Posts tagged poema

Ponto algum

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Hoje sou dono de um corpo cansado

De músculos doloridos

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Quase parte ao meio, quase parte ao sul

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Quase se desmorona de si mesmo sobre si

Recaindo em lembranças de cheiros e perfumes,

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A veia vil que dá força

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Não há esperança em nenhum ato;

Não existe, nas ações, expectativa alguma;

É como cair de um trampolim sem uma

Rede que possa sustentar o impacto.

Inexiste qualquer fé no fazer ou reter;

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Augusto dos Anjos – Monólogo de uma Sombra

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Não gosto e nem costumo postar textos que não sejam meus, mas esse é necessário. Minha vida na literatura é dividida em eras, e uma delas foi marcada pela presença constante da poesia desse poeta deslocado de sua geração.

O poema Monólogo de uma Sombra é, como quase todos poemas de Augusto, intenso, soturno, impressionante, denso, e uma série de adjetivos impotentes diante da força de sua poesia.

Diz-se que ele costumava construir suas poesias em voz alta, caminhando, declamando, e isso faz muito sentido, pois a sonoridade delas é sempre muito enérgica.

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neo aliteração de ti

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Ai que me esgotam as palavras e o tato

Se ao menos minhas letras em ti deitasse

Formaria o poema mais belo se deitasse

Em ti minhas palavras, ai mas me falta tato

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