Minhas folhas secas eu as deixo cair,

nesse momento nada deve pesar.

Desfaço os nós e solto as raízes

para que tudo seja levado pelo vento.

Sinto o cheiro de um outono tardio,

por isso balanço os galhos e solto as folhas,

não devo alimentar o passado que secou.

Que o solo possa me nutrir com a seiva

e as folhas novas surjam verdes e fortes,

que quem assim passar por mim

sinta a vida nova que vai ter espaço.

E as raízes que aumentam terão o espaço que quiserem,

espalharão sua força como uma peste

e deixarão as cicatrizes no solo

para que entendam que é preciso ter cuidado

ao caminhar por esses lados.