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Poema pra resistir

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Como um purgatório a sustentação,

Uma espera infinita e ansiosa,

Uma provação elísea e belicosa;

- Quanto da minh`alma em suspensão.

Quanto suporta num instante sorumbático,

De cair a fé e a certeza nesse embate

Que não socorre feridos em combate

Mas desola o corpo ao trágico.

Sair de mim ou de ti esse suspiro,

Não importa quão envolvente o desengano,

É sempre suspiro em dor de cigano.

Da alma que vai e volta como num giro.

Tentar escapar da roda é desilusão,

Cabe em nós, rotos, uma profanação.

Um cometa canta

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É como ter no peito uma tempestade se formando

E um raio distante brilha e ecoa nesse deserto

Tão incerto de onde atingirá, se longe ou perto

Deixando a agonia de guardá-lo apodrecendo

Como se cada fibra ululasse e pulasse

Em desesperados espasmos incontidos

E enchesse o pulmão de sustenidos

Para que em fermata os bradasse

É de ter os olhos opacos e a boca sedenta

E ter o grito mais forte que uma supernova

Eu falo do falo da exasperação dessa cova

Cantada em melodia tão triste e lenta

Jorge Ben Jor e a estranheza

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Jorge Ben Jor é um cara que me intriga, eu acho ele completamente estranho e insípido, sua fisionomia inexpressiva me dá a impressão de uma pessoa que tem muita coisa na cabeça e não repassa nada adiante.

Quando eu era bem pequeno costumava ouvir, entre Raul Seixas e Cazuza, Jorge Ben Jor, cantava bem alto as músicas, e achava demais. Ainda bem que isso já passou, o caso de vergonha alheia se aplica a mim, considerando outro aquele que ouvia quando criança o rapaz Jorge.

Pois bem, dia desses, entre uma tequila e um rum, assistíamos ao DVD que temos do meninão Jor, foi aí que, finalmente, me veio à cabeça: uadarréu são essas letras?

Sério, parece que o cara usa muitas drogas (e não tô falando de café e cigarro) e vai escrever.

Selecionei algumas coisas que lembrei dele aqui, se tiver alguma colaboração, envie.

- Taj Mahal: Foi a mais linda história de amor/ Que me contaram e agora eu vou contar/ Do amor do príncipe Shah-Jehan pela princesa Mumtaz Mahal/ Tê Tê Tê, Têtêretê Tê Tê, Têtêretê Tê Tê, Têtêretê Tê Tê…

Bom, a viagem começa com o cara puxando um casal lá das arábias, e isso que na época não tinha passado a novela Caminho das Índias ainda. Mas o mais legal é o seguinte, que ele ‘vai contar’ a história de amor, e depois só canta ‘tê tê têtêretê’. Quer dizer, que parte eu perdi? Oquequeeudeixeidefumarhein?

- W/ Brasil: Jacarezinho! Avião! Cuidado com o disco voador! Tira essa escada daí, Essa escada é prá ficar aqui fora. Eu vou chamar o síndico: Tim Maia! Lá da rampa mandaram avisar que todo dinheiro será devolvido quando setembro chegar num envelope azul indigo.

Jacaré, avião, Tim Maia, tudo isso numa parte só da letra. E tinha uma escada em algum lugar. Mas, co-mo as-sim? Depois o rapaz fala de dinheiro em setembro? E ainda falam mal das letras do Gessinger.

- Spirogyra Story: Espirogiro é Spirogyra/ É um bichinho bonito e verdinho que dá na água/ Que Plâncton é esse? / É o Espirogiro é o Spirogyra/ Você sabe o que é um Plâncton?/ Plâncton é uma alga de água doce ou de água salgada/ Mas Espirogiro é doce, doce, doce, doce, doce/ De água doce/ É o encontro amoroso do zigoto masculino com o gameta feminino/ Formam novas células um fio vegetal brilhoso e esverdeado igual a cor da esperança.

Tudo bem fazer música sobre mulher gostosa, sobre goleadores, sobre Tim Maia ou sei lá o que, mas uma alga é um pouco longe demais, não? ‘Que dá na água’ me traz conotações sexuais, e ‘doce, doce, doce’… bem, vocês sabem. Agora, o cara ainda vem dar uma minipseudoaula de reprodução da alga? Numa música? Sério?

Uma salva de palmas para o Jorge Ben Jor (que o meu editor de texto insiste em corrigir para bem Jor), por estar no top ten dos artistas mais viajões da música nacional, concorrendo com Calypso, MC Créu e o grande letrista Cumpadi Washington.

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