eacute; o maior arrogante, o maior est&uacute;pido, pois ele mata por um ideal inconsistente.</p>
<p>Aquele que pode se transformar num assassino ou agressor apenas para defender seu ponto de vista, defender sua bandeira, seja ela colorida, preta e branca ou a cor que for, est&aacute; errado, ainda que nesse jogo n&atilde;o exista, de fato, tal coisa de estar totalmente errado.</p>
<p><strong>“O Homem, em sua arrog&acirc;ncia, pensa de si mesmo uma grande obra, merecedora da interven&ccedil;&atilde;o de uma divindade.” (Darwin)</strong></p>
<p>O que te faz pensar que suas op&ccedil;&otilde;es s&atilde;o melhores que as do outro? Por que pensas que tua causa &eacute; a mais justa e, por isso, um deus qualquer deve intervir e te apoiar e te permitir sobrepujar toda e qualquer pessoa ou coisa que esteja em seu caminho? Como chegaste a esse ponto?</p>
<p><strong>N&oacute;s falhamos em compreender nosso universo.</strong></p>
<p>N&oacute;s n&atilde;o nascemos prontos. Somos filhos de bilh&otilde;es de anos de evolu&ccedil;&atilde;o, somos &aacute;tomos, p&oacute; de estrela, carbono e energia, somos sinapses e, quem sabe, num outro instante, somos nada.</p>
<p>N&atilde;o podemos dominar o Universo, n&atilde;o podemos domar deus (se ele existe) para que satisfa&ccedil;a nossos, indubitavelmente ego&iacute;stas, desejos, n&atilde;o podemos muitas coisas pois somos limitados no que fazemos e no que compreendemos. Por&eacute;m, podemos sim, esfor&ccedil;armo-nos, de maneira t&eacute;pida, calma e lenta mas consistente, para que nosso planetinha azul, perdido nesse infinito de escurid&atilde;o e “vazios”, seja um lugar melhor.</p>
<p>N&atilde;o pense que um deus qualquer vai te salvar quando tu ergueres as m&atilde;os para o c&eacute;u pedindo perd&atilde;o; tampouco seres de outro planeta (se existirem) vir&atilde;o te salvar desse caos, pois tu &eacute;s merecedor.</p>
<p><strong>N&atilde;o! N&atilde;o existem milagres!</strong></p>
<p>Podemos ser filhos de um &aacute;tomo em especial, o primeiro a ter sofrido uma muta&ccedil;&atilde;o de sucesso, e ele foi nosso deus, e se for assim, ele n&atilde;o ir&aacute; nos salvar novamente. Estamos sozinhos, abandonados &agrave; pr&oacute;pria sorte, e j&aacute; est&aacute; mais do que na hora de limpar a nossa casa.</p>
<p>Olhando assim, de longe, tamb&eacute;m n&atilde;o parece t&atilde;o suja. Mas daqui de dentro, essas diferen&ccedil;as que n&atilde;o sabemos suportar nos fazem imundos.</p>
<p>&nbsp;</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://descompassado.com/uma-fabula-reconfortante/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Alhures</title>
		<link>http://descompassado.com/alhures/</link>
		<comments>http://descompassado.com/alhures/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 12 Mar 2011 16:22:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minicontos]]></category>
		<category><![CDATA[carne]]></category>
		<category><![CDATA[despersonalização]]></category>
		<category><![CDATA[devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[universo]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://descompassado.com/?p=894</guid>
		<description><![CDATA[Segurou firme aquela carne fl&#225;cida, carne da sua carne, um peda&#231;o do seu pr&#243;prio corpo, no entanto, parecendo t&#227;o alheio quanto os pensamentos de qualquer desconhecido que se lhe passasse pela rua. Aquele peda&#231;o de carne e gordura, pele e osso, n&#227;o tinha significado nenhum, parecia estar conectado a si por um mero acaso da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Falhures%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Alhures%20%23%22%20%7D);"></div>
<p><img class="aligncenter" src="http://2.bp.blogspot.com/_g94QYAp7l5k/Svn5-K8KPpI/AAAAAAAAABE/KrdDFSGboYg/s320/David+Ho_Block6.jpg" alt="" width="320" height="320" /></p>
<p>Segurou firme aquela carne fl&aacute;cida, carne da sua carne, um peda&ccedil;o do seu pr&oacute;prio corpo, no entanto, parecendo t&atilde;o alheio quanto os pensamentos de qualquer desconhecido que se lhe passasse pela rua.</p>
<p>Aquele peda&ccedil;o de carne e gordura, pele e osso, n&atilde;o tinha significado nenhum, parecia estar conectado a si por um mero acaso da vida, ou melhor, todo o seu corpo parecia um amontoado de pe&ccedil;as de v&aacute;rios quebra-cabe&ccedil;as que n&atilde;o se encontravam mas, de alguma forma, encaixavam-se de uma maneira mais ou menos sim&eacute;trica e harm&ocirc;nica. Contudo, nada disso lhe era suficiente, era um peda&ccedil;o de carne, e era estranho; era um peda&ccedil;o dele mesmo, por&eacute;m, era alheio a sua vontade ou consci&ecirc;ncia.</p>
<p>Era estranho como aqueles milh&otilde;es de c&eacute;lulas podiam se juntar daquela forma, naquele corpo, que n&atilde;o parecia ser seu. Agarrava aquele peda&ccedil;o da sua perna e entendia que para aquelas c&eacute;lulas estarem ali foram necess&aacute;rias explos&otilde;es estrelares, for&ccedil;as gravitacionais, dor, raiva, amor, paix&atilde;o, sexo, morte, guerra, uma funcion&aacute;ria de um banco e um funcion&aacute;rio do governo. Milhares e milhares de fatos precisaram acontecer de uma forma espec&iacute;fica para que aquele peda&ccedil;o de carne que segurava agora estivesse ali e para que ele pensasse naquilo como algo estranho.</p>
<p>Poderia estar apenas olhando seus p&ecirc;los, admirando suas veias que, sutilmente, se avan&ccedil;avam pela pele, como uma cobra nadando quase na superf&iacute;cie da &aacute;gua, revelando por pouco sua silhueta, seu formato, suas cores e tamanhos. Poderia apenas estar se queixando de uma dor muscular ou, com mais azar, de um osso quebrado.</p>
<p>N&atilde;o, nada disso. Ele olhava para aquela pele que cobria ossos e se perguntava o por qu&ecirc; daquilo ser daquela forma.</p>
<p>Seus pensamentos iam muito al&eacute;m da perna e do sangue que corria dentro das veias que cruzavam aquele membro, seus pensamentos vagavam distantes, corriam por montanhas pr&eacute;-hist&oacute;ricas, por ruas e casebres da idade m&eacute;dia, voavam por entre planetas e estrelas que j&aacute; n&atilde;o existem mais, por entre nebulosas e energias que, de alguma forma, pode ser que jamais sejam completamente compreendidas pelos homens.</p>
<p>Seus pensamentos chegavam at&eacute; o in&iacute;cio de tudo, ao Big Bang, a Deus, a For&ccedil;a Primordial. A Cria&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Mas tudo voltava aquela perna, agora alhures. O que, diabos, ele fazia ali, perguntando-se sobre tudo aquilo? E por que aquele corpo? Por que aquelas formas, pelos, cores, cheiros? Por que esses por qu&ecirc;s?</p>
<p>Debatia-se em suas pr&oacute;prias ideias, pra l&aacute; e pra c&aacute;, como um macaquinho selvagem aprisionado, como um p&aacute;ssaro preso em uma gaiola, como um ser humano que pensa demais.</p>
<p>Um conjunto de c&eacute;lulas n&atilde;o poderia ser ele mesmo. Aquele mundo que existia dentro de si n&atilde;o poderia ser apenas a soma de uma predisposi&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica e uma fisiol&oacute;gica agregadas a est&iacute;mulos el&eacute;tricos do que vira e vivera em toda sua vida, da sua rela&ccedil;&atilde;o com seus amigos, irm&atilde;os, pai e m&atilde;e e, assim, consequentemente, das mais remotas escolhas pessoais desses que lhe educaram. &Eacute; uma loucura <em>ad infinitum</em>.</p>
<p>N&atilde;o conseguia aceitar que todo seu universo interior era apenas reflexo, uma resposta do seu corpo ao meio-ambiente. No entanto, tudo apontava numa dire&ccedil;&atilde;o pouco magn&acirc;nima, era puro determinismo. Nada mais, nada al&eacute;m.</p>
<p>Soltou aquela perna e prestou aten&ccedil;&atilde;o no chimarr&atilde;o que agora lhe alcan&ccedil;avam. Era melhor sorver um amargo e parar de besteira.</p>
<p>&nbsp;</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://descompassado.com/alhures/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Filhos das estrelas</title>
		<link>http://descompassado.com/filhos-das-estrelas/</link>
		<comments>http://descompassado.com/filhos-das-estrelas/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 13 Jan 2011 04:35:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eu]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[estrelas]]></category>
		<category><![CDATA[matéria]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[ser]]></category>
		<category><![CDATA[universo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://descompassado.com/?p=874</guid>
		<description><![CDATA[﻿ Acho incr&#237;vel a fascina&#231;&#227;o que as estrelas me causam. Lembro que desde crian&#231;a gostava de ficar muito tempo deitado, ao ar livre, olhando o c&#233;u da noite, a lua e as estrelas, sem uma causa aparente, sentia uma atra&#231;&#227;o por isso, uma sensa&#231;&#227;o boa, de paz, calma, sossego e harmonia. Inicialmente, havia algo puramente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Ffilhos-das-estrelas%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2Fgd9bJo%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Filhos%20das%20estrelas%20%23%22%20%7D);"></div>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://davidcamargo.files.wordpress.com/2009/05/planetas_sao_destruidos_quando_caem_em_estrelas.jpg" alt="" width="512" height="320" />﻿</p>
<p>Acho incr&iacute;vel a fascina&ccedil;&atilde;o que as estrelas me causam.</p>
<p>Lembro que desde crian&ccedil;a gostava de ficar muito tempo deitado, ao ar livre, olhando o c&eacute;u da noite, a lua e as estrelas, sem uma causa aparente, sentia uma atra&ccedil;&atilde;o por isso, uma sensa&ccedil;&atilde;o boa, de paz, calma, sossego e harmonia.</p>
<p>Inicialmente, havia algo puramente m&iacute;stico nisso, como se nesse simples ato de observa&ccedil;&atilde;o e, por que n&atilde;o, integra&ccedil;&atilde;o, eu estivesse transcendendo o que sou, passando a uma esp&eacute;cie de outro n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia, e &eacute; um absurdo perceber, agora, que eu fazia isso nos idos dos meus treze anos, talvez at&eacute; menos.</p>
<p>Com o tempo as coisas foram mudando, meu interesse por astronomia cresceu, bem como pela f&iacute;sica. Aos poucos fui entendendo o funcionamento de algumas coisas sobre esses astros, a ideia de que aquilo era uma assinatura divina foi dando espa&ccedil;o, ou melhor, coabitando, vivendo em simultaneidade harm&ocirc;nica com o entendimento de que eram luzes, f&oacute;tons, &aacute;tomos, ondas, energias e milhares de coisas puramente f&iacute;sicas que, depois de muito tempo, chegavam a Terra com essas informa&ccedil;&otilde;es. A luz hipn&oacute;tica era t&atilde;o comum quanto o sol, diferindo (simploriamente) apenas pelo fato de demorar um tempo maior para chegar at&eacute; n&oacute;s. Aquela velha hist&oacute;ria, a luz que vemos de uma estrela hoje pode ter sa&iacute;do dela h&aacute; mais de dez anos; pode ser que estejamos vendo somente um fantasma, pois n&atilde;o se descarta a hip&oacute;tese de que esse astro possa ter morrido nesse meio tempo.</p>
<p>Ainda assim, a noite e suas estrelas conserva sua poesia eterna, misteriosa e perfeita. Se n&atilde;o me engano, foi em um livro do Dawkins que li uma vez que a f&iacute;sica n&atilde;o estragaria a poesia, a beleza dos fen&ocirc;menos, apenas daria um novo sentido, e eu devo complementar: um sentido mais profundo e intrigante, portanto, mais po&eacute;tico.</p>
<p>Acho que essa quest&atilde;o astron&ocirc;mica continua tendo seu peso esmagadoramente introspectivo e ensurdecedoramente transcendente porque, mesmo inconscientemente, sabemos que aquilo faz parte da nossa hist&oacute;ria, da hist&oacute;ria do universo inteiro. Um dia fomos apenas &aacute;tomos, p&oacute;, carbono ou nem isso, uma energia amorfa e desarm&ocirc;nica, ou, colocando isso de uma forma mais bonitinha: poeira c&oacute;smica.</p>
<p>Somos filhos de um mesmo evento.</p>
<p>Somos irm&atilde;os em mat&eacute;ria e energia.</p>
<p>Sa&iacute;mos da mesma m&atilde;e e do mesmo pai, e podemos cham&aacute;-los Cosmos.</p>
<p>Talvez seja isso que nos deixe perplexos diante da insustent&aacute;vel infinitude da noite, o fato de ela tentar nos contar, diariamente, que somos fruto de uma coisa s&oacute;.</p>
<p>Talvez seja por isso que ficaremos eternamente impressionados com a imensid&atilde;o do universo, precisamos entender, trazer do inconsciente ao consciente a ideia, ou o fato, de que somos irm&atilde;os de &Eacute;ons atr&aacute;s.</p>
<p>Tamb&eacute;m, talvez o universo se expanda conforme a nossa ignor&acirc;ncia, a nossa prepot&ecirc;ncia e a nossa arrog&acirc;ncia: antes &eacute;ramos um condensado &uacute;nico, esse deve ter sido nosso auge, depois disso viramos mat&eacute;ria e fomos nos distanciando, abrindo, cada vez mais, espa&ccedil;o para um vazio que agride nossa alma.</p>
<p>Hoje, h&aacute; um imenso vazio, e ele pode ser chamado de estupidez humana.</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://descompassado.com/filhos-das-estrelas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O que somos no universo</title>
		<link>http://descompassado.com/o-que-somos-no-universo/</link>
		<comments>http://descompassado.com/o-que-somos-no-universo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 24 Sep 2010 00:02:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[humildade]]></category>
		<category><![CDATA[insignificância]]></category>
		<category><![CDATA[planetas]]></category>
		<category><![CDATA[problemas]]></category>
		<category><![CDATA[ser humano]]></category>
		<category><![CDATA[universo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://descompassado.com/?p=814</guid>
		<description><![CDATA[N&#227;o recordo qual f&#237;sico disse uma frase que, antes de eu a conhecer, eu j&#225; pensava nela: estudar o universo nos ensina humildade. T&#225;, n&#227;o era bem assim a frase, mas o sentido &#233; esse. H&#225; uns dias atr&#225;s li uma mat&#233;ria sobre o que seria o universo pr&#233;-big bang ( http://super.abril.com.br/universo/havia-antes-big-bang-598331.shtml ). S&#227;o quase [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Fo-que-somos-no-universo%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2Faa3kD6%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22O%20que%20somos%20no%20universo%20%23%22%20%7D);"></div>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www3.uma.pt/Investigacao/Astro/Grupo/Sextas_astronomicas/Sexta7/fig1.jpg" alt="" width="540" height="432" /></p>
<p>N&atilde;o recordo qual f&iacute;sico disse uma frase que, antes de eu a conhecer, eu j&aacute; pensava nela: estudar o universo nos ensina humildade. T&aacute;, n&atilde;o era bem assim a frase, mas o sentido &eacute; esse.</p>
<p>H&aacute; uns dias atr&aacute;s li uma mat&eacute;ria sobre o que seria o universo pr&eacute;-big bang ( <a href="http://super.abril.com.br/universo/havia-antes-big-bang-598331.shtml">http://super.abril.com.br/universo/havia-antes-big-bang-598331.shtml</a> ). S&atilde;o quase abstra&ccedil;&otilde;es paradoxais bastante dif&iacute;ceis de serem compreendidas pela mente. Na verdade, acredito que entender o universo e sua hist&oacute;ria pr&eacute;-existencial &eacute; justamente conformar-se em n&atilde;o entender. Isso vai al&eacute;m da nossa capacidade.</p>
<p>Uma teoria interessante que estava nessa mat&eacute;ria &eacute; a de que o Universo poderia seguir uma linha mais ou menos como a de Darwin para a vida no planeta. Algo como reprodu&ccedil;&atilde;o de universos, como se os buracos negros, que n&atilde;o nos permitem ter ideia do que h&aacute; dentro deles, fossem outros universos criados &agrave; partir deste, e dentro deles poderiam haver outras crias.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="640" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/yYnnUwvRIAI?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="385" src="http://www.youtube.com/v/yYnnUwvRIAI?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Ent&atilde;o, se somos um gr&atilde;ozinho numa escala planet&aacute;ria, quer dizer, em rela&ccedil;&atilde;o ao planeta Terra, que &eacute; muito menor do que o sol que, por sua vez, &eacute; muito, mas muito mesmo, menor que a estrela VY Canis Majoris, quer dizer que somos o que?</p>
<p>Bom, n&atilde;o sei bem o que posso dizer que somos, tenho a mania de dizer que somos nada e muitos iriam me xingar por isso. Mas se n&atilde;o somos uma poeirinha, se representamos algo dentro desse universo, representamos pouqu&iacute;ssimo.</p>
<p>Se &eacute; assim, o que nossos problemas representam para o mundo? O que deus tem a ver com o prazo que voc&ecirc; perdeu? Com os quilos que voc&ecirc; ganhou? Com o caf&eacute; que voc&ecirc; derramou no livro? O que diabos (whatahell!!!) isso significa? Nada. Ou melhor, NADA!</p>
<p>Quando algu&eacute;m me diz que deus castiga, que pagamos por nosso pecados, eu tenho um pensamento: se ele &eacute; t&atilde;o grande e pai, porque seria t&atilde;o ruim conosco a ponto de nos colocar nos c&iacute;rculos infernais que o poeta Dante Alighieri deu uma leve explicadinha (hey, ironia, ok?)? Por acaso um pai condena um filho &agrave; vida inteira de penit&ecirc;ncia porque ele quebrou o vaso de porcelana chinesa jogando bola dentro de casa?</p>
<p>Se esse pensamento n&atilde;o &eacute; o suficiente para entender o que s&atilde;o essas amenidades humanos diante de um ser que, acredita-se, ser superior e criador do universo, obede&ccedil;amos a escala do v&iacute;deo. Logo, deixamos de ser um filho de um pai muito superior e passamos a ser uma poeirinha que passa quase perto do nariz dele, talvez nem isso.</p>
<p>E agora, o que representamos no universo? O que nossa ressaca tem a ver com isso? O que aquele p&atilde;o com nutella que caiu virado para baixo significa para o universo? Nada, a n&atilde;o ser para n&oacute;s em nossa insignific&acirc;ncia pretensiosa e mimada.</p>
<p>Quando mudamos de escala de pensamento, vamos aprendendo a ter humildade diante do universo. Isso &eacute; um processo lento e doloroso, mas gratificante.</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://descompassado.com/o-que-somos-no-universo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>H&#225; um inferno dentro de mim</title>
		<link>http://descompassado.com/ha-um-inferno-dentro-de-mim/</link>
		<comments>http://descompassado.com/ha-um-inferno-dentro-de-mim/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 00:30:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[âmago]]></category>
		<category><![CDATA[átomo]]></category>
		<category><![CDATA[inferno]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[podridão]]></category>
		<category><![CDATA[universo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://descompassado.com/?p=787</guid>
		<description><![CDATA[H&#225; um &#225;tomo dentro de mim, Ele guarda um inferno em seu n&#250;cleo, E &#233; como um radical livre: Vai transmitindo o descompasso. Um a um v&#227;o se contaminando os outros &#225;tomos At&#233; tudo se tornar necrosado. H&#225; um inferno dentro de mim Guardado pelo meu n&#250;cleo; No meu peito: uma chaga aberta; Por ela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Fha-um-inferno-dentro-de-mim%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2F9OzzVI%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22H%C3%A1%20um%20inferno%20dentro%20de%20mim%20%23%22%20%7D);"></div>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://gucit.com/site/wp-content/uploads/2009/09/Via-Lactea-Centro.jpg" alt="" width="657" height="387" /></p>
<p>H&aacute; um &aacute;tomo dentro de mim,</p>
<p>Ele guarda um inferno em seu n&uacute;cleo,</p>
<p>E &eacute; como um radical livre:</p>
<p>Vai transmitindo o descompasso.</p>
<p>Um a um v&atilde;o se contaminando os outros &aacute;tomos</p>
<p>At&eacute; tudo se tornar necrosado.</p>
<p>H&aacute; um inferno dentro de mim</p>
<p>Guardado pelo meu n&uacute;cleo;</p>
<p>No meu peito: uma chaga aberta;</p>
<p>Por ela se escapa um &aacute;tomo;</p>
<p>Somos, ele e eu, um s&oacute; fruto podre,</p>
<p>Contaminamos, pouco a pouco, o meio que nos rodeia:</p>
<p>- Um centro de pestil&ecirc;ncia!</p>
<p>At&eacute; que, por fim, tudo cheire a enxofre e podrid&atilde;o.</p>
<p>H&aacute; um inferno no mundo,</p>
<p>Escondido no centro da escurid&atilde;o do infinito,</p>
<p>Num buraco negro desconhecido,</p>
<p>Num planetinha colorido,</p>
<p>E eles se colidem e se contaminam</p>
<p>E espalham ao universo um fim p&uacute;trido,</p>
<p>A via L&aacute;ctea &eacute; o pus dessa ferida,</p>
<p>Que mata os el&eacute;trons e toda a vida.</p>
<p>E tudo torna a se recolher em morte profunda.</p>
<p>E h&aacute; um inferno na morte.</p>
<p>Mas eu hei de nascer de novo,</p>
<p>Com o mesmo &aacute;tomo dentro de mim.</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://descompassado.com/ha-um-inferno-dentro-de-mim/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>tenho o costume de andar pelas estrelas</title>
		<link>http://descompassado.com/tenho-o-costume-de-andar-pelas-estrelas/</link>
		<comments>http://descompassado.com/tenho-o-costume-de-andar-pelas-estrelas/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 19 Jun 2010 21:15:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[deus]]></category>
		<category><![CDATA[espírito]]></category>
		<category><![CDATA[estrelas]]></category>
		<category><![CDATA[homem]]></category>
		<category><![CDATA[planetas]]></category>
		<category><![CDATA[universo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://descompassado.com/?p=719</guid>
		<description><![CDATA[Tenho o costume de andar pelas estrelas E de correr pelo espa&#231;o como um deus E s&#243; quando trope&#231;o e caio que entendo - sempre serei mais humano do que gostaria Tenho a mania de brincar com esp&#237;ritos Dan&#231;amos, cantamos e brincamos o tempo todo E &#233; quando me canso e eles continuam ativos Que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Ftenho-o-costume-de-andar-pelas-estrelas%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2Fb6PDtl%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22tenho%20o%20costume%20de%20andar%20pelas%20estrelas%20%23%22%20%7D);"></div>
<p>Tenho o costume de andar pelas estrelas</p>
<p>E de correr pelo espa&ccedil;o como um deus</p>
<p>E s&oacute; quando trope&ccedil;o e caio que entendo</p>
<p>- sempre serei mais humano do que gostaria</p>
<p>Tenho a mania de brincar com esp&iacute;ritos</p>
<p>Dan&ccedil;amos, cantamos e brincamos o tempo todo</p>
<p>E &eacute; quando me canso e eles continuam ativos</p>
<p>Que me vejo ainda preso em minha hist&oacute;ria</p>
<p>Pois que dessas li&ccedil;&otilde;es t&atilde;o sutis e constantes</p>
<p>Que me fa&ccedil;o vezes mais, vezes menos, v&iacute;tima</p>
<p>Vejo que cada dado tem seu n&uacute;mero certo</p>
<p>E que mesmo o caos &eacute; definido por um momento</p>
<p>E que nos planetas onde durmo, vez por outra,</p>
<p>Nas noites insustent&aacute;veis desse universo,</p>
<p>Possa abrandar esse meu esp&iacute;rito que n&atilde;o &eacute; meu</p>
<p>Sonhando ser mais for&ccedil;a e menos del&iacute;rio</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://descompassado.com/tenho-o-costume-de-andar-pelas-estrelas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Mat&#233;ria Escura e a Mente</title>
		<link>http://descompassado.com/a-materia-escura-e-a-mente/</link>
		<comments>http://descompassado.com/a-materia-escura-e-a-mente/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 30 Mar 2010 00:54:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Eu]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[física]]></category>
		<category><![CDATA[matéria escura]]></category>
		<category><![CDATA[pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[self]]></category>
		<category><![CDATA[universo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://descompassado.com/?p=665</guid>
		<description><![CDATA[Pronto pra mais uma viagem, peque gafanhoto? Ent&#227;o vamos l&#225;. Mat&#233;ria escura &#233; uma esp&#233;cie de mat&#233;ria que n&#227;o emite luz, portanto, n&#227;o pode ser observada pelos nossos olhos. N&#227;o sabemos a forma, mas podemos mensurar, mais ou menos, o tamanho de um “aglomerado” (?) de mat&#233;ria escura atrav&#233;s de c&#225;lculos super divertidos em que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Fa-materia-escura-e-a-mente%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2FbQJKbp%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22A%20Mat%C3%A9ria%20Escura%20e%20a%20Mente%20%23%22%20%7D);"></div>
<p><img class="aligncenter" src="http://semanadaastronomia.com/blog/wp-content/uploads/2009/04/vialactea1.jpg" alt="" width="460" height="400" /></p>
<p>Pronto pra mais uma viagem, peque gafanhoto? Ent&atilde;o vamos l&aacute;.</p>
<p><a title="Mat&eacute;ria Escura - Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mat%C3%A9ria_escura" target="_blank">Mat&eacute;ria escura</a> &eacute; uma esp&eacute;cie de mat&eacute;ria que n&atilde;o emite luz, portanto, n&atilde;o pode ser observada pelos nossos olhos. N&atilde;o sabemos a forma, mas podemos mensurar, mais ou menos, o tamanho de um “aglomerado” (?) de mat&eacute;ria escura atrav&eacute;s de c&aacute;lculos super divertidos em que dados s&atilde;o retirados de observa&ccedil;&otilde;es da intera&ccedil;&atilde;o dessa mat&eacute;ria escura com a mat&eacute;ria “normal” ao seu redor, uma vez que influ&ecirc;ncias s&atilde;o exercidas por aquela sobre esta, em seu campo gravitacional e energ&eacute;tico.</p>
<p>Mas o que &eacute; a mat&eacute;ria escura? N&atilde;o se sabe ao certo, uma vez que n&atilde;o pode ser observada, n&atilde;o se pode determinar com precis&atilde;o do que &eacute; formada, apenas teorias v&atilde;o sendo formuladas e as mais plaus&iacute;veis v&atilde;o sendo levadas adiante.</p>
<p>T&aacute;, mas o que que tem a ver essa tal da mat&eacute;ria escura, Christian?</p>
<p>Bom, astr&ocirc;nomos dizem que a mat&eacute;ria escura forma cerca de 83% (sim, oitenta e tr&ecirc;s) do universo, isso, por si s&oacute;, j&aacute; &eacute; interessant&iacute;ssimo, imagine, algo que n&atilde;o sabemos o que &eacute; formar quase a totalidade do universo.</p>
<p>Contudo, n&atilde;o &eacute; nos mist&eacute;rios do universo que quero mergulhar; quero, na verdade, trazer isso para dentro, para o ser humano, para os mist&eacute;rios da mente.</p>
<p>Muitas e muitas vezes nos pegamos dizendo e fazendo coisas estranhas a n&oacute;s mesmos, pensando sem controle nenhum, e isso s&oacute; aumenta &agrave; medida que o tempo passa e as devidas atitudes n&atilde;o s&atilde;o tomadas. Perder a aten&ccedil;&atilde;o sobre o que se passa nas nossas mentes tem sido o mal da humanidade, quanto mais velhos mais desatentos aos processos internos vamos ficando, sejam eles mentais, sejam emocionais ou sejam sentimentais (a desaten&ccedil;&atilde;o ao &acirc;mago &eacute; diretamente proporcional ao tempo de vida, n&atilde;o resisti &agrave; proposi&ccedil;&atilde;o).</p>
<p>Nossa vida interna &eacute; formada por coisas incr&iacute;veis e desconhecidas, uma superf&iacute;cie muito sutil nos &eacute; poss&iacute;vel conhecer naturalmente, e eu diria que &eacute; algo semelhante aos 17% de mat&eacute;ria vis&iacute;vel (ou n&atilde;o-escura) do universo.</p>
<p>Pense na sua mente como um universo particular, cheio de planetas, estrelas, nebulosas, meteoros, etc. Cada coisa dessas representa um pensamento, uma emo&ccedil;&atilde;o, e voc&ecirc; pode fazer a atribui&ccedil;&atilde;o que quiser a cada um deles, o fato &eacute; que muito ainda est&aacute; l&aacute; sem ser conhecido, regi&otilde;es ermas, distantes, que apenas um mergulho destemido e sem medo de perder o caminho de volta pode acabar iluminando.</p>
<p>Essas &aacute;reas t&atilde;o rec&ocirc;nditas s&atilde;o o inconsciente, ou o Self, algo muito interno, profundo e de dif&iacute;cil alcance at&eacute; pro mais h&aacute;bil psicanalista ou pro mais destemido e esfor&ccedil;ado espiritualista, meditando com afinco.</p>
<p>E eu ainda espero uma concilia&ccedil;&atilde;o das v&aacute;rias ci&ecirc;ncias (f&iacute;sica, qu&iacute;mica, psicologia, etc.) com o mundo do esp&iacute;rito do homem, da alma, ou a mente, ou como resolver cham&aacute;-lo.</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://descompassado.com/a-materia-escura-e-a-mente/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Quase tudo &#233; proibido</title>
		<link>http://descompassado.com/quase-tudo-e-proibido/</link>
		<comments>http://descompassado.com/quase-tudo-e-proibido/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Mar 2010 03:31:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eu]]></category>
		<category><![CDATA[carl sagan]]></category>
		<category><![CDATA[física quântica]]></category>
		<category><![CDATA[possibilidades]]></category>
		<category><![CDATA[proibido]]></category>
		<category><![CDATA[teorias]]></category>
		<category><![CDATA[universo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://descompassado.com/?p=657</guid>
		<description><![CDATA[Estou lendo o livro Contato, do falecido astr&#244;nomo Carl Sagan, e hoje me deparei com uma frase interessante no livro, um dos personagens dizia que vivemos num mundo onde quase tudo &#233; proibido, ali&#225;s, devo ressaltar, o personagem tamb&#233;m &#233; um cientista, como o autor do livro. &#201; interessante ler uma frase com esse teor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Fquase-tudo-e-proibido%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2F97mtOt%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Quase%20tudo%20%C3%A9%20proibido%20%23%22%20%7D);"></div>
<p><img class="aligncenter" src="http://vistasnapaisagem.weblog.com.pt/arquivo/29Saturno.jpg" alt="" width="490" height="390" /></p>
<p>Estou lendo o livro <em>Contato</em>, do falecido astr&ocirc;nomo <a title="Carl Sagan - Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Sagan" target="_blank">Carl Sagan</a>, e hoje me deparei com uma frase interessante no livro, um dos personagens dizia que vivemos num mundo onde quase tudo &eacute; proibido, ali&aacute;s, devo ressaltar, o personagem tamb&eacute;m &eacute; um cientista, como o autor do livro.</p>
<p>&Eacute; interessante ler uma frase com esse teor num meio de astr&ocirc;nomos e f&iacute;sicos modernos, pessoas que trabalham com hip&oacute;teses e teorias bastante complexas e de dif&iacute;cil sustenta&ccedil;&atilde;o, afinal, a astronomia ainda &eacute; bastante controversa em in&uacute;meros pontos, ainda mais com as leis da f&iacute;sica qu&acirc;ntica.</p>
<p>&Eacute; claro que quando tratamos de sistemas terrenos e tang&iacute;veis somos obrigados a concordar com essa frase. Mesmo tendo essa tend&ecirc;ncia atual da Lei da Atra&ccedil;&atilde;o, em que aquilo que se deseja pode ser alcan&ccedil;ado, numa &eacute;poca em que literaturas como a dos vampirinhos (eclipse e os demais) fazem sucesso, em que um personagem como o do O Alquimista do Paulo Coelho desperta tanto interesse e desejo por poder, essas fantasias ainda n&atilde;o sa&iacute;ram do campo da imagina&ccedil;&atilde;o, ou, ao menos, ainda n&atilde;o chegaram nas m&atilde;os da ci&ecirc;ncia, posto que n&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncias concretas da realiza&ccedil;&atilde;o de milagres, e isso inclui aquele rapazinho l&aacute; da Galil&eacute;ia.</p>
<p>Quer&iacute;amos voar, mas n&atilde;o conseguimos; quer&iacute;amos pensar em estar em um lugar e, automaticamente, nos transportarmos para l&aacute;, mas n&atilde;o podemos; desejamos materializar coisas, brincar com energias e for&ccedil;as, mas somos impotentes para isso. Tudo isso &eacute; proibido, as leis da f&iacute;sica que regem nossas vidas n&atilde;o nos permitem tais feitos.</p>
<p>No entanto, novas teorias envolvendo a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mec%C3%A2nica_qu%C3%A2ntica" target="_blank">f&iacute;sica qu&acirc;ntica</a>, o transporte de energia at&ocirc;mica, a for&ccedil;a do pensamento, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bootstrapping" target="_blank">bootstrap</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_das_cordas" target="_blank">cordas</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria-M" target="_blank">M</a>, multiversos, seja o que for, nos abrem um leque gigantesco de imagina&ccedil;&atilde;o, principalmente no que diz respeito de multirrealidades, como uma Matrix se abrindo para n&oacute;s.</p>
<p>Ainda assim, pensar que se &eacute; Super-Homem e pular da sacada para voar continua configurando suic&iacute;dio, ou, no m&iacute;nimo, uma semana no hospital com alguns ossos quebrados.</p>
<p>Muita coisa &eacute; proibida: sua m&atilde;e n&atilde;o deixava voc&ecirc; comer doce antes do almo&ccedil;o, sua m&atilde;e n&atilde;o deixava voc&ecirc; dormir sem escovar os dentes, nem deixava enforcar o banho. Voc&ecirc; n&atilde;o deve beber demais, voc&ecirc; n&atilde;o deve fumar, nem comer muito, nem ter muitas parceiras sexuais, nem &#8230; t&ocirc; cansando.</p>
<p>De fato, quase tudo &eacute; proibido, e eu come&ccedil;o a achar normal um homem-bomba invadir um supermercado para se explodir numa miss&atilde;o beata, tamb&eacute;m to quase pensando ser normal uma expert na arte da malandragem se candidatar &agrave; presid&ecirc;ncia da rep&uacute;blica. E isso deveria ser proibido.</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://descompassado.com/quase-tudo-e-proibido/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Fractais e o mundo</title>
		<link>http://descompassado.com/fractais-e-o-mundo/</link>
		<comments>http://descompassado.com/fractais-e-o-mundo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 02:19:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bobagens]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[einstein]]></category>
		<category><![CDATA[eterno retorno]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[fractais]]></category>
		<category><![CDATA[matemática]]></category>
		<category><![CDATA[nietzsche]]></category>
		<category><![CDATA[universo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://descompassado.com/?p=654</guid>
		<description><![CDATA[Talvez muitos de voc&#234;s ainda n&#227;o tenham ouvido falar nos Fractais, ou ent&#227;o j&#225; ouviram e n&#227;o procuraram entender melhor o que &#233; essa coisinha linda descoberta na matem&#225;tica moderna. N&#227;o &#233; de se admirar que n&#227;o tiveram interesse em saber mais sobre isso, afinal, matem&#225;tica, gr&#225;ficos e termos como “tender ao infinito”, de fato, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Ffractais-e-o-mundo%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2FctnwVk%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Fractais%20e%20o%20mundo%20%23%22%20%7D);"></div>
<p><img class="aligncenter" src="http://trajetoria.files.wordpress.com/2009/02/fractais.jpg" alt="" width="518" height="389" /></p>
<p>Talvez muitos de voc&ecirc;s ainda n&atilde;o tenham ouvido falar nos <a title="Fractais - Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fractal" target="_blank">Fractais</a>, ou ent&atilde;o j&aacute; ouviram e n&atilde;o procuraram entender melhor o que &eacute; essa coisinha linda descoberta na matem&aacute;tica moderna. N&atilde;o &eacute; de se admirar que n&atilde;o tiveram interesse em saber mais sobre isso, afinal, matem&aacute;tica, gr&aacute;ficos e termos como “tender ao infinito”, de fato, n&atilde;o s&atilde;o muito atraentes aos olhos de todos.</p>
<p>Pois vamos adiante, de uma forma bem simples.</p>
<p>Fractal quer dizer “fra&ccedil;&atilde;o”, e esse termo foi cunhado pelo matem&aacute;tico franc&ecirc;s <strong>Benoit Mandelbrot</strong> (e tem fractais apelidados com o nome dele, obviamente). Mas por que fra&ccedil;&atilde;o?</p>
<p>Voc&ecirc;s devem lembrar-se do col&eacute;gio, quando a ‘tia’ pedia pra fazer o gr&aacute;fico de uma fun&ccedil;&atilde;o de primeiro grau, que dava uma reta, ou do segundo grau, que dava uma par&aacute;bola, depois, quem vai pra &aacute;rea das exatas na faculdade, acaba vendo toda sorte de gr&aacute;ficos bizarros. Pois bem, fractal nada mais &eacute; (sendo bem simpl&oacute;rio) do que uma fun&ccedil;&atilde;o que tem o seu gr&aacute;fico repetido <em>ad nauseam</em>, como se fosse um <em>d&eacute;j&agrave; vu</em> imposs&iacute;vel de escapar (“hey, j&aacute; vi isso antes”).</p>
<p>O importante aqui &eacute; relacionar essa geometria at&iacute;pica (s&oacute; digo isso porque ela n&atilde;o &eacute; euclidiana) com o mundo ao nosso redor. For&ccedil;ando a barra, eu sei, as coisas n&atilde;o se apresentam assim aos nossos olhos, repetidas, semelhantes, retorn&aacute;veis, no entanto, mesmo no mundo f&iacute;sico, pode-se observar in&uacute;meras vezes esses fractais, pra mim, o pr&oacute;prio universo deve ser um fractal gigantesco, como se o deus brincalh&atilde;o nos olhasse de um caleidosc&oacute;pio e dissesse “bah, t&aacute; repetindo tudo” (porque deus &eacute; ga&uacute;cho n&eacute;).</p>
<p>O grandess&iacute;ssimo fil&oacute;sofo louc&atilde;o Friedierich Nietzsche falou do eterno retorno em seus livros ele n&atilde;o tinha nem id&eacute;ia da teoria dos fractais, quando Buda falou aos seus disc&iacute;pulos, n&atilde;o conhecia Mandelbrot, contudo, todos eles se juntam numa esp&eacute;cie, ironia ou n&atilde;o, de <span style="text-decoration: underline;">repeti&ccedil;&atilde;o</span> inevit&aacute;vel.</p>
<p>Nossos pensamentos s&atilde;o repetitivos, nossas a&ccedil;&otilde;es tendem &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o, e se existe uma vida ap&oacute;s a morte, n&atilde;o tenderia ela tamb&eacute;m a essa repeti&ccedil;&atilde;o agonizante? Como <a title="Prometeu - Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Prometeu" target="_blank">Prometeu</a>, que tinha seu f&iacute;gado comido todos os dias como castigo de Zeus.</p>
<p>Se fosse poss&iacute;vel modelar uma fun&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica da nossa vida, atrav&eacute;s desses m&eacute;todos iterativos que s&oacute; softwares bem poderosos podem nos fornecer &#8211; num aspecto geral, considerando pensamentos, a&ccedil;&otilde;es, emo&ccedil;&otilde;es, sensa&ccedil;&otilde;es, e todo o conjunto humano &#8211; que forma ser&aacute; que teria esse fractal? Ser&aacute; que Nietzsche usaria isso para afirmar sua filosofia?</p>
<p>Bom, se Nietzsche n&atilde;o pode defender isso, eu digo aqui, como um bom e afobado emissor de pitacos: fractais s&atilde;o a modelagem matem&aacute;tica n&atilde;o s&oacute; dos gr&aacute;ficos infinitos pra n&oacute;s mas tamb&eacute;m da alma do homem.</p>
<p>E como dizem que o Einstein disse, “deus n&atilde;o joga dados com o universo”, eu diria mais: n&atilde;o joga dados, mas faz c&aacute;lculo, e manja muito.</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://descompassado.com/fractais-e-o-mundo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

