Posts tagged problemas
O que somos no universo
2
Não recordo qual físico disse uma frase que, antes de eu a conhecer, eu já pensava nela: estudar o universo nos ensina humildade. Tá, não era bem assim a frase, mas o sentido é esse.
Há uns dias atrás li uma matéria sobre o que seria o universo pré-big bang ( http://super.abril.com.br/universo/havia-antes-big-bang-598331.shtml ). São quase abstrações paradoxais bastante difíceis de serem compreendidas pela mente. Na verdade, acredito que entender o universo e sua história pré-existencial é justamente conformar-se em não entender. Isso vai além da nossa capacidade.
Uma teoria interessante que estava nessa matéria é a de que o Universo poderia seguir uma linha mais ou menos como a de Darwin para a vida no planeta. Algo como reprodução de universos, como se os buracos negros, que não nos permitem ter ideia do que há dentro deles, fossem outros universos criados à partir deste, e dentro deles poderiam haver outras crias.
Então, se somos um grãozinho numa escala planetária, quer dizer, em relação ao planeta Terra, que é muito menor do que o sol que, por sua vez, é muito, mas muito mesmo, menor que a estrela VY Canis Majoris, quer dizer que somos o que?
Bom, não sei bem o que posso dizer que somos, tenho a mania de dizer que somos nada e muitos iriam me xingar por isso. Mas se não somos uma poeirinha, se representamos algo dentro desse universo, representamos pouquíssimo.
Se é assim, o que nossos problemas representam para o mundo? O que deus tem a ver com o prazo que você perdeu? Com os quilos que você ganhou? Com o café que você derramou no livro? O que diabos (whatahell!!!) isso significa? Nada. Ou melhor, NADA!
Quando alguém me diz que deus castiga, que pagamos por nosso pecados, eu tenho um pensamento: se ele é tão grande e pai, porque seria tão ruim conosco a ponto de nos colocar nos círculos infernais que o poeta Dante Alighieri deu uma leve explicadinha (hey, ironia, ok?)? Por acaso um pai condena um filho à vida inteira de penitência porque ele quebrou o vaso de porcelana chinesa jogando bola dentro de casa?
Se esse pensamento não é o suficiente para entender o que são essas amenidades humanos diante de um ser que, acredita-se, ser superior e criador do universo, obedeçamos a escala do vídeo. Logo, deixamos de ser um filho de um pai muito superior e passamos a ser uma poeirinha que passa quase perto do nariz dele, talvez nem isso.
E agora, o que representamos no universo? O que nossa ressaca tem a ver com isso? O que aquele pão com nutella que caiu virado para baixo significa para o universo? Nada, a não ser para nós em nossa insignificância pretensiosa e mimada.
Quando mudamos de escala de pensamento, vamos aprendendo a ter humildade diante do universo. Isso é um processo lento e doloroso, mas gratificante.
Causos Abafados – I – Parte Um
0Na época ele era jovem, tinha 19 anos, morava numa cidade do interior, nem pequena nem grande. Sua mãe era professora do ensino médio numa escola estadual, morena, magra, cabelos crespos, estava com 38 anos na época, ainda mantinha uma certa beleza, e seu jeito hippie ainda persistia na forma de caminhar, de se vestir, de olhar e de viajar internamente, sem dar muita importância, ou sem perceber, ao que pensavam sobre ela, seus alunos ou seus colegas de trabalho. Ela não tinha muitos amigos, havia se mudado para aquela cidade quando ficara grávida dele, isso porque seu marido na época, o pai do garoto, havia sido transferido. O pai do jovem estava na época com 44 anos, a transferência aconteceu quando ele fora promovido para subgerente do banco em que trabalha até hoje; no tempo em que a criança nascera ele era bonito, também moreno, jogava futebol com os amigos, tinha quase corpo de atleta, fumava maconha com a, então, namorada, divertia-se e adorava escapar para outros corpos femininos, nos churrascos após os jogos ia a bailes e se divertia com as loiras, dizia ele que só seria traição se fosse morena como sua futura esposa.
Ele nasceu e ela interrompeu os estudos, que terminaria dois anos depois, deixando a criança muito tempo com a babá, que colocava calmante na sua mamadeira. Os tempos eram bons, a economia do país era boa, as coisas eram compradas facilmente, não havia inflação, o dinheiro rendia e a comida estava sempre na mesa, e os natais eram cheios de presentes e alegres.
No dia em que completou 6 anos seu pai recebeu a notícia de uma promoção, seria agora gerente do banco, contudo, precisavam mudar de cidade. Ela ficou muito feliz pela promoção, mas detestou a idéia de se mudarem novamente, dessa vez para uma cidade fora do estado. Como o pai precisava ir logo, foi sozinho, até que o ano letivo terminasse, isso duraria quase 3 meses.
Ela estava dando aula para a quarta-série, seu filho estava na primeira e era um prodígio. O pai, lá de longe, mandava dinheiro toda semana; e, no início do segundo mês, começou a enviar quantias maiores. Ela pensava que era porque estava ganhando muito bem, ele fazia isso como jeito de limpar a consciência do que estava fazendo.
Lá na cidade nova, no Paraná, ele conhecera uma morena, mais bonita, mais inteligente, mais independente, mais apaixonante. Começou a se relacionar e o que mais queria evitar aconteceu: apaixonou-se.
Chegando perto do final do ano letivo o pai voltou à cidade, ela pensando que era pra ajudar na mudança, e ele querendo dar um fim ao casamento de maneira amigável. Quando ela recebeu a notícia ficou sem reação por alguns segundos, depois teve um ataque histérico o qual parece ter sido o início de uma série de problemas psicológicos. O estopim.
O garoto cresceu com o salário da mãe professora e a pensão generosa do pai bem-sucedido que, aliás, era repelido ao máximo por sua mãe, e seu contato com ele foi diminuindo. Como o pai parecia não fazer muita questão de estabelecer uma relação, o laço foi se desfazendo, e a figura paterna não foi substituída por ninguém mais, nem avô, nem tio, nem padrasto.
Aos doze anos tomou o primeiro porre com o pessoal da escola, numa festinha do irmão mais velho de um dos colegas. Era sempre ele e seus quatro amigos, roqueiros, os cinco que todos finais de semana tomavam cachaça com coca-cola com o dinheiro economizado do lanche da escola. E a mãe do rapaz parecia sempre imersa dentro dela mesma, afogada demais pra perceber as mudanças, pra perceber que o prodígio estava sendo apagado aos poucos.
A cachaça com coca ficou mais frequente, e o baseado entrou na história quando eles tinham 13 pra 14 anos. Era fácil conseguir, era barato, e era, acima de tudo, descolado, as garotas achavam eles os maiorais, e assim foi até os 16 anos, quando todos começaram a estudar com mais afinco. Dois dos cinco se afastaram, retomaram as rédeas, assumiram as responsabilidades. Restou ele e mais dois dos amigos.
Foi numa noitada, após um dos dois ter brigado com seus pais, que eles tomaram um dos maiores porres da vida e o filho que fugira de casa roubara o carro dos pais. Bêbados, chapados, experimentaram a cocaína e a velocidade do carro que mal sabiam dirigir. A primeira morte da turma, a do garoto que havia brigado com os pais.
Lei anti-fumo
2Sério, como assim proibir que se fume dentro de bares ou boates? O cheiro incomoda algumas pessoas, eu sei, mas tenho plena certeza que um bêbado chato incomoda várias vezes mais. Sério, proibir o cigarro em bares é eficaz para o Ministério da Saúde? Para mim não, eficaz seria proibir a fabricação dos cigarros, mas isso eu não quero.
Vi entrevistas nas ruas de São Paulo sobre a proibição do cigarro em bares e boates de São Paulo, as pessoas entrevistadas, sem exceção, ressaltaram unicamente o fato de que o cigarro tem um cheiro forte (fedido?) e isso incomoda. Nem uma rica alma lembrou-se de que o Ministério da Saúde busca uma diminuição nos gastos de tratamento de pessoas com problemas devido ao fumo passivo.
É óbvio que essa lei só será eficaz se forem fiscalizados os estabelecimentos, entretanto, devo dizer, temos um exemplo bem recente de lei que não deu certo. A tolerância zero do álcool ao volante existe ainda, mas aquele fervor do início já foi esquecido, a fiscalização foi deixada de lado quase totalmente, e as pessoas continuam dirigindo após beberem, estando ou não estando bêbadas. E isso não mata mais que fumar passivamente?
O mais ridículo foi um bar que apareceu na televisão onde foi pintada uma faixa amarela limitando onde se pode ou não fumar. Claro, uns trinta centímetros são o suficiente para impedir a fumaça do cigarro de chegar aos outros.
Pois então, se existem aqueles que estão incomodados com o cigarro nos bares e boates, eu levanto e digo que me sinto incomodade com os bêbados fiasquentos, com as pessoas grosseiras, com os músicos ruins, todas essas espécimes que se acham nas noites das cidades. Então, posso exigir que se proiba a bebida para que os bêbados não surjam nos incomodando, ou que seja proibida a entrada ou permanência de bêbados dentro dos estabelecimentos. Tenho ainda mais propriedade para pedir o veto das pessoas grosseiras nos bares e boates, aquelas que brigam, que empurram, que são intencionalmente mal-educadas e toda sorte desses descorteses que têm hábitos noturnos.
Um parágrafo especial para manifestar meu desejo de proibir que músicos ruins toquem nos bares ou boates. Se uns se incomodam com o cigarro, eu me incomodo muito com músicos e músicas ruins. Penso que a música toca tão facilmente as emoções das pessoas que essas ofensas aos ouvidos possam causar tanto mal quant o fumo passivo. Posso até fazer uma advertência: O Ministério da Saúde adverte, músico ruim causa ansiedade, estresse e raiva.
Vamos proibir, vamos segregar, quem fuma vem aqui, quem bebe vai ali, quem é grosseiro vai pro galinheiro e músico ruim vai pra câmara de gás.
Enigmas
1Essa semana encontrei uma um jogo muito bom (muuuito bom) de enigmas, pra quem quiser compartilhar: http://decifra.me .
Pra quem gosta de resolver problemas, de pensar de uma forma pouco usual, tá aí a dica. Põe uma booooa lista de músicas no teu player e começa a te divertir.
C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor
4Pois bem, o nome do filme é C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor. Há tempos eu via as chamadas nos intervalos do Telecine e ansiava por vê-lo, ontem dei sorte de ligar a televisão bem na hora que começava.
A história é de uma família comum, isso implica em problemas, vidas conturbadas, drogas, brigas, homossexualidade, bebedeiras e muita música boa. Zac, um dos filhos de um casal europeu bastante típico, é o protagonista, e possui 4 irmãos: o mais velho (creio eu), extremamente rock and roll, drogas, sexo (hetero), tatuagens e cigarro o tempo todo; um outro irmão, que não recordo o nome, estilo semi-nerd, inteligente, um promissor na arte almofadinha; o terceiro, um esportista, jogador de algum esporte, com tudo que tem direito o estereótipo; Zac, o sexualmente indefinido, oscilando entre homossexualidades e garotas (mas hetero do que homo), não tantas drogas quanto o irmão mais velho, um estilo meio poser, um fã de David Bowie, que mais tarde ganha a vida como discotecário; e, finalmente, o mais novo, gordinho, cabeludo, sem importância nisso tudo.
São vários os momentos interessantes do filme. A fotografia é ótima, mas melhor ainda é a trilha sonora, impecável. Quanta intensidade naqueles relacionamentos, e a fundamentação psicológica dos personagens, com suas impressões, idiossincrasias e nuances.
Fiquei extremamente tentado a dar detalhes, descrever minhas opiniões, mas não o farei. Veja o filme, só digo isso. O final nos reserva momentos de incrível emoção, coisas q Hollywood não faz por você, mas o cinema europeu faz. Uma lição de tolerância, de valores de uma família de verdade.
Valores? Sim, valores. Ser casto, asseado, branquinho e polido o tempo todo não é a essência. A humildade, o saber voltar atrás, o saber perdoar ofensas, saber que o sentimento de paternidade, maternidade, irmandade, qualquer relação desse tipo, está muito acima de efêmeras inconveniências.
Filmes inspiradores assim me deixam tão desinspirado.
