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poema de rua, ruazinha, rimazinha
2Anoréxico, vigoréxico
Contradição indefinida
Indecifrável, infinita
Em cada poema há uma palavra
Em cada palavra há um poema
Que me diz, confusamente,
Qual o sentido verdadeiro
Dessa farsa tão perfeita
Que não se vêem as rachaduras
E eu acredito estar certo, nesse pálido engano
Em descaso com o destino
Desatino
E retorno ao reino das profusões
Fusões
Compulsões
Confusões
carência de si, ou de mi
1Acho que foi no Zero Hora, li uma entrevista com a Fernanda Young. Primeiramente, devo elogiá-la pelo caráter, por ser ela mesma independente do que falam ou pensam, podem até não gostar dela, mas a sinceridade e retidão para consigo que ela tem, ou ao menos demonstra ter, deve ser parâmetro e exemplo para nós.
Aliás, quem tem visto o programa O Sistema, da rede Globo? Ela é escritora do programa, junto com, acredito eu, seu marido. Estou adorando, é uma viagem completa, uma ironia não muito forte, mas divertida, e piadas inteligentes ou, talvez, intelectuais.
Enfim, já ia me esquecendo o porque de ter citado ela. Retomemos: foi numa entrevista com ela que li sobre a “necessidade” dela de escrever, não vou lembrar exatamente os termos que usou nem os porquês mais precisos, o que também não vem ao caso.
Meus caros, e raros, leitores, este que aqui lhes fala compartilha da Sra. Fernanda Young no que tange a uma necessidade de escrever. Pois bem, vejamos, o ser humano sente uma necessidade de viver, é inquieto, insatisfeito, incompleto e inacabado. Não vejo muitas exceções a essa regra. Se mamíferos humanos são impelidos a viver como caçadores, antes de comida para sobreviver, hoje de qualquer coisa que os compraza, se há essa necessidade, e eu vejo nescidade nisso tudo, nessa imperfeição, nesse ser desajeitado e desorientado, se vejo tolice em grande parte das coisas que vejo quando estou são – seria muito mais sábio admitir sermos ainda animais completamente reacionários aos instintos e impulsos externos. Nesse sentido, e nessa tendência minha à exclusão, vejo a arte como um meio de propagar sentimentos intensos e pesados, aqueles que não vivo, pois se me apaixono não dura mais do que uma ressaca.
A certeza do que escrevo é estúpida, amanhã é incerta. Assim são os poemas incrivelmente negros: metamórficos e mutáveis. No que escrevo existem apenas possibilidades, mas dificilmente verdades completas (e verdade pela metade é mentira). Escapo por ali na minha vontade de viver intensamente, se há algo ali é inveja de não conseguir ser sempre desatento e superficial (por isso há o álcool, e, ainda assim, em doses altas).
Portanto, caro leitor, cuidado: sou ficcionista, romântico e irônico; uma verruga na vida da poesia. Quem me há de cauterizar? Sou animal, instintivo, e aqui expresso o que não é para que, ao menos finja, por alguns segundos, ser; afinal, como escreveu o Marcelo Camelo (ou o Rodrigo Amarante), “e alguma coisa a gente tem que amar, mas o que eu já não sei mais”. Além da família, amigos de verdade, eu mesmo, meu SAG e minha nódoa de razão desajuizada que chamam de poesia, não há nada mais para amar. Escrevo na necessidade de amar algo que não alcanço e não termino(a), pois sou animal insatisfeito.
poema duma manhã de sábado
1Traz-me, agora, a saudade,
Uma calma conformada,
Como uma velha sentada
Tricotando sua idade.
Ah, mas há beleza
Até nessa pálida dor,
Como uma murcha flor
Esvaindo-se, indefesa.
É, a calma duma manhã
Saudosista,
Por mim bem quista.
Estimo com certo afã
Essa contida
Felicidade escondida.
Auto-(des)entendimento (ironia ao poema abaixo) xD
0Lembro de ter lido, há uns dois anos atrás, o livro A Insustentável Leveza do Ser, do Milan Kundera. Apresso-me a dizer que, indubitavelmente, foi um dos livros que mais me marcou, a forma com que ele (Kundera) fabrica, trata, manipula e filosofa sobre cada personagem e suas interações é surpreendente, quase mágica.
Enfim…lembro de ter lido, em alguma parte, que ele considerava cada personagem parte dele mesmo, de seu microcosmo, seu infinito particular, que eles não passavam de possibilidades não realizadas dele mesmo.
Ah, esse deus que é o homem…cria e recria, faz suas artes, apenas como forma de entender a si mesmo, quer que os outros o entendam, tenham sua parte naquele mundo, mas o objetivo é se compreender, analisar-se como o maior dos críticos, e nunca se satisfaz, aquele mundo interno exige mais e mais.
Aliás, o Pai Celestial não seria assim? Não somos personagens de uma mente tentando se entender? E pra quem ela está contando a história?
Ahh, canso só de pensar em pensar…