Ele havia encostado o revólver sob seu queixo. Ele pensou em como era engraçada a sensação do aço gelado encostando sua pele, era como se experimentasse o tato através de outra pessoa, não sentia, de verdade, que era ele quem segurava o peso daquela arma, escura, carregada de pólvora e chumbo e de medo e angústia.

Não tremia, um segundo do frio na sua pele parecia representar anos e anos de vida marcada pela falta de presença de si em si, sempre como se assistisse um teatro, em fato, a vida acabava lhe parecendo uma enorme galeria de personagens, e ele era livre para pegar e largar o papel que quisesse a hora que bem entendesse, era assim que se relacionava com os outros, com o mundo, mas não consigo.

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