Posts tagged tristeza

Um cometa canta

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É como ter no peito uma tempestade se formando

E um raio distante brilha e ecoa nesse deserto

Tão incerto de onde atingirá, se longe ou perto

Deixando a agonia de guardá-lo apodrecendo

Como se cada fibra ululasse e pulasse

Em desesperados espasmos incontidos

E enchesse o pulmão de sustenidos

Para que em fermata os bradasse

É de ter os olhos opacos e a boca sedenta

E ter o grito mais forte que uma supernova

Eu falo do falo da exasperação dessa cova

Cantada em melodia tão triste e lenta

1, 2 e 3 numa noite

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1

Eu tenho tanta vida que tudo ficou pesado

Sem ser como o resto dos mortos que pensam que vivem mas boiam

Eu afundei, na mais profunda correnteza do oceano

Por ter tanta vida e ter ficado pesado, afundei

2

Não sei mais bem o que é

confundo o cansaço com a tristeza

pode ser um, pode ser outro

pode ser ambos

já nem percebo mais os limites entre sono e vigília

é tudo um constante caminhar frio e cego

e eu continuo confuso: cansaço ou tristeza?

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Vem um verão mais gelado

não sei bem se é lá fora, penso que não

trago no peito o inverno tardio

que não termina há anos

às vezes ele traz vinhos

às vezes traz cigarros

noutras a aridez

vem um verão pra combater meu inverno

mas e se o verão for gelado?

A Fluoxetina matou a poesia

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                A fluoxetina terminou com o que seria a nova geração de poetas. Hoje ninguém mais pode se sentir triste, porque a tristeza é errada, é medonha, é ruim. Se assim o fosse, de fato, teríamos que banir Byron, Florbela, Augusto dos Anjos, Álvares de Azevedo.

                A tristeza, os tempos difíceis, as melancolias, são os responsáveis pela maior parte do crescimento espiritual de um ser, aqueles que nunca se sentiram frágeis e impotentes, que nunca se perceberam inaptos à felicidade dos homens, esses nunca terão qualquer tipo de coroa, poderão sentar num trono mas sem reinar.

                Nietzsche corria por essa idéia, de que a infelicidade traz conhecimento e crescimento interno, Hermann Hesse, seguia pela mesma senda.

                Quando vejo essa mania de tomar remédio pra tudo, de curar a depressão com 6 miligramas, de afastar qualquer conflito interno com pílulas, penso que não teremos mais grandes poetas no estilo do romantismo da segunda geração, por exemplo.

                É imponente a obrigação de ser feliz, de ser social, de ser comum. Eu cuspo nesses hábitos ridículos da mesmice e da formatação psíquica.

                No livro Admirável Mundo Novo, do Huxley, todos problemas são curados com algumas gramas do “soma”, não vejo dissociação disso com o que ocorre hoje, exceto pela eficiência da droga do livro, que parecia ser muito melhor. Contudo, estamos nos tornando robôs, completamente programados e subjugados.

                Eu quero ver o que vai ser da poesia nesse mundo neurótico e cheio de fluoxetina e afins.

Yngwie Malmsteen – I`d Die Without you

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Acordei me sentindo inconscientemente nostálgico?

- Titião, como assim “inconscientemente” nostálgico?

Não sei explicar, não sei mesmo, talvez tenha sonhado com alguma coisa que me fez acordar assim. Ah, como um sonho pode afetar nossa alma, abalar nosso espírito, mexer com coisas que estão esquecidas dentro de nossos corações.

Essa sensação de pretérito não me durou muito, pois logo comecei a me ocupar de outras coisas. No entanto, depois, baixei um CD do Yngwie Malmsteen para ouvir a música I`d die without you. Aí sim pude estar nostálgico de verdade.

Uma parte da letra diz o seguinte: things have gone wrong, my love (as coisas deram errado, meu amor). Uma frase pequena, porém, forte, me lembra uma do Herbert Vianna (Há um segundo tudo estava em paz). Voltando ao Yngwie: essa música marcou um ano da minha vida em que eu vivi completamente fora de mim, fazia cada pequena coisa pensando em outra pessoa, nunca em mim, talvez por isso o rumo tenha sido contrário ao planejado.

Lembro de um dia em que acordei, liguei o rádio para ouvir algo que precisava, meu pai estava ao meu lado. Lembro de não ouvir o que gostaria, meu pai disse que estava tudo bem, que fazia parte, eu me fiz resignado, disse que estava tudo bem, que fazia parte. Então, virei e disse que iria voltar a dormir, ele fechou a porta do quarto e eu fechei os olhos para suportar o aperto no peito, o nó na garganta e todas aquelas sensações de angústia e tristeza. Eu pensava naquele instante que tinha perdido uma luta em que eu tinha investido toda minha alma, eu simplesmente havia caído de muito alto, precisava me reconstruir sem saber por onde começar nem para onde ir. A única corda que eu pude me equilibrar foi a família.

Things have gone wrong, my love. Essa frase eu poderia repetir por anos e anos na minha vida, sem superar aquela batalha trágica que marcou o ocaso de um ser que eu esqueci. Fui me reconstruindo aos poucos, continuo fazendo isso, mas hey, ao contrário da música, eu não morri sem ela. Ou morri? O outro morreu, eu sei.

A lembrança pode nos ser perigosa, e é melhor exorcizá-la enquanto há tempo.

Boa noite.

cansando

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Tá, e não se pode mais fumar em alguns lugares.
E não se deve exercitar-se ao ar livre nem permanecer em ambientes fechados.
Não se deve tomar muito café nem comer frituras.
E não podemos rir alto que é falta de educação.
Apelidar pode ser interpretado como racismo ou preconceito.
Se cansado, então é tristeza.
Se triste, então é depressão.
E não se pode mais ser gordo em paz.
Para tudo tem um remédio: rivotril, paroxetina, sibutramina, ritalina, etc.
Tem um que entra numa academia e mata quem está pela frente e depois se mata; tem outro que faz o mesmo numa escola, outro ainda no cinema.
Mais calvo e mais branco, tem outro que rouba e desvia milhões e milhões, e ainda tem cargo no senado nacional.
Ai que isso tudo me cansa.

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