Artigos com o marcador Poesia
Dormir é alívio
22/09/09
Desacreditar, duvidar, de novo e de novo
Acordar como cotidiano, dormir como alívio
E se manter na rotina, morta, sem razão evidente
Deixar as horas sem luzes de vida
Dormir como um alívio e perder-se no sono
Ter-te em mim
16/09/09
Noites assim, em que sentir tua falta é a atração principal, e chorar é tão somente um passatempo, pra ver se passa o tempo eu acendo o cigarro, pra ver se passa o tempo eu risco o céu com um giz branco, pra ver se passa o tempo eu me afogo em minúcias de memórias. Será que foi tudo tão assim assim?
Nessas noites de poesia confusa, de prosa difusa, de confusão intensa, de confundir o preto com o branco e soltar a corda para cair no poço, eu canto em mi, canto em sol, faço todas as escalas pra ver onde mais te encontro. Não consigo nunca decidir qual teu tom, tua melodia parece tão completa, e do jeito que ela é só a mim toca os ouvidos, pois eu sei te ouvir com ouvido absoluto.
Deitei o violão no colo, eu não imito tua presença com a música, tu traz a música a minha presença. Traz de novo? Eu te ouviria do outro lado do oceano, mesmo no teu timbre mais suave, pois que cada passo teu é uma nota, e eu imagino essa música diariamente, como se tocasse minha pele cada vibração, cada onda mecânica desse som.
quero acordar sendo galáxia
06/09/09
Flui como um mistério
Corre como um desatino
Vem pensamento e sai palavra
E eu nem percebo o que me é dito
Pois é através de mim que falam
E essas palavras não são minhas
ocaso
06/09/09
Ao longe vejo as linhas deste ocaso
Rubro e denso, como se fosse parte da minha alma
Pois que há anos eu deixo minha consciência de lado
E fico completo nos segundos que dura esse espetáculo
do escrever
23/08/09
Tenho uma ânsia de escrever da alma, do espírito, do universo e da vida, de coisas assim, mas que minha ânsia não limita ao escrever. Quero, um dia, quem sabe, ter tanta propriedade e sabedoria em minhas palavras para que alguma outra alma venha a utilizar alguma passagem do que digo como uma citação.
Nietzsche dizia que não escrevia para ser apenas lido, mas para ser decorado, talvez devesse acrescentar que também deveria ser compreendido, de cabo à rabo. Pois eu diria algo semelhante, gostaria de ter escrito inúmeras das frases e dos textos maravilhosos que já li em minha vida, como os fragmentos do livro Gertrud que postei anteriormente, como frases do Assim falou Zaratustra do Nietzsche, entre outros.
Quando leio Fernando Pessoa, mais precisamente Alberto Caeiro, sinto uma enorme vergonha de ter a pretensão de me chamar poeta (até mesmo pseudo-poeta ainda me é pesado). Queria ter escrito cada linha do Guardador de Rebanhos, assim, quando leio esse livro, sinto-me em casa, como se retornasse a mim mesmo por alguns segundos.
