Posts tagged Poesia
A veia vil que dá força
2Não há esperança em nenhum ato;
Não existe, nas ações, expectativa alguma;
É como cair de um trampolim sem uma
Rede que possa sustentar o impacto.
Inexiste qualquer fé no fazer ou reter;
Augusto dos Anjos – Monólogo de uma Sombra
2Não gosto e nem costumo postar textos que não sejam meus, mas esse é necessário. Minha vida na literatura é dividida em eras, e uma delas foi marcada pela presença constante da poesia desse poeta deslocado de sua geração.
O poema Monólogo de uma Sombra é, como quase todos poemas de Augusto, intenso, soturno, impressionante, denso, e uma série de adjetivos impotentes diante da força de sua poesia.
Diz-se que ele costumava construir suas poesias em voz alta, caminhando, declamando, e isso faz muito sentido, pois a sonoridade delas é sempre muito enérgica.
Caça-bilhetes II
3Tinha os olhos prontos para a desgraça
E tinha as asas abertas para o vôo ao abismo
Era crônico em pensar no infinito
Era uma só hora o tempo todo, a hora que desistia
Possuía o dom do contrário, era não nas afirmativas, era sim nas negativas
A Fluoxetina matou a poesia
4A fluoxetina terminou com o que seria a nova geração de poetas. Hoje ninguém mais pode se sentir triste, porque a tristeza é errada, é medonha, é ruim. Se assim o fosse, de fato, teríamos que banir Byron, Florbela, Augusto dos Anjos, Álvares de Azevedo.
A tristeza, os tempos difíceis, as melancolias, são os responsáveis pela maior parte do crescimento espiritual de um ser, aqueles que nunca se sentiram frágeis e impotentes, que nunca se perceberam inaptos à felicidade dos homens, esses nunca terão qualquer tipo de coroa, poderão sentar num trono mas sem reinar.
Nietzsche corria por essa idéia, de que a infelicidade traz conhecimento e crescimento interno, Hermann Hesse, seguia pela mesma senda.
Dormir é alívio II
1Analgésico, calmante, relaxante muscular, ansiolítico
Paracetamol, dipirona, paroxetina, morfina
Café, café, café e um chocolate
Cigarros, muitos cigarros