Posts tagged saudade

doravante

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Poderia me brotar um entusiasmo,
Que seja de medo ou de desespero,
Mas espero que seja inteiro
E arranque esse marasmo.

Pois se, em mim, crescer vida,
Poderia deixar estas montanhas,
Ser feliz lá nas campanhas,
Da minha saudade adormecida.

Ah, eu mexeria meus dedos,
Minhas pernas, mãos e vontade,
Acordaria ao mundo, de verdade,
Olhar-me-iam, doravante, ledos.

Se me germinasse algum alento,
Cravar-me-ia em fértil chão,
Fazendo do meu ser, cada quinhão,
Astrológico e cartesiano contento.

mas esquece

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Disseste-me: é só dor
E uma ilusão suficientemente grande para me iluminar um sorriso
Ah, enquanto estava em teus braços, iludido em tua bênção, não havia dor
Eram-me os dias nuvens brancas, passando rápidas pelo céu
Mal terminava o dia e eu já te queria, não dormia, pois era só saudade
Respirava tua pele em todo lugar
E qualquer espaço era tua falta, uma saudade infinita, incessante, inquietante
E no reencontro, o júbilo máximo, era minha vida toda ali contida
Disseste a mim que era só dor, e hoje entendo
És dor.

poema duma manhã de sábado

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Traz-me, agora, a saudade,
Uma calma conformada,
Como uma velha sentada
Tricotando sua idade.

Ah, mas há beleza
Até nessa pálida dor,
Como uma murcha flor
Esvaindo-se, indefesa.

É, a calma duma manhã
Saudosista,
Por mim bem quista.

Estimo com certo afã
Essa contida
Felicidade escondida.

"trapped inside my embryonic cell"

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Fruto do descaso
De mim comigo mesmo,
Dum correr sempre à esmo,
Em constante atraso.

Cineticamente instável,
Transformei a velocidade
Em infeliz saudade
Do cárcere inviolável.

Assim, prendi-me de novo,
Nem queria pedir ajuda,
Minha vida estava muda:
- O paupérrimo estorvo.

deixe aqui seu título, se lembrar

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“Abençoados os que esquecem, pois aproveitam até mesmo seus equívocos.” Nietzsche

Precisa-se de comentários? Sei que tinha pensado em algo, mas esqueci.
Assim tem sido ultimamente, esqueço tão rápido que to começando a adotar um caderninho de anotações e até mesmo este pútrido blog, além de um frágil, superficial e estúpido diário, só pra lembrar do que, provavelmente, deveria esquecer.
Não é ato falho, não condeno nada do que penso ou faço. É falta de atenção mesmo, displicência com minha mente, ou excesso de álcool…alguma dessas coisas, não todas, senão…ahm, sei lá.
Enfim, quero esquecer todas lembranças ruins, cultivando apenas o que aprendi com o experimentado. Quero esquecer, por certo prisma, das lembranças agradáveis, pois suas constates re-ocorrências em minha mente, uma saudade inócua, causam-me o desespero da impotência diante do tempo, a não ser quando recorro as minhas teorias misturando Einstein, Física Quântica, Kepler, Magia e filosofia, não necessariamente nessa mesma ordem.
Sabe, apesar de tudo, considero-me abençoado, pois já não tenho muita noção do que escrevi acima, mas sei que minhas memórias causam sensações que permito que me causem…tão insensível esse idiota…deve esconder alguma coisa guardada no seu miocárdio. Mas deixa esquecer disso.
Ame a vida, ou seja ao menos apaixonado por ela: por enquanto é tudo que você tem.

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