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Beijo em lágrimas
3Nenhum beijo tem sabor igual ao do beijo dado com lágrimas, aquele beijo misturado ao pranto, ao choro emergido das vísceras, aquele que mostra a alma do seu jeito mais convulso.
Quando se beija entremeado de sentimentos aflorados, da dor mais viva, ou da esperança e alegria mais guardadas, traz-se ao mundo a maior parcela de humanidade que se pode manifestar em um ato que tem se transformado tão corriqueiro.
O que há de obscuro e secreto em nós é aquilo que nós, de fato, somos, nossa essência mais rústica, dura, pura e animalesca, e se é necessário que situações extremas sejam atingidas para que possamos nos manifestar é, realmente, uma pena.
O calor do beijo dado em meio às lágrimas, tendo surgido elas por razão qualquer, é um tépido compartilhamento de vida, de sensações e emoções, é uma entrega igualada em poucas situações – não está impregnada de excesso de sexo nem desprovida, uma vez que o sexo é, mesmo que queiramos e sejamos tentados a negar, uma das forças primevas de nosso âmago.
O beijo de algum tipo de dor é a contradição mais incrível que o ser humano pode conhecer, um ato de carinho para o que lhe machuca, é a maior aproximação daquilo que os cristãos chamam de amor de Cristo. Querer dar amor e prazer num ato de suprema entrega, ainda que isso custe uma parcela de dor sobre-humana, é a própria redenção ou rendição ao incompreensível, posto que emoções não me parecem entendidas, por completa, pela psicologia.
O gosto salgado das lágrimas misturado ao calor morno dos lábios num gesto de amor e passagem é a vida desabrochando, é um botão de flor se abrindo, um momento em que não se é nem broto nem flor, quando se é pré e pós, mas não se é nada. Entregar-se nesse símbolo dorido de vida é deixar a si mesmo, e perceber-se como liberdade.
A verdade no dia dos namorados
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Pois é, está chegando um fenômeno do comportamento humano traduzido em um dia tão singelo e opressor, quero dizer, capitalisticamente opressor: Dia dos Namorados.
Seria hipocrisia da minha parte dizer que desse dia só se traz o consumismo. Há, eu sei, casais que se regozijam com esse dias, se renovam, mesmo que apenas por alguns dias, esperando a próxima data para colocar mais fogo na lareira. Infelizmente, precisamos ser lembrados do quanto gostamos de certas pessoas, e, também, precisamos demonstrar isso… com presentes… caros.
Acho interessante como outros, os solteiros, dão tanto valor a esse dia, também. Fazem gato e sapato pra arranjar algo realmente intenso e envolvente no dito dia para que se não lhes bata uma espécie de tristeza, de solidão. É, temos medo de sentir solidão.
Com tudo isso, com tantos romances no cinema, nos livros e nas músicas, com tanta dor e amor rimados em poesias ralas, ou rimas mais ricas em poesias mais doridas, eu não acredito que possam afirmar que o romantismo está acabando.
As declarações, as paixões, os ímpetos de sentimentos avassaladores, impulsos irrefreáveis que trazem à tona tantas atitudes e palavras são imbuídos da mesma carga emocional que tinham nos tempos de Casablanca, de Michael Curtiz, ou, indo além, nos tempos de Byron.
Ah, mas a calhordagem dos homens… se me trouxerem à baila o papo de que o homem não presta hoje, não quer compromisso, não tem escrúpulos e é galinha, eu digo, então:
1 – A busca pelas aventuras amorosas dos homens de hoje são exatamente as mesmas desde que o mundo é mundo, apenas são mais descuidadas agora. O macho sempre possuiu esse modo “inquieto”, e não vou entrar no mérito dos porquês e poréns.
2 – Um fenômeno recente pode ser observado, as mulheres também entraram na onda dos vai-e-vem, da traição, no entanto, com uma habilidade inquestionável de esconder isso e permanecer resoluta em seus olhos de mentira. Sempre digo, quando uma mulher resolve trair um homem ela o fará e ele nunca ficará sabendo, mulheres têm talento pra dissimulação e isso é indiscutível.
Então, meus queridos amigos casados, feliz dia dos namorados. Não questionem muito, não investiguem, não compliquem, senão é capaz de surgirem coisas desnecessárias pro momento.
E aos solteiros, sem desespero, um trago faz bem, mas não vá exagerar pra não acordar no outro dia com um panda gordo.
Pense nisso.
