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Parte Sexta

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                Era um olhar intenso, porém, desprovido de qualquer intenção perceptível, era frio e intrigante. Suas sobrancelhas arqueadas deixavam seus olhos ainda mais vivos, parecia uma mulher que beirava os quarenta anos, conservava em si uma beleza madura, mas era estranha.

                Algo me atraía naquela mulher, não era propriamente a beleza dela, pois que ela não era, de fato, linda, mas tinha uma sexualidade que a denunciava como um halo sobre sua cabeça. Minha atenção era para sua expressão, que denunciava um segredo querendo ser contado, um mistério pedindo para ser revelado. Nessa atração incoerente eu me vi perdido. A Bê me olhou, pois havia diminuído o passo.

                – Vou ali falar com aquela mulher. Eu disse a ela.

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therapeople

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Neste inverno, as tendências são: piadinhas de ironia popular, tão infrutíferas e sem sentido quanto a acomodação interpessoal de escolhas musicais, vestuárias, intelectuais e (oh! Que surpresa) desanimo anímico.
Vejo uma onda crescente do “cool”, descolado, desleixado, tudo isso tendendo a uma preocupação excessiva e excessivamente destoante da preleção inicial do estilo adotado. Pois bem, sinto-me cansado e com asco desse maneirismo.
Cresce, também, o gostinho pelo rockzinho iêiêiê, o orgulho de dizer “oi, sou retrô e escuto rock com quatro acordes”. Os Beatles estão voltando na pele de cordeirinhos copiões chamados The Kooks, The Kinks ou The qualquercoisaassim; Dylan na mão de outros pretensiosos Vanguart, Mallu Magalhães e outros jovens músicos ainda muito crus. Pois posso até comparar essa tendência às músicas fracas e simples com o Anticristo de Nietzsche, é como idolatrar o fraco, o não virtuoso, somente para aliviar a culpa de sermos tão pequenos e nos conformarmos com essa posição de músicos desajeitados. Ainda que eu tenha uma simpatia pelo Camelo pelo Los Hermanos, seu álbum solo me soou bastante necromante, ressucitando o que havia de mais simples na MPB há anos atrás.
Essas tendências nunca vêm sozinhas. O gênero das novas piadinhas despretensiosas, acusando o indivíduo de um auto-elogio ao se pensar tão inteligente e sarcástico de poder ter inventado tal jocosidade. As anedotas estão ficando cada vez mais rasas e inúteis, nada surpreendente para o nonsense tão em voga. Existem os que pensam que esse nonsense é pura arte moderna, a expressão do self, como um “limpar a chaminé” primitivo.
Contudo, o asco maior vai aos resultados dessa embromação psico-moderna: a falta de ânimo no espírito. Perdidos nas redes de como parecer ser não sendo nem o pretendido – é assim mesmo, um vai e não vai concomitante, talvez até o duplipensar do G. Orwell aqui cairia bem – o pessoalzinho vai perdendo a fibra, a força e a coragem. Eis o ócio no seu sentido mais vão, a preguiça mais inexorável e a desatenção mais perigosa.
Por conseguinte, só posso ver um resultado disso tudo: marasmo. Ficar estagnado, assistindo aos diversos papéis sem escolher um, fingindo ser protagonista quando nem figurante se é. A platéia bate palmas enquanto escapam de sua vida interna, secando cada vez mais.

porque adoro postar toda porcaria que escrevo

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São momentos assim, quando mais se quer escrever, que nenhuma palavra parece conexa, nenhuma se concatena, nada se liga e o sentido se perde em pensamentos tortos, tétricos, embaçados.
Sei, também, que se procurar alguma música, algum poema, qualquer coisa já pronta pra traduzir essa intensa insensatez adjunta aos meus pensamentos, não acharei nada que me satisfaça. Nada dirá o que quero dizer, se é que algo precisa ser dito.
A solidão é sermos mil em um só, e ninguém é igual a ninguém, mesmo tendo mil dentro de si. Quando nos juntamos, do próton ao elétron, da célula ao corpo, quando nos fizemos animais, vestimos máscaras desconhecidas, como se fôssemos atores da várias peças e o autor não nos contou ainda o final. Ele pede que improvisemos, mas nos perdemos entre tantos papéis interpretados ao mesmo tempo.
Mesmo assim, não gostaria de saber do final antes, não quereria estragar a surpresa que nos foi preparada, ainda que a surpresa seja não haver surpresa alguma. O desejo de acreditar em algo, o próprio acreditar, não em um deus, não em um destino, mas num sentido, numa direção.
Não quero saber de nenhum final, meu caro autor, só gostaria que me retirasses um momento do palco para tomarmos um café juntos, talvez uma cerveja. É, por que não uma cerveja?

e agora?

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Queria poder gravar todas as coisas lindas que escuto na televisão (leia-se rede globo), são tantas maravilhas que me surpreendem diariamente que fico assim, sem palavras.
Hoje, porém, não resisti, precisei vir aqui registrar. Foram tantos elos de ligação, tantas surpresas inesperadas, tantas entradas para dentro que hoje, ao ouvir um jornalista comentando sobre a reportagem nas palavras “caminhamos a pé”, senti-me saturado desse jornalismo sério e congruente.
Falarmos errado em conversas informais, tudo bem; errarmos em textos sem muita projeção, aceitável. Enfim, há uma série de erros permissíveis, mas todos os dias uma infinidade de bobagens sendo disparadas por uma das principais redes de televisão nacional se torna uma ofensa. Não há como, desta forma, exigir do povo que fale corretamente seu idioma, sedo que diariamente ouvem que ganharam de graça na promoção.
É indispensável o uso correto do português nos meios de comunicação, ao menos.
Acho que vou lançar uma campanha para esse bom uso lingüístico, vamos encarar de frente esse problema que atinge uma multidão de pessoas.
Apoiado?

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