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Inocência e liberdade (ou lentilha de ano novo)
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Hoje tive vontade de comer lentilha. Tá, e daí?
Não, não foi um desejo por lentilha assim, simples e despretensioso, foi um desejo impregnado de um saudosismo quase infundado. Eu tive vontade de comer lentilha de ano novo, porque ela representa na minha vida, depois de tantas repetições, um momento estranho com a minha família, um momento em que todos acabam sendo mais “flor da pele”, tiram um pouquinho o coração do peito e mostram que ele tem lágrimas escondidas, acumuladas, que ele é de manteiga e que tudo pode ser tão maravilhosamente triste, ainda assim, num paradoxo fabuloso, belo e alegre.
Abraços
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Ontem assisti alguma coisa na televisão que, pela primeira vez, me fez pensar a respeito do ato do abraço, do que ele representa pra uma pessoa em diferentes momentos de sua vida.
O abraço é uma expressão bastante popular, comum no dia-a-dia, por isso passa desapercebida, normalmente, sem que demos a devida atenção ao seu significado.
Poema de fermata
3Enterra de mim o que ainda há de vivo,
Enquanto enterro a mim em teu coração
E me lambuzo dessa oca comoção,
Qual pranto me seria tão incisivo.
Afogo-me em teu distante passado
Ter-te em mim
6Noites assim, em que sentir tua falta é a atração principal, e chorar é tão somente um passatempo, pra ver se passa o tempo eu acendo o cigarro, pra ver se passa o tempo eu risco o céu com um giz branco, pra ver se passa o tempo eu me afogo em minúcias de memórias. Será que foi tudo tão assim assim?
Nessas noites de poesia confusa, de prosa difusa, de confusão intensa, de confundir o preto com o branco e soltar a corda para cair no poço, eu canto em mi, canto em sol, faço todas as escalas pra ver onde mais te encontro. Não consigo nunca decidir qual teu tom, tua melodia parece tão completa, e do jeito que ela é só a mim toca os ouvidos, pois eu sei te ouvir com ouvido absoluto.
Deitei o violão no colo, eu não imito tua presença com a música, tu traz a música a minha presença. Traz de novo? Eu te ouviria do outro lado do oceano, mesmo no teu timbre mais suave, pois que cada passo teu é uma nota, e eu imagino essa música diariamente, como se tocasse minha pele cada vibração, cada onda mecânica desse som.
