“Não sou monstro, sou pai de família”, essa foi a frase que o Rudicir Fernandes de Freitas disse ao jornal Zero Hora ao conceder uma entrevista.

Pra quem não sabe do ocorrido, Rudicir é acusado de agredir o empresário Léo Mainardi. A briga ocorreu em um hipermercado, Rudicir estacionou o carro em uma vaga para deficientes e Léo, como pai de uma cadeirante, chamou a atenção (sabe-se lá de que forma ou com que sutileza). No fim das contas, Léo foi para o hospital com um coágulo na cabeça, coisa de gente civilizada, né? (A reportagem está no http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a2880662.xml ).

O que me levou a pensar a respeito disso tudo foi a frase que Rudicir disse, a primeira escrita neste texto. Na verdade, ele é um monstro, sim, mas mais na verdade ainda, todos somos monstros.

Nossa pequena cabecinha esconde monstros incríveis, de forças inimagináveis. Na maior parte das nossas vidas conseguimos deixar essas criaturas sombrias bem guardadas lá no fundo, por vezes elas tentam vir à superfície, mas as sufocamos e continuamos como se nada tivesse acontecido.

Muitos são os que passam a vida inteira sem ouvir a voz desses monstros internos, conseguem escondê-los até o fim, e eu não sei se admiro isso ou sinto pena delas. Não se pode negar a existência desse lado sombrio em nossa psique, essa violência, que se traduz em ansiedade, em nervosismo, em depressão ou em agressão; e o contato com tais forças faz com que nos conheçamos melhor, porém, de uma maneira muito perigosa.

Demônios, defeitos, monstros, distúrbios psicológicos, encosto, chame do que quiser, o fato é que o ser humano é um animal, uma besta domada, insisto sempre nessa idéia.

Num texto anterior, em que relacionei a matéria escura à mente humana, trouxe à baila o fato de que conhecemos pouquíssimo acerca da nossa personalidade, das nossas possibilidades e dos nossos processos mentais inconscientes, de como nascem e se desenvolvem pensamentos. A vida interna de uma pessoa é demasiado complicada, intrincada em sonhos e realidades, e tenho certeza que no meio desses sonhos devem existir algumas coisas que não gostaríamos de chamar de “humanas”, provavelmente Platão as chamaria de Daemones, bons ou maus.

Rudicir não teve a força para aquietar seu monstro naquele momento, existem pessoas que jamais controlaram essa força tétrica que há dentro de si e aquelas que, um dia, ainda vão conhecer essa energia macabra num acesso de raiva ou outra coisa qualquer.

No entanto, não sei dizer ao certo porque lembrei dos padres que abusam sexualmente das criancinhas. Ai, que me parece que esses monstros andam invadindo as igrejas, templos e sinagogas… é melhor tomar cuidado.