Posts tagged psicologia
Viscosidade da vida
4
Fluidos, de uma maneira geral, podem ser identificados como gases e líquidos, a maioria de vocês deve lembrar disso e de alguns conceitos que serão apresentados no texto, são conceitos introduzidos no ensino médio e, para alguns, complementados e aprofundados no ensino superior.
Pois bem, os fluidos têm uma propriedade chamada Viscosidade (dinâmica ou cinemática). Viscosidade pode ser facilmente visualizada quando citamos dois exemplos: água escorrendo e mel escorrendo. Qual o mais viscoso? Obviamente o mel, né?
O mel é, sim, mais viscoso, isso quer dizer que ele tem resistência interna para fluir maior que a da água. O atrito que existe dentro da estrutura do próprio fluido é determinante disso, ou seja, quanto maior o atrito interno maior a viscosidade do fluido.
Essa propriedade de viscosidade é influenciada pelas interações intermoleculares do fluido, e essas, por sua vez, são diretamente influenciadas pela temperatura. Fica mais fácil de entender usando exemplo: se você pegar o mesmo mel e aquecer, ele vai escorrer muito mais facilmente, ou seja, maior a temperatura menor a viscosidade.
Tá bom, Christian, vai ficar dando aulinha de fluidos agora? Não, calma aí que a viagem tá chegando.
Nossos pensamentos fluem, costumamos dizer, mas o que faz com que, de tempos em tempos, nos sintamos mais ou menos criativos? Mais ou menos inteligentes e atentos?
As ideias, por vezes, parecem escorrer amargamente devagar em nossa mente, parecem grudar em cada sinapse, em cada neurônio, e vão tão lentamente que ficamos inaptos ao desenvolvimento intelectual satisfatório (sim, tenho me sentido assim, por isso do texto).
Quando os pensamentos demoram a escoar por nosso sistema nervoso, ficamos apáticos cerebralmente, algo assim, não entendemos as coisas, nos faltam insights, nos falta luz nas ideias, clareza em tudo.
Seria, essa viscosidade, uma conseqüência de alguma frieza dentro de nós? Quero dizer, como se baixássemos a “temperatura” de algo dentro do nosso ser, e isso trouxesse o infeliz resultado da diminuição do rendimento intelectual?
Ou então, sendo mais atual, poderíamos traduzir os vários tipos e níveis de estresse como o “atrito interno” do nosso fluido de pensamentos, e assim, nossas ideias ficariam mais pegajosas, nojentas, pesadas et Cetera?
É fato, não se pode negar, o estresse (não aquele que chamam atualmente de “estresse saudável”) compromete nossas faculdades mentais, físicas e espirituais, tudo fica distante e barulhento, nos tornamos barulhentos e caóticos de dentro pra fora, ficamos viscosos.
Porém, o que fazer para consertar esse escoamento que traduz nossa vida?
É sabido que exercícios físicos têm a propriedade de esquentar nosso corpo, nossas relações e nossa saúde, melhora muito o rendimento em vários níveis, em vários aspectos. Mas vamos além disso: mudar, quebrar a rotina, rir mais, ler, estudar, trabalhar diferente, ou seja, se reinventar diariamente parece modificar essa estrutura “intermolecular”, facilitando o escoamento das ideias, melhorando a fluidez dos pensamentos.
Ai ai, esse texto foi fluindo tão bem que nem parece que tenho andado meio viscoso, como sempre, vai pro ar sem revisar, o escoamento não volta atrás, desculpem-me se fui ficando desconexo, mas sabem como é, a entropia vai acontecendo e…
E acho que isso fica pra outro dia.
Mas antes: como você tem andado, viscoso como o mel ou como a água?
A Matéria Escura e a Mente
3
Pronto pra mais uma viagem, peque gafanhoto? Então vamos lá.
Matéria escura é uma espécie de matéria que não emite luz, portanto, não pode ser observada pelos nossos olhos. Não sabemos a forma, mas podemos mensurar, mais ou menos, o tamanho de um “aglomerado” (?) de matéria escura através de cálculos super divertidos em que dados são retirados de observações da interação dessa matéria escura com a matéria “normal” ao seu redor, uma vez que influências são exercidas por aquela sobre esta, em seu campo gravitacional e energético.
Mas o que é a matéria escura? Não se sabe ao certo, uma vez que não pode ser observada, não se pode determinar com precisão do que é formada, apenas teorias vão sendo formuladas e as mais plausíveis vão sendo levadas adiante.
Tá, mas o que que tem a ver essa tal da matéria escura, Christian?
Bom, astrônomos dizem que a matéria escura forma cerca de 83% (sim, oitenta e três) do universo, isso, por si só, já é interessantíssimo, imagine, algo que não sabemos o que é formar quase a totalidade do universo.
Contudo, não é nos mistérios do universo que quero mergulhar; quero, na verdade, trazer isso para dentro, para o ser humano, para os mistérios da mente.
Muitas e muitas vezes nos pegamos dizendo e fazendo coisas estranhas a nós mesmos, pensando sem controle nenhum, e isso só aumenta à medida que o tempo passa e as devidas atitudes não são tomadas. Perder a atenção sobre o que se passa nas nossas mentes tem sido o mal da humanidade, quanto mais velhos mais desatentos aos processos internos vamos ficando, sejam eles mentais, sejam emocionais ou sejam sentimentais (a desatenção ao âmago é diretamente proporcional ao tempo de vida, não resisti à proposição).
Nossa vida interna é formada por coisas incríveis e desconhecidas, uma superfície muito sutil nos é possível conhecer naturalmente, e eu diria que é algo semelhante aos 17% de matéria visível (ou não-escura) do universo.
Pense na sua mente como um universo particular, cheio de planetas, estrelas, nebulosas, meteoros, etc. Cada coisa dessas representa um pensamento, uma emoção, e você pode fazer a atribuição que quiser a cada um deles, o fato é que muito ainda está lá sem ser conhecido, regiões ermas, distantes, que apenas um mergulho destemido e sem medo de perder o caminho de volta pode acabar iluminando.
Essas áreas tão recônditas são o inconsciente, ou o Self, algo muito interno, profundo e de difícil alcance até pro mais hábil psicanalista ou pro mais destemido e esforçado espiritualista, meditando com afinco.
E eu ainda espero uma conciliação das várias ciências (física, química, psicologia, etc.) com o mundo do espírito do homem, da alma, ou a mente, ou como resolver chamá-lo.
Da consciência
2Esse post foi feito no dia 08 de novembro de 2009, no entanto, esse tema me ocupa tanto espaço de tempo na minha vida e esse vídeo me impactou de uma certa forma que achei interessante e pertinente postá-lo novamente.
Porque viver e apenas passar vivendo, sem se questionar, sem se investigar de dentro pra fora, de fora pra dentro, pelo ocultismo, pela magia, pela filosofia, pela psicologia, pela física, etc, é inútil.
Segue o post do dia 11/08/09:
Primeiramente, se você não assistiu ao vídeo, assista antes de continuar lendo, sei que é compridinho, mas veja.
Desde que me conheço por gente, questões como o que somos, o que fazemos, por que isso e aquilo, e acredito que toda criança é assim, alguns crescem e deixam as perguntas para trás, vão se moldando mais práticos, objetivos, ainda que essa objetividade seja empregada em besteiras, enfim, não vem ao caso agora.
O interessante é que além das questões que fazia inconscientemente a mim mesmo, e hoje parece que eu era especialmente guiado a isso, existiam as sensações, semelhantes àquelas que Jill Bolte falou da “Terra da Alegria”, sentia-me conectado às coisas ao redor, às árvores, aos pássaros, a minha família, aos cheiros da comida da minha mãe, aos desenhos na televisão, ao vento, etc.; essa conexão não era um simples gostar e admirar, isso eu tenho muito claramente até hoje, mas era uma espécie de fusão, eu experimentava deixar o meu eu e era junto do objeto em questão (difícil de explicar).
Como podemos, então, ir largando aos poucos isso tudo e, além de perder essa habilidade, afogar as memórias de que fazíamos isso tão naturalmente quanto caminhávamos (ou só eu tinha essas sensações?)?
Não tenho propriedade nenhuma para falar de neuroanatomia, contudo, juntando tudo que já li e experimentei, pode-se entender porque a música e as artes em geral têm um importante papel em nossa vida, conectando nossos hemisférios. Viver em sociedade, atualmente, exige muita objetividade, praticidade, mecanicismo, e isso vai nos afastando do hemisfério que nos faz experimentar a sensação de unicidade com o mundo.
A questão que abordei dias atrás aqui sobre acordar as pessoas também pode ser inserida nesse contextos.
No entanto, temos as luzes apagadas, temos as cabecinhas programadas, e somos relapsos e displicentes, ignoramos.
Até hoje experimento a sensação de ser fluido, muito maior que o meu próprio corpo, me junto ao vento, à eletricidade de um dia de tempestade, às bolhas de ar que os pingos de chuva formam numa poça, ao barulho da chuva. Não quero falar de espiritualidade (ainda que me sinta atraído a isso), quero falar das impressões físicas, da validade disso tudo como realidade, de como isso que parece tão ínfimo é responsável pela formação mental e emocional, como as histórias pessoas vão se construindo dos miúdos dos dias, dos momentos, das sensações.
Há tanto para dizer e tanta falta de habilidade para isso. O texto foi confuso, e assim que eu queria que fosse. Não existem ideias organizadas no momento, só jogo informações. O estudo dirigido vem mais tarde.
Por enquanto, leia também o texto que me pôs em contato com o vídeo postado acima: http://somostodosum.ig.com.br/clube/c.asp?id=20085