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	<title>Descompassado &#187; realidade</title>
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		<title>Nuit Blanche &#8211; Sobre o amor</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 04:13:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
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<p><a href="http://vimeo.com/9078364">Nuit Blanche</a> from <a href="http://vimeo.com/user640261">Spy Films</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<p>____________________________________________________________</p>
<p>O cen&aacute;rio &eacute; cl&aacute;ssico, que isso possa ser entendido como sin&ocirc;nimo de t&iacute;pico – ou clich&ecirc;. Contudo, n&atilde;o &eacute; assim o tal do “amor”? As coisas s&atilde;o sempre iguais, as hist&oacute;rias n&atilde;o mudam, os personagens tem uma forma bastante limitada de participar dessa emo&ccedil;&atilde;o, desse sentimento, e a equa&ccedil;&atilde;o disso &eacute; complexa, por&eacute;m conhecida: umas rea&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas ali, outras f&iacute;sicas aqui, umas sinapses, uns olhares, umas conversas, sexo, ingredientes que fazem a paix&atilde;o que precede (ou sucede, ou orbita, ou sei l&aacute;) o amor.</p>
<p>Assisti a esse v&iacute;deo hoje &agrave; tarde e achei excelente.</p>
<p>N&atilde;o posso relevar a fotografia impressionantemente bem feita, bem calculada, e muitos outros bens por a&iacute;. As cores foram escolhidas com perfei&ccedil;&atilde;o, o tom escuro, a cor do vinho, os olhos, tudo, e gostaria muito de saber me expressar melhor sobre cinema para poder dar pitacos por aqui.</p>
<p>A primeira coisa que acontece &eacute; a troca de olhares, o momento em que as ondas e part&iacute;culas de luz cruzam esse espa&ccedil;o-tempo e conectam os dois estranhos se mostra insustent&aacute;vel e ed&ecirc;nico.</p>
<p>Logo ap&oacute;s o primeiro contato, aquilo que &eacute; pra ser uma coisa &iacute;gnea, o amor a primeira vista, o tempo p&aacute;ra, ou quase isso. Reparem que as pessoas come&ccedil;am a caminhar mais devagar, tudo fica mais devagar, e o tempo se dissocia do espa&ccedil;o e n&atilde;o mais anda, arrasta-se, como quem n&atilde;o quer perder o que est&aacute; prestes a presenciar.</p>
<p>N&atilde;o bastando o tempo se curvar nessa gravidade imensa que se criou entre os dois personagens, tudo afora o contato parece perder o sentido, e muito mais, perde tamb&eacute;m toda e qualquer for&ccedil;a. Mol&eacute;cula, &aacute;tomos, el&eacute;trons, m&eacute;sons, destituem-se de energia, decaem, cedem &agrave; for&ccedil;a que se criou entre o casal que submerge numa hiper-realidade.</p>
<p>&Eacute; assim no amor, n&atilde;o &eacute;? Tudo &eacute; poss&iacute;vel, as coisas que n&atilde;o est&atilde;o envolvidas na rela&ccedil;&atilde;o perdem valor, os obst&aacute;culos perdem a for&ccedil;a que antes tinham e n&atilde;o mais podem oferecer resist&ecirc;ncia ao agora inevit&aacute;vel. Um carro se dobra como uma &aacute;rvore nova, o vidro se quebra como um fin&iacute;ssimo cristal, a chuva n&atilde;o molha, o vento n&atilde;o resfria, e toda a f&iacute;sica, de Newton &agrave; Schroedinger, passa a necessitar de um novo entendimento.</p>
<p>A imagem da mulher, depois de estilha&ccedil;ar o vidro e indo encontrar o homem &eacute; perfeita, a fisionomia de pureza, a beleza imaculada comp&otilde;em o arqu&eacute;tipo desse ato, e isso na realidade &eacute; fato, n&atilde;o numa realidade absoluta, mas na mente do pr&oacute;prio homem: a amada &eacute; imaculada para ele.</p>
<p>Quando o casal constr&oacute;i para si uma realidade &uacute;nica e compartilhada, a&iacute; sim penso que se possa acreditar no relacionamento. Isso, obviamente, n&atilde;o &eacute; t&atilde;o po&eacute;tico quanto aparece no filme, nem t&atilde;o evidente, no entanto, o compartilhamento de emo&ccedil;&otilde;es, sensa&ccedil;&otilde;es e pensamentos n&atilde;o &eacute; exclusividade de um casal, isso acontece com multid&otilde;es.</p>
<p>Mas ao final, quando se descobre um devaneio, ainda h&aacute; a possibilidade de fazer acontecer, pois a imagina&ccedil;&atilde;o &eacute; assim, uma ponte ilimitada e cheia de ornamentos entre a realidade e o desejo.</p>

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