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A Nova Sexualidade

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Não sei não, acho que não fico mais surpreso com a forma precoce com que o sexo acontece na vida dos adolescentes, ou, devo dizer, crianças.

Esse comportamento não é nada senão o produto do que os adultos, tão estranhamento ligados em suas vaidades, impõem, como diria o Humberto Gessinger, “na mídia, na moda, nas farmácias”.

Eu fico, sim, preocupado com a forma com que o sexo é tratado, de forma geral, em todos os lugares, mas principalmente nesse mundo trajado de ridículo, de pessoas querendo se espelhar em celebridades, em modas e em reportagens sem o mínimo de razoabilidade publicadas em revistas que têm, mas não deveriam ter, credibilidade popular.

Sexo está deixando de conter um significado de prazer e passando ao sentido de obrigação. Trata-se falta de desejo como doença ou depressão, desempenho como uma prova de superioridade e freqüência como uma corrida de cavalos.

Aliás, infelizmente, às vezes me parece que cavalo é justamente o que algumas mulheres esperam dos homens, não no tamanho do falo (também), mas na idiotice de atitudes beirando às cavernas.

Dizem que em Roma o sexo era normal, sem culpa ou envolvimento ou cobranças, se assim for, eu acredito em prazer. Se me falarem de duração, de como, de quando, de quanto, de onde et Cetera, eu já penso que há inexperiência e insegurança no interlocutor.

Sexo deve ser uma coisa natural, espontânea, com calor e um pouco de nervosismo. Quando se tem a sensação de estar abrindo um presente muito esperado, aí é que o sexo é bom, aí é que reside o maior prazer.

Desculpem-me os editores de revistas, os sexólogos e charlatães do kama-sutra por aí, mas quando tratam do sexo como uma ciência exata e sem sal vocês matam o prazer. Não há amendoim, catuaba, Viagra ou coisa qualquer que traga vida ao sexo sem a sensação de espírito inundado de prazer. Só o corpo é prazer efêmero, e depois vem o que todo mundo já conhece…

Sexo é ser tarado, pervertido, sem restrição e com espontaneidade. Esquecer o que as revistas te disseram, o que a moda disse que teu corpo deve ser, o que o especialista disse que tu tinhas que comer, é essencial pra redescobrir o sexo como um jardim de prazeres e nada mais, como ele deveria ser.

Singularidade da vida

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A vida existe de um jeito engraçado, ao mesmo tempo que nos oferece milhões de estímulos externos, cores, sons, sensações, gostos e prazeres, traz consigo uma mão cheia de dúvidas do que fazer com isso tudo, de como reagir e lidar com as coisas que se nos acompanham.

A vida existe como um filme que vai acontecendo e vamos assistindo; no entanto, a maior parte disso tudo está invisível aos olhos, naquilo que não nos é tangível no momento exato da observação, os bastidores desse filme tragicômico.

Um simples fato que ocorra pode mudar de um jeito a vida de uma pessoa. Porém, jamais mudará da mesma forma que mudou o seu próprio mundo. Cada um tem seus valores, significados, idiossincrasias, impossíveis de passar adiante, intransmissíveis e inenarráveis.

A Vida é sempre única.

Enquanto um prazer nos toca o sexo, uma sensação percorre o corpo, uma emoção invade a alma e altera o espírito e, pronto, está feita a diferença. A mágica, a alquimia, a reação entre o elemento externo e o elemento interno resulta numa novidade pro homem, e o que ele vai fazer com aquilo, como irá transmutar o resultado dessa reação só ele sabe (ou nem sabe).

O fato é que ninguém tem ideia do resultado daquilo que está acontecendo antes de ver o fim; e quem tem vislumbres do que pode acontecer é chamado de inteligente; e aquele que sabe lidar de maneira correta com essas “visões” é chamado de sábio.

Sabedoria é saber lidar com a inteligência e estar atento.

A sabedoria está desconectada da ética e da moral, ou está tão intrinsecamente ligada que não nos apercebemos do quão atemporal e longe de valores efêmeros isso tudo se encontra.

O maior pecado do ser humano é limitar-se, limitar a vida, as cores, os cheiros, os gostos, os prazeres e as dores. Tudo que vivemos foi feito pra ser vivido, abraçado.

Às vezes, tudo que a vida precisa é de um abraço.

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OBS: se puder, caro leitor, procure ler algo de Michel Onfray.

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