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Alva
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Tinha os olhos miúdos, pequenos e belos, duas esferas negras contrastando, monocromaticamente, com aquela pele tão alva. As bochechas levemente rosadas revelavam, ao se moverem, um sorriso encantador, era ali que aqueles olhos se fechavam ainda mais, apenas uma leve luz escapava daquela gravitação que atraía.
A primeira vez que abriu a boca para lhe falar qualquer coisa, ele ouviu aquela voz suave, com um rouco, como se arrastasse uma garrafa de malbec por sobre a mesa, estendendo-lhe uma taça. Qualquer coisa, não lembrava o que ela havia lhe dito, ao certo, fora algo com muita timidez, demasiadamente sucinta, a garota dos olhos pequenos.
A noite e a náusea
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Quando ele saiu da cama e começou a colocar a cueca ela já se sentia suja. Olhava para aquele corpo de cheiro forte que se levantara e agora vestia a calça, olhando para ela de maneira satisfeita, com um sorriso no canto da boca; aqueles olhos denotando uma malícia que ela achava hilariamente repugnante, como um cachorro mordendo seu osso, tudo tão ralo e superficial, só instinto e ignorância.
Ele sentou-se ao lado dela e, antes de se curvar para colocar as meias e os tênis, fez um carinho em seus cabelos. Ela retribuiu com um sorriso, uma atriz perfeita, escondia com maestria a ânsia de se ver sozinha, livre daquela presença masculina, fingiu querer que ele ficasse, mas cuidando para ser defensiva, de forma que ele não aceitasse a pequena oferta.
A Nova Sexualidade
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Não sei não, acho que não fico mais surpreso com a forma precoce com que o sexo acontece na vida dos adolescentes, ou, devo dizer, crianças.
Esse comportamento não é nada senão o produto do que os adultos, tão estranhamento ligados em suas vaidades, impõem, como diria o Humberto Gessinger, “na mídia, na moda, nas farmácias”.
O declínio do Ponto G
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A doutora Andréa Burri acaba de levantar a mão contra o falecido doutor Grafenberg ao dizer, através de sua tese e pesquisa, obviamente, que o famosíssimo (quase tão famoso quanto os Beatles e certamente mais famoso que deus) Ponto G não existe. (Non Ecziste, como diria o grande Pe. Quevedo, aliás, falando em padre… deixa pra outra hora).
Pois é, a pesquisadora do centro de estudos King`s College, especializada em sexo (sexologia, seu pervertido), afirmou que o Ponto G inexiste, para ser mais exato, usarei as palavras da própria Andréa para o jornal da BBC: “It is rather irresponsible to claim the existence of an entity that has never been proven and pressurise women and men too.” – Tradução tosca: ‘é um tanto irresponsável afirmar a existência de algo que nunca foi provado e também pressionar homens e mulheres’.
Da tua visita
5Tá bom, chega de férias de mim mesmo. Natal passou, ano novo também e meu cérebro foi sendo engolido pelo senso comum. Preciso me recuperar até o próximo equinócio. Amém. Pois falando em amém…
O que realmente vale a pena é quando a tenho nos meus braços, quando ela agarra meu pescoço e me beija com tanta força que chega a doer, mas depois passa, e é só o gosto doce do sangue que eu sinto, o meu e o dela. O que faz tudo melhor é quando a vejo, quando ela me aperta contra seus seios mornos e suas coxas quentes e seu sexo molhado. É quando ela geme bem no meu ouvido e me faz esquecer dos últimos anos de mulheres frígidas e problemáticas. Gosto mesmo quando ela pula em cima de mim, e eu entro e saio do seu corpo quente e molhado; ou gosto mais quando puxo os seus cabelos e ela me olha de canto dum jeito que só pode significar: mais forte. E eu faço tudo cada vez mais forte até ela pedir pra parar. Então eu não paro, apenas vou mais devagar. Quando esqueço que dei tantos beijos sem gosto, que provei tantos corpos insossos e tantos sexos sensabores, quando esqueço disso é porque estou com ela, que me agarra com tanta força que sei que as marcas ficarão por mais do que apenas um dia. O seu perfume é o que deveria ser o cheiro dos campos Elíseos, e isso já me deixa com tesão, porque cada célula do meu corpo entende que, ao sentir esse aroma, é sinal de que a vida volta, a eletricidade corre, o sangue esquenta e circula como se não houvesse amanhã. O cheiro. Eu faria uma missa ao perfume dela. Do que há nesses encontros, nada pode ser dito, senão que apenas aquilo é vida, todo o resto é interlúdio.