Demorei, me enrolei, mas aí vai, uma resenha despretensiosa do álbum The Rise And Fall of Beeshop, da banda Beeshop do Lucas Silveira da Fresno.

O CD é repleto de letras e arranjos clichês, piegas, mas sem ser vulgar ou enjoativo, aliás, foi uma das melhores utilizações dessas manjadas que eu já ouvi.

Os arranjos em geral, mas principalmente os vocais, estão impecáveis, e a sonoridade toda toma dimensões e direções diferentes das da Fresno, mostrando o horizonte musical do Lucas, que me parece ser um dos melhores músicos do cenário nacional. E por favor, não me venham falar do Kiko Loureiro, André Mattos e companhia, todos sabemos que essa galerinha já tá em outro patamar e num estilo bem diferente.

O álbum começa com How Are You Now, uma música rápida, cheia de arranjos, com uma letra bem legal, uma introdução excelente pro que vem no CD. Exatamente, é uma música introdutória, um prelúdio.

A segunda é Come And Go, o primeiro single do álbum, uma baladinha bastante indie, puxando pra um Keane. A letra é de amor, como quase todo o álbum, que, apesar da grande dose de romantismo, não enjoa fácil.

Cookies é uma canção bem humorada, harmonicamente falando, um rapaz com uma garota que parece não amá-lo tanto quanto ele, o clássico duma história de amor. Os arranjos são bastante divertidos e bem feitos.

Lovers Are In Trouble, quando começa, me lembra Frank Sinatra com uma mistura de Roberto Carlos, uma coisa assim, romântica, bocas de sino e mullets. Pra mim, uma das melhores músicas do álbum, com arranjos precisos e inovadores pra quem só conhecia o Lucas na Fresno. Os metais estão excelentes, mas as vozes ficaram melhores ainda.

A simplicidade da música I`m Sorry poderia trazer uma canção sem sal, mas a energia e interpretação do Lucas com as vozes emocionadas dão uma corzinha pra música, tirando ela do fundo do CD.

Go On é, creio eu, uma das faixas que mais representa o crescimento musical do cara, em técnica, interpretação e composição. De novo, mostrando um pop rock indie impecável.

Victoria Indie Queen, a musa que foi se perdendo na vida… acho que é a canção que menos foge do estilo da Fresno. Ou não.

Rockstars and Cigarettes tem um arranjo atípico, quase um country, uma música mais folclórica, mas bastante divertida e legal. “I was Just a wrong chord in your song.”

Ou seria Driving All Night Long a minha preferida do álbum? Já não sei. Essa música é genial, sim, essa é a palavra, coisa de quem entende de música, juntar irreverência com sentimentos e arranjos dignos de Sgt. Peppers (prontofalei).

Mr. Confusion é uma das músicas que mais rolava do Lucas fora da Fresno e antes do lançamento do Beeshop, e me parece algo pré-RedençãoFresno, ainda carregado de simplicidade e confusão quase adolescente, vale pela interpretação e pela referência ao álbum Redenção da Fresno (quem mais achou que ele cantaria “você diz que é só de amor que eu sei falar” aos 2:20?).

The Napkin Song, quase no fim do álbum, me agradou, sem ter nada de especial, talvez por um arranjo de terças com as vozes em uma parte. É, pode ter sido isso.

All I Need, a música mais “bonitinha” do álbum. Não, mas falando sério, a canção mais carregada de emoção e tristeza. Piano e voz, com simplicidade e emoção… essa fórmula não tem erro.

I Was Born in the 80`s é a expressão da minha turma, não consigo ser imparcial a falar dessa música. A saudade, as memórias, as brincadeiras até tarde na rua na frente das casas sem grades, as guitarras tocando metal e os tragos de vodka. É, nascidos nos anos 80.