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É Fantástico
3E quem duvida ainda do sensacionalismo de primeira do fantástico?
Belchior foi viajar, segundo ele, há quatro semanas no Uruguai, mas pra rede globo ele já estava desaparecido, merecendo uma séria investigação do seu paradeiro.
S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L-I-S-M-O!!!
Eu ainda me admiro quando me pego dando créditos pra esse programinha. Ainda bem que a cada dia que passa tenho menos paciência pra televisão.
Uma salva de palmas pra incrível produção desse programa, do faustão, do didi, do zorra total, etc. Desse monte de porcaria que empilham nas cabeças do povo: ficando buuuuuuuuurro!!!!!
Lei anti-fumo
2Sério, como assim proibir que se fume dentro de bares ou boates? O cheiro incomoda algumas pessoas, eu sei, mas tenho plena certeza que um bêbado chato incomoda várias vezes mais. Sério, proibir o cigarro em bares é eficaz para o Ministério da Saúde? Para mim não, eficaz seria proibir a fabricação dos cigarros, mas isso eu não quero.
Vi entrevistas nas ruas de São Paulo sobre a proibição do cigarro em bares e boates de São Paulo, as pessoas entrevistadas, sem exceção, ressaltaram unicamente o fato de que o cigarro tem um cheiro forte (fedido?) e isso incomoda. Nem uma rica alma lembrou-se de que o Ministério da Saúde busca uma diminuição nos gastos de tratamento de pessoas com problemas devido ao fumo passivo.
É óbvio que essa lei só será eficaz se forem fiscalizados os estabelecimentos, entretanto, devo dizer, temos um exemplo bem recente de lei que não deu certo. A tolerância zero do álcool ao volante existe ainda, mas aquele fervor do início já foi esquecido, a fiscalização foi deixada de lado quase totalmente, e as pessoas continuam dirigindo após beberem, estando ou não estando bêbadas. E isso não mata mais que fumar passivamente?
O mais ridículo foi um bar que apareceu na televisão onde foi pintada uma faixa amarela limitando onde se pode ou não fumar. Claro, uns trinta centímetros são o suficiente para impedir a fumaça do cigarro de chegar aos outros.
Pois então, se existem aqueles que estão incomodados com o cigarro nos bares e boates, eu levanto e digo que me sinto incomodade com os bêbados fiasquentos, com as pessoas grosseiras, com os músicos ruins, todas essas espécimes que se acham nas noites das cidades. Então, posso exigir que se proiba a bebida para que os bêbados não surjam nos incomodando, ou que seja proibida a entrada ou permanência de bêbados dentro dos estabelecimentos. Tenho ainda mais propriedade para pedir o veto das pessoas grosseiras nos bares e boates, aquelas que brigam, que empurram, que são intencionalmente mal-educadas e toda sorte desses descorteses que têm hábitos noturnos.
Um parágrafo especial para manifestar meu desejo de proibir que músicos ruins toquem nos bares ou boates. Se uns se incomodam com o cigarro, eu me incomodo muito com músicos e músicas ruins. Penso que a música toca tão facilmente as emoções das pessoas que essas ofensas aos ouvidos possam causar tanto mal quant o fumo passivo. Posso até fazer uma advertência: O Ministério da Saúde adverte, músico ruim causa ansiedade, estresse e raiva.
Vamos proibir, vamos segregar, quem fuma vem aqui, quem bebe vai ali, quem é grosseiro vai pro galinheiro e músico ruim vai pra câmara de gás.
C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor
4Pois bem, o nome do filme é C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor. Há tempos eu via as chamadas nos intervalos do Telecine e ansiava por vê-lo, ontem dei sorte de ligar a televisão bem na hora que começava.
A história é de uma família comum, isso implica em problemas, vidas conturbadas, drogas, brigas, homossexualidade, bebedeiras e muita música boa. Zac, um dos filhos de um casal europeu bastante típico, é o protagonista, e possui 4 irmãos: o mais velho (creio eu), extremamente rock and roll, drogas, sexo (hetero), tatuagens e cigarro o tempo todo; um outro irmão, que não recordo o nome, estilo semi-nerd, inteligente, um promissor na arte almofadinha; o terceiro, um esportista, jogador de algum esporte, com tudo que tem direito o estereótipo; Zac, o sexualmente indefinido, oscilando entre homossexualidades e garotas (mas hetero do que homo), não tantas drogas quanto o irmão mais velho, um estilo meio poser, um fã de David Bowie, que mais tarde ganha a vida como discotecário; e, finalmente, o mais novo, gordinho, cabeludo, sem importância nisso tudo.
São vários os momentos interessantes do filme. A fotografia é ótima, mas melhor ainda é a trilha sonora, impecável. Quanta intensidade naqueles relacionamentos, e a fundamentação psicológica dos personagens, com suas impressões, idiossincrasias e nuances.
Fiquei extremamente tentado a dar detalhes, descrever minhas opiniões, mas não o farei. Veja o filme, só digo isso. O final nos reserva momentos de incrível emoção, coisas q Hollywood não faz por você, mas o cinema europeu faz. Uma lição de tolerância, de valores de uma família de verdade.
Valores? Sim, valores. Ser casto, asseado, branquinho e polido o tempo todo não é a essência. A humildade, o saber voltar atrás, o saber perdoar ofensas, saber que o sentimento de paternidade, maternidade, irmandade, qualquer relação desse tipo, está muito acima de efêmeras inconveniências.
Filmes inspiradores assim me deixam tão desinspirado.
cena iii
4Há um cheiro úmido no ar, há um peso tenso na atmosfera. Tudo está suspenso, tudo está parado, ao menos aqui dentro, nesta casa, nesta sala, neste corpo, nesta alma.
Bem ao fundo toca uma música, deve ser qualquer uma da moda, não as conheço mais. Provavelmente alguém já está se animando para encarar o sábado à noite, todos querem fazer festa, beber, conquistar garotas, mais uma noite de sexo sem outras expectativas. Essa música não chega a me irritar diretamente, mas o faz pelo meu inconsciente, mostra-me que não há grandes objetivos para essa corja que habita o planeta atualmente.
Não sou de vocês, sou das estrelas. Não sou das festas, sou dos ritos céticos de minha própria ironia.
A primeira vez que travei contato com uma garota eu enloqueci, e assim foi cada vez mais, tive inúmeras delas, inúmeras festas também. Não sei ao certo que dia me cansei, que dia acordei ao mundo, dilacerado em minhas próprias convicções. Não sei quando deixei de ser humano e virei… e virei isso.
A televisão está bem na minha frente. A luz fraca, de um amarelo pardo, entra pelas frestas das cortinas. Deve ser o pôr-do-sol. Que coisa sem graça, olhar um astro que só queima hidrogênio e nada mais. Não gosto dessa luz, ela me lembra coisas ruins. Essa luz débil reflete na televisão e me ofusca o lado direito do meu rosto que está refletido na tela desligada. Qual a idéia para ligar a televisão? Noticiários já não me interessam, seriados são tão pequenos de conteúdo e filmes me soam tão falsos. Não vou ligar a televisão, acredito que preferiria quebrá-la, mas um ataque de ira essas horas me parece mais ridículo. Como se qualquer coisa disso tudo ainda me importasse. Não quero os estilhaços como testemunhas, nem um demônio dessa minha consciência inscontante dominando minhas atitudes. Sou só eu, só células, só átomos, só um monte de nada despropositado, subjetivo.
Esse calor úmido, sei que tem chuva por vir, já ouço os trovões ao longe, sinto o tremer da terra. Que venha o temporal e me afaste essas idéias, só o vento me salva, só a chuva me acalma, só os raios me aquecem.
Minhas mãos estão secas, minha pele está seca, acho que estou desidratado, tenho tomado pouca água, tenho cuidado mal desse corpo. Já tenho algumas marcas de expressão, tenho olheiras, tenho olhos opacos e cabelos secos desgrenhados.
Há quanto tempo estou sentado aqui? Inclino-me para frente, com os cotovelos nos joelhos escoro o rosto com as mãos. Já está escuro lá fora, a luz de antes já não aparece mais na tela, nem meu reflexo se torna evidente. Sou um fantasma agora.
Definitivamente, sou uma criatura da noite, um noctívago como Macário, sou um personagem dum conto de Álvares de Azevedo, sou típico. Começo, agora que não há mais sol, a me sentir melhor. Já não lembro das ânsias pela morte, do nojo da diversão, do asco da sociedade.
Um raio rasga a escuridão, que vai se instalando, de forma bela, como um conto do Olimpo. Quase nada depois o som do trovão ressoa em meus ouvidos. Que conforto isso me traz. Consigo relaxar os ombros, respirar fundo e me escorar para trás.
Hoje foi por pouco.
Venha chuva.
Quando era pequeno morava no campo. Quando via apenas o tempo úmido e com sol me sentia mal, havia um desconforto em mim, alguma doença respiratória. Não conseguia enxergar a tempestade que viria depois.
Quando era criança, em dias de vento e chuva, raios e trovões, minha mão costumava me colocar sentado ao lado do fogão a lenha, junto com meus irmãos, e fazia bolachas e pães para nós. Passávamos a tarde comendo coisas boas e brincando em volta dela enquanto nosso pai não chegava, com ele em casa tudo mudava. A chuva me faz sentir bem.
e agora?
3Queria poder gravar todas as coisas lindas que escuto na televisão (leia-se rede globo), são tantas maravilhas que me surpreendem diariamente que fico assim, sem palavras.
Hoje, porém, não resisti, precisei vir aqui registrar. Foram tantos elos de ligação, tantas surpresas inesperadas, tantas entradas para dentro que hoje, ao ouvir um jornalista comentando sobre a reportagem nas palavras “caminhamos a pé”, senti-me saturado desse jornalismo sério e congruente.
Falarmos errado em conversas informais, tudo bem; errarmos em textos sem muita projeção, aceitável. Enfim, há uma série de erros permissíveis, mas todos os dias uma infinidade de bobagens sendo disparadas por uma das principais redes de televisão nacional se torna uma ofensa. Não há como, desta forma, exigir do povo que fale corretamente seu idioma, sedo que diariamente ouvem que ganharam de graça na promoção.
É indispensável o uso correto do português nos meios de comunicação, ao menos.
Acho que vou lançar uma campanha para esse bom uso lingüístico, vamos encarar de frente esse problema que atinge uma multidão de pessoas.
Apoiado?

