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Sopro de voz

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De ser infinitamente calado

Abriam-se as flores a ele

Afim de saberem do que se trata, ou se tratava

Aquelas perguntas, tantas, tão constantes e opacas

Tão fundas e obscuras

Fossem as perguntas ou as respostas

De ser infinitamente impreciso em sua mira

Mirava por todos os lados quando perguntava

E acusava qualquer vento de trazer uma resposta diferente

E brincava com mil miscelâneas místicas

Jogava com gestos, com jovens, com jeitos difusos

Confusos

Opacos como as perguntas

Flores que mostram sua cor e seu cheiros

Que queriam ouvir a voz daquele que calava

Elas traziam a única luz que alimentava esse silêncio

A única voz que falava facilmente ao que não fala

Abriam-se elas em meados de noites frias

E o vento sempre trazia um cheiro de infinito

E o céu era, igualmente, infinitamente calado

- Por que brilham essas estrelas tão orgulhosas suspensas num céu negro?

- Por que brilham enquanto o vento quente traz temporal?

- Por que brilham e se calam?

- Por que me pergunto?

E o céu era infinitamente calado

E abriam-se as flores como um jardim confuso e perdido

Entre o Éden e o Hades

Entre Vinícius e Azevedo

Entre Neruda e Poe

Era suspensão

Jardins suspensos, ironicamente, como uma tela de um artista barroco

Que demora por se decidir entre o vai e o vem

Entre o silêncio e a música

Entre as flores e as estrelas

Entre abrir-se ou ficar calado

Ficar calado

Apenas calado

- Silêncio

Silencio

Hoje eu ouvi a voz Dela

E ela suspirou seu nome em silêncio

Calada.

Um cometa canta

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É como ter no peito uma tempestade se formando

E um raio distante brilha e ecoa nesse deserto

Tão incerto de onde atingirá, se longe ou perto

Deixando a agonia de guardá-lo apodrecendo

Como se cada fibra ululasse e pulasse

Em desesperados espasmos incontidos

E enchesse o pulmão de sustenidos

Para que em fermata os bradasse

É de ter os olhos opacos e a boca sedenta

E ter o grito mais forte que uma supernova

Eu falo do falo da exasperação dessa cova

Cantada em melodia tão triste e lenta

Novavidanova

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Minhas folhas secas eu as deixo cair,

nesse momento nada deve pesar.

Desfaço os nós e solto as raízes

para que tudo seja levado pelo vento.

Sinto o cheiro de um outono tardio,

por isso balanço os galhos e solto as folhas,

não devo alimentar o passado que secou.

Que o solo possa me nutrir com a seiva

e as folhas novas surjam verdes e fortes,

que quem assim passar por mim

sinta a vida nova que vai ter espaço.

E as raízes que aumentam terão o espaço que quiserem,

espalharão sua força como uma peste

e deixarão as cicatrizes no solo

para que entendam que é preciso ter cuidado

ao caminhar por esses lados.

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