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Espaço-tempo e a entropia na mente

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Tradicionalmente, somos levados a acreditar que toda superfície que olhamos é plana: uma tábua de madeira, uma parede de concreto bem feita, uma bola de sinuca, enfim, todos esses objetos que se nos apresentam em grande escala diariamente e nos dão a impressão de serem perfeitamente lisos.

Contudo, hoje já é mais propriedade do senso comum entender que em uma escala menor esses elementos possuem ranhuras, texturas que não são tão lisas assim. O que não é tão conhecido assim é que esses mesmos objetos podem apresentar lacunas em suas estruturas, lugares e caminhos em que não haja matéria.

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A Matéria Escura e a Mente

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Pronto pra mais uma viagem, peque gafanhoto? Então vamos lá.

Matéria escura é uma espécie de matéria que não emite luz, portanto, não pode ser observada pelos nossos olhos. Não sabemos a forma, mas podemos mensurar, mais ou menos, o tamanho de um “aglomerado” (?) de matéria escura através de cálculos super divertidos em que dados são retirados de observações da interação dessa matéria escura com a matéria “normal” ao seu redor, uma vez que influências são exercidas por aquela sobre esta, em seu campo gravitacional e energético.

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Dos frutos podres – Parte Um

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Foi ontem ou anteontem, acordei perto das 07h da manhã para me arrumar para sair, fui até a cozinha esquentar água para um café e olhei pela janela, lá fora há uma bergamoteira, não está na minha casa, mas na casa do vizinho, contudo, a maior parte das frutas fica pro lado de cá. O que acontece é que, por não comer as bergamotas, a maioria delas apodreceu ainda no galho, e para que perceba aonde anda minha mente, eu tive alguns pensamentos um tanto peculiares.

                Logo que vi esse cenário, pensei em mim, é claro. Sinto-me como uma dessas frutas que, sem conseguir se desvincular dessa rede infinita, sempre nutrida por algo envolvente, vai apodrecendo por tempos lentos e densos, sem saber precisamente como irá terminar. Vendo isso, temos duas opções para um fim: ou ser derrubado por um vento forte e terminar partindo ao meio no chão, com a queda não resta muito da fruta que já estava pútrida, a força do impacto, normalmente, é grande o suficiente para terminar com aquilo que dá características de uma fruta e transformá-la numa massa amorfa no chão; ou então ir secando, lentamente, secando e murchando, ficando escura, sem, contudo, se desligar da rede.

                A segunda opção para o final que descrevi me parece a mais recorrente, a mais comum. Não são muitos aqueles que se percebem independentes, que conseguem, levemente, anular os efeitos autômatos do comprar e vender, e se vender; e são pouquíssimos aqueles que, tendo se apercebido nessa ilusão, conseguem se desvincular, esses são os frutos doces que logo são colhidos e têm um destino mais nobre. No entanto, eu falo dos que não têm força para fazer valer essa individualidade notada, e passam a vida secando, de dentro pra fora, murchando o espírito junto com a pele, perdendo o sabor enquanto assistem a uns frutos apodrecerem, a outros cairem, e assim por diante.

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deveras pensante

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                Quinta-feira de muita chuva, quando acordei não estava tão frio, por sorte escutei a faxineira que me disse “leva um casaco garoto”, eu obedeci, como me foi ensinado a obedecer os mais velhos. Durante a vinda de ônibus para a universidade, olhando as nuvens escuras que se aglomeravam e também, outro pouco, olhando para o chão do ônibus com serragem para não ficar liso, para os meus pés calçando all-star e foi só isso.

                Estranho dizer “foi só isso”, é como se isso fosse um vazio, um espaço, um interlúdio, mas não, isso é, justamente, o todo, o preenchimento, o recheio de uma mente dispersa e incontida.  Cheguei a conclusão que minha mente é como uma empresa em desenvolvimento com um dono auto-suficiente.

                No início tudo era simples, uma empresa de pequeno porte, com produtos baratos e simples, fáceis de se fabricar e de vender, com apenas um sorriso se vendia de tudo, e também recebia donativos de empresas maiores, migalhas importantes pra construção do que viria.  Depois começou a expansão, abriu-se uma filial que exigia mais atenção e queria produzir produtos novos, diferentes da proposta inicial, e assim ela passou a ter mais autonomia. Sucedeu-se, então, que essa empresa exigia cada vez mais coisas extravagantes, queria produtos impecáveis, mas de pouca utilidade, ainda assim, foi crescendo de forma espantosa. Concomitantemente, a empresa original crescia, sua taxa exorbitante de informações e dados se transformava numa pilha diárias de laudas lidas e relidas e confundidas.

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interlude

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Era hora fora de chão, rala, parca, era hora e havia em mim a combustão completa dos sentidos, eu era abstração, abstrato, absorto, pois que da queima restou ausência de mim manifesta em carbono e água, a liquidez de emoções estancadas, sensações estagnadas, num barco onde eu remava com pensamentos circulares.
Tinha cheiro de infância, aquele oceano, porém, era imóvel, suas ondas não me lançavam à frente nem me atrasavam. Eu via, sob as águas alvas, a ânsia imediata da criança cheia de vontade, e quanto mais essa criança crescia, mais vinha o adulto cheio de si, vazio de mundo.
Fiquei horas mergulhado nessa introversão caótica, e essas horas de minutos se tranformaram em dias de anos que não soube medir. Voltei de lá com as notas de timbre claro da infância, mas, como se fossem areia em minhas mãos, escorreram. As outras notas, as de hoje, porém, ficaram, seu timbre opaco formou uma harmonia densa, espessa e pegajosa, como se pesasse e grudasse em minhas mãos.
À grande hora do absurdo seguia-se um interlúdio para retornas às gentes. São, a mim, dois universos demasiadamente distintos, um habitado por anjos e arcanjos coloridos e cheios de poder, outro por tédios, banalidades e vilanias. Eu sou, ainda assim, bruto, um rude desencontrado, assistindo a minha comunicação falhar, faltar, para que me seja impossível compartilhar.
Quando é noite e a lua me visita, vou ao outro lado, e lá bebo e comemoro em gozo, pois desses prazeres aprendi a mestrar, e reger seus ritmos me agrada, porquanto o tédio não se me venha visitar novamente.
Sinto saudade da coxilha dos ventos, onde os trigais se balançavam em ondas harmônicas, simétricas, suaves, como se fossem regidos por Mozart, como se tivessem mãos para acariciar e acalentar minha alma. Hoje, afasto essa saudade com os afagos dum corpo igualmente suave, sutil, cheirando à óleo de castanha ou buriti, e ela a mim agrada o corpo, arrefece minha pele, e enterra os pensamentos circulares.
Quando, em mim, ela termina sua sede, eu ainda estou hirto, e minha sede nunca cessa, nunca cessará, é, pois, uma ânsia de infinito. Nela, entretanto, só vejo o gozo atendido, como uma criança, o corpo desfalecido em cansaço e suor, e ali está bem claro o limite, contrário ao meu infinito, e teimo comigo para circunscrever aquele pequeno planeta, e assim vou, tal um corpo celeste negro, um halo ao avesso, murcho flores, empalideço cores para alimentar de vida o monólogo daquela combustão, aumentar a chama com o carvão dos corpos que gemem e gozam em mim.
Era uma tarde de verão, e os vendedores de picolé cruzavam as ruas. Ela tomou em suas mãos um picolé mini-saia, até hoje o cheiro e o gosto me seguem, chupou o doce com vontade e gula insaciável. Acho que tomei para mim a parte do insaciável e deixei ela chupando o picolé como se quisesse de volta o que eu havia lhe tirado.
Esse escárnio que hoje vês em meu sorriso é a ironia que lanço ao espelho, pois são tão carente de mundaneidade quanto uma sombra de seu dono.
Ao conversar, olho nos olhos das pessoas, elas desviam o olhar constantemente, como se eu pudesse lhes roubar algo, bem que eu gostaria, mas o que desejo já lhes falta, e não foi tomado à força, mas esquecido numa fila, esperando. E seus globos são vagos, suas órbitas tangentes à verdade.
Quanto mais caminho pelos ermos do meu mundinho, quanto mais das minhas miudezas me torno consciente, tanto mais doloroso, demorado e inútil se torna meu interlúdio.
Que tal terminar a sonata e ir para o próximo ato?

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