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5S – Seiton – Senso de Organização
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SEITON
O Senso de Organização é um problema de magnitude de firmamento para nossa mente, digo de firmamento porque não se enxerga um verdadeiro fim, apenas um pretenso momento em que tudo parece se juntar de forma coesa, mas esse momento sempre está lá, ao longe; de fato, a verdadeira organização da mente é um trabalho hercúleo, para não dizer impossível.
A Mente e a Corrida
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Creio que esse texto precisa de uma espécie de preâmbulo, porém, tenho certeza que qualquer esforço meu em fazê-lo será em vão, a completude das explicações se torna extremamente difícil de alcançar.
Desde que me conheço por pseudo-gente tenho uma espécie de ligação com coisas que pouca gente gosta, coisas como magia, meditação, energias, símbolos e coisas assim. Não é por acaso que os caminhos vão se apresentando aos poucos pra nós.
Viagem a Cruz Alta
2Notei o quanto estou perdendo a habilidade de meditar e de ser uma pessoa paciente ontem à noite, no ônibus, vindo para Cruz Alta. Mal tinha saído de Chapecó e já queria fazer alguma coisa, além de ouvir música do mp3.
Pensei em acender a luz e fazer palavra cruzada, ou ler (pela trilionésima vez) O Guardador de Rebanhos do Fernando Pessoa (ou seria do Alberto Caeiro?), ou ligar o notebook e escrever, ou jogar Neverwinter Nights, enfim, nada me dizia para ficar sem fazer nada, exceto a moça que viajou do meu lado. Não, ela não me disse para que eu ficasse quieto, até porque eu ainda estava quieto, mas ela estava num estado entre sono e vigília, assim todos do ônibus pareciam estar (a não ser o motorista, eu espero), um silêncio protestava contra minha ansiedade, e é proibido fumar dentro dum ônibus.
Então o que eu fiz foi fechar os olhinhos, respirar em pranayama (certo que só depois de usar meu descongestionante nasal), e tentar tirar a consciência do corpo, isso nunca falhou. Dormi tanto, a viagem toda, acho que acordei quando o ônibus parou em duas rodoviárias apenas, e por pouco não acordo quando ele chegou aqui em Cruz Alta.
Um pouco do Zaratustra
1Tô lendo Assim Falou Zaratustra (F. W. Nietzsche). É impossível ler esse livro sem pensar, matutar, meditar…enfim, o que seja. Há uma atmosfera épica, bíblica, filosófica, catedrática (hoje estou adorando adjetivar), que não se explica, apenas se sente, na alma, no corpo, no espírito.
Não vou me aprofundar em muitos comentários por enquanto, ainda estou bem no início, mas algumas coisas já me chamaram a atenção:
Zaratustra fala, enaltece, o corpo sobre o espírito, e citarei, abstendo-me de comentários, por enquanto, algumas frases. “Enfermos e decrépitos foram os que menosprezaram o corpo e a terra, os que inventaram as coisas celestes e as gotas de sangue redentor; mas até esses doces e lúgubres venenos foram buscar no corpo e na terra. (…)E julgaram-se arrebatados para longe de seu corpo e desta terra, os ingratos! A quem deviam, porém, o seu espasmo e o deleite do seu arroubamento? Ao seu corpo e a esta terra.”.
Há, também, outra coisa interessantíssima, pois coincide com o que eu pensava, já sabia eu que minha idéia não era, de forma alguma original (mesmo que eu não a tivesse copiado de outro lugar antes); é acerca do deus que cria um mundo, como nós podemos ser deuses criando universos dentro de nós e como poderíamos ser apenas criações de um outro artista que chamamos de Deus, ou algo do tipo. Cito: “Obra de um deus dolente e atormentado me parecia então o mundo. (…) O criador quis desviar de si mesmo o olhar…e criou o mundo.”.
Enfim…faça sua meditação, tenha sua opinião, conclua. A si mesmo.