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Sutura a sanidade
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É preciso que eu me agarre a minha loucura
Diariamente, como uma única esperança
De sobreviver a essa maré que se avança,
Que se assoma sobre mim, na minha cura.
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Tenho que entrar nesse antro interno,
Apanhar esse punhado de tristeza
Que sobe pelas paredes com destreza,
Que esfria e no verão faz mais inverno.
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Quero congelar entre as pedras frias,
Trançar minha carne nessa imensidão
Que se expande e se gela em comoção
Arrebentando e sangrando essas estrias.
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É que cresço parado, mais do que suporto,
E preciso me agarrar a uma neurose,
Orientar-me pela loucura que cose
A ferida aberta de um oceano natimorto.
Da pedra
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Chegava a mim como uma pedra no pára-brisa. Não terminava, não colocava um fim a esse ocaso eterno que ia escurecendo mais e mais, mesmo quando parecia impossível – um buraco negro engolindo, lentamente, a luz do presente.
Ela me vinha como uma pedra, e eu vidro, atingido, rachado, despedaçado sem me desmontar. Deixava-me em cacos, unidos por uma infantilidade brutalmente boba.
Essa infantilidade era aplaudida por ela.
Amava me ver quebrado e amando a pedra que me quebra, a algoz.
Ela amava me ver atrapalhado, sem entender direito se me soltava e caía em fragmentos ou me agarrava à bobice e continuava a adorando.
Era só esperança de continuar sendo útil naquele estado.
Estava tão despedaçado, difuso, que era inútil olhar por mim, pois a visão não chegava ao outro lado: parava, embaralhava.
E me era igualmente impossível olhar através de mim mesmo. Perdia-me nas minhas próprias rachaduras.
Que ironia essa tua, quebrar-me até a metade e parar para assistir: até quando resiste minha resiliência.
Mas sou apenas um pára-brisa, quebrado por uma pedra, o que posso eu saber da minha matéria? O que sei eu da minha resistência?
Eu apenas sigo.