Posts tagged sensações

pobre Werther

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Essa semana li Os Sofrimentos do Jovem Werther, do Goethe, escritor alemão. O livro, escrito na forma de cartas que o próprio Werther redige na maior parte, deixando (um pouco) esse formato perto do final, quando mais detalhes acerca da psique do personagem são necessários, conta a história do nosso Jovem, um rapaz destoante dos costumes da época, da aristocracia, do hábito e das burocracias.
Werther estava em conflitos com a sociedade em que vivia, e resolve morar numa cidade longe de sua família e conhecidos para se dedicar à pintura, o que não acontece. O que, de fato, sucede-se é de o jovem se apaixonar por Carlota, uma bela rapariga que perdeu sua mãe há algum tempo e, desde então, tomara o papel de cuidar da casa e de seus irmãos para si. Claro que todo conteúdo sobre Carlota nos é fornecido pelo próprio Werther, que, (repito) apaixonado, não hesita em enaltecer a angelicalidade da moça.
Sabe-se desde o início que Carlota é noiva, e mais tarde o próprio Werther conhece o noivo, Alberto, por quem nutre uma amizade quase tão grande quanto a que tem para com Carlota, e mesmo amanda descomedidamente essa mulher, ele acompanha o casal em inúmeros passeios, conversas e refeições. Ah, pobre Werther, suportar tantas provações contra seu amor. Com o realismo, é óbvio que Carlota se casa com Alberto, e, aos poucos, Werther vai sendo afastado do casal, seu comportamento se torna mais arredio, tempestuoso.
Juntemos, agora, os fatos: longe da família, sem conseguir produzir o ofício ao qual deveria se dedicar, revoltado para com os prceitos sociais da época e, acima de tudo, seu amor rejeitado, de certa forma, por Carlota. O final é óbvio, e se pra você, meu não tão bom entendedor, isso não foi o suficiente, aconselho que leia o livro.
Tanto fogo e inconstância na alma de Werther podem ser, facilmente, trazidos por identificação a nós mesmos. O jovem vai se metendo cada vez mais por uma caminho negro e sem volta. Ouvi dizer, ou li, que o livro havia sido proibido por alguns anos quando foi editado, pois o fizeram bem, o leitor mais desavisado pode, facilmente, ser guiado como aqueles primeiros leitores dos finais do século XVIII, terminando como um peru.
Em minhas leituras tenho notado uma grande divisa no intimismo e profundidade psíquica e filosófica dos livros pré e pós Nietzsche. Explico: antes, tratava-se mais de paisagens, ambientes, cores e afins; depois, de pensamentos, causas, sensações, emoções, etc. Os Sofrimento do Jovem Werther, no entanto, fogem ao padrão do que li até hoje da época, e, por que não, até mesmo do próprio Goethe, pois, ainda que subjetivamente, traz uma enorme carga emocional.
Havia lido esse livro quando era adolescente, achei certo relê-lo, aproveitar melhor com o que conheço hoje, e jurei para mim nunca mais pensar em lê-lo outra vez. É perigoso. Portanto, meu caro leitor, sinceramente, se não se sente muito alegre, nem comece a leitura, não quero perder um dos poucos que me visitam.

sem razão interferindo

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E dos teus olhos eu guardei o suficiente
Para perder o sono durante a noite
E desatentar na vigília durante o dia
Guardei-te em mim, e meu olhar agora vai ao nada
Mas meu pensamento se fixa em tua boca
E teima em não distrair, e insiste em não sair de ti
Daquela noite me sobrou sensações sem toques
E olhares sem um fim em si
E minha mão vazia guardando teu sabor
E eu, num lapso de sentidos, sou somente sentimento
Pura angústia, pois não os vejo em ti
E volto ao que me sobrou daquela noite
Olhos assim, dos quais eu não ousaria desviar os meus

sonho aproximado

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Entre todas, as melhores maneiras que existiram foram aquelas apenas imaginadas. Imaginei em noites, em tardes, até em manhãs de sábado. Imaginei no inverno, verão, chuva, sol. Sempre era melhor no sonho do que na realidade.
Os gostos eram mais coloridos, os cheiros eram mais fortes. Percebi que era uma criança quando retornei de um dos desvarios. Quanta imaginação presa numa corrente de incertezas e inseguranças! Sob uma lua gelada a maré dos pensamentos inundava minha praia de águas doces, mas eu, tão denso, tão compacto, me fechei à umidade e permaneci seco por dentro, e o sol, no outro dia, me esquentava mais e mais.
Eu imaginei na praia também, mas não foi tão bonito, talvez por ser, dentre as opções delirantes, uma das mais comuns. Mas numa outra delas eu lembro que tu aparecias – não sei de onde ainda, não estava decidido quando minha cabeça gerou isso – sob a noite mais estrelada que eu já tinha visto, com a lua bem no horizonte, gigante e amarela, eu podia sentir o cheiro do luar, ou então era o teu. Eu não falei sobre estrelas, sobre sírius, sobre vênus; nem tu me falaste sobre a lua, sobre a brisa muito gelada que empurrava teu cachecol pro noroeste e a minha boca pra tua. Não falamos sobre coisa alguma, estávamos mudos e, assim, coesos.
Chegamos ao beijo, e pelo calor das nossas bocas deixamos de lembrar do frio, apesar do vento continuar leve e gelado, e nossa saliva era mel, era romã, era vinho, e cada vez que nos beijávamos crescíamos em intensidade e calor. E as roupas foram sendo tiradas. Lembro dos teus olhos expressando inocência que, mesmo no sonho, eu sabia ser apenas um charme, um engodo pra minha libido, mas era exatamente o nosso combinado, cada ato como se fôssemos dois virgens descobrindo o sexo, ou o amor. De repente estávamos sobre uma cama, a mais confortável, e, mesmo ao ar livre, naquele espaço não havia frio e nem vento mais, só os percebíamos pelo movimento e barulho das copas das árvores.
Tu já estavas apenas com as roupas de baixo, e estas também não sei dizer cor, mas sei da tua pele, alva, suave, com um perfume que só poderia ter vindo da Grécia, dado pelas próprias mãos de Afrodite, como se a própria tivesse te perfumado e te encantado para aquela noite. Então tirei toda tua roupa, e o maravilhoso cheiro se ergueu, e minha embriaguez era mais confortável que a resultada de um vinho.
Pus minhas mãos entre tuas coxas e senti o calor do teu corpo mais intenso, e teus suspiros me excitavam ainda mais. Já estávamos em transe, antes mesmo de iniciar qualquer penetração. Foi então, quando meu primeiro dedo tocou teu clitóris já úmido, e depois foi mais adentro, que teus suspiros se transformaram em gemidos e, nessa progressão, com a continuidade do ato e a penetração, transformaram-se, também, em gritos, e era como se ecoassem por aquela paisagem noturna vibrando o som do universo inteiro em harmonia. Melodia tão bela eu nunca mais escutei.
Após ser penetrada, tu te transformaste num misto de virgem Maria e Babalon, sentias prazer como uma garota mas o aproveitava como uma mulher. E assim suamos, e assim gozamos, tu uma, duas, três vezes. E mesmo o fim foi preenchido de um sentimento de potestade, como se fôssemos senhores do mundo.
Dos sonhos que tenho, as cores, os cheiros, os gostos não se esmorecem, ficam, pois, impertinentes em minha memória, lembrando que uma alucinação também traz sensações desconhecidas. E me pergunto, então, se te conheço.

dorme

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Angústia, eis que estás aqui, diante de mim
Bem como lembrava de ti
Quieta, cálida, fria…
A ausência tua fez-me falso
Em ti eu vivo
Eu vivo?
Fazia-me falta teu abraço
Abarcando-me em sensações
Tépidas e gélidas
Ai, que falta me fazias
Respiro, hoje, teu ar ardente

Mata-me em silêncio para que não vejam

deixe aqui seu título, se lembrar

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“Abençoados os que esquecem, pois aproveitam até mesmo seus equívocos.” Nietzsche

Precisa-se de comentários? Sei que tinha pensado em algo, mas esqueci.
Assim tem sido ultimamente, esqueço tão rápido que to começando a adotar um caderninho de anotações e até mesmo este pútrido blog, além de um frágil, superficial e estúpido diário, só pra lembrar do que, provavelmente, deveria esquecer.
Não é ato falho, não condeno nada do que penso ou faço. É falta de atenção mesmo, displicência com minha mente, ou excesso de álcool…alguma dessas coisas, não todas, senão…ahm, sei lá.
Enfim, quero esquecer todas lembranças ruins, cultivando apenas o que aprendi com o experimentado. Quero esquecer, por certo prisma, das lembranças agradáveis, pois suas constates re-ocorrências em minha mente, uma saudade inócua, causam-me o desespero da impotência diante do tempo, a não ser quando recorro as minhas teorias misturando Einstein, Física Quântica, Kepler, Magia e filosofia, não necessariamente nessa mesma ordem.
Sabe, apesar de tudo, considero-me abençoado, pois já não tenho muita noção do que escrevi acima, mas sei que minhas memórias causam sensações que permito que me causem…tão insensível esse idiota…deve esconder alguma coisa guardada no seu miocárdio. Mas deixa esquecer disso.
Ame a vida, ou seja ao menos apaixonado por ela: por enquanto é tudo que você tem.

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