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Quase parte ao meio, quase parte ao sul
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Quase se desmorona de si mesmo sobre si
Recaindo em lembranças de cheiros e perfumes,
Do quanto se misturam em seus costumes
E em seus corpos, de mesma cor e frenesi.
Quase parte ao sul, mais longe ainda,
Em mãos que arquitetam felicidade
E dedos que se movem em celeridade,
Em prazer de calor que não se finda.
E de saudade quase parte ao meio
Por não tocar na pele tão singular
E contar o que se sabe exato: par,
Que pinta teu corpo e teu seio.
Há precisão metódica no estudo que faz
E conta cada detalhe de cor, cada matiz
Dos cabelos dourados, quase, por um triz,
Iguais, que se somam na noite que apraz.
5S – Seiri – Senso de Utilização
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SEIRI
O Senso de Utilização aplicado à mente parece um tanto quanto impossível, conscientemente. Talvez até mesmo seja impraticável voluntariamente, mesmo assim, se se considera possível essa prática, deve-se dizer que ela é importante. O fato é que, mesmo involuntário, mesmo inconscientemente, o senso de utilização ocorre.
Já pensou se não esquecêssemos de nada? Claro que já pensou, mas talvez não tenha considerado a hipótese de que isso pudesse ser uma terrível maldição; Nietzsche, contudo, considerou, e formulou aquela frase pop “abençoados os que esquecem, pois aproveitam melhor até seus equívocos”, ou algo assim.
Quando falamos em memórias, quando falamos em lembrar de tudo, esse tudo se refere à conhecimento, a lembranças úteis para o nosso desenvolvimento. E ainda que sensações e emoções de tristeza possam nos ser bastante úteis (tenho poucas dúvidas de que são as mais úteis), se pudéssemos esquecê-las viveríamos como em um mundo de fantasia, sem culpas ou pesares.
É, nós não somos muito propensos a seguir o Seiri, contudo, nossa mente não é nossa subordinada, aliás, está muito longe disso. Nossa psique parece ser programada para obedecer esse senso.
Frequentemente esquecemos daquilo que nos é incomodativo, esquecemos de momentos traumaticamente definitivos em nossa vida, e isso porque nos é útil apagar essas memórias, fingir que temos medo de determinada situação simplesmente porque ela pode ser perigosa e não porque, em algum recôndito da nossa mente, ela repousa em uma memória sem luz.
Deixar de lado aquilo que parece ser ameaçador, portanto, não-útil, parece ser uma habilidade bastante peculiar da mente, ela distorce, altera, esquece, apaga, ou seja como for, ela manipula com maestria nossa vida interna, se não estamos atentos.
Pode parecer meio amedrontador, mas já pensou no caos e no mundo recheado de conflitos que seríamos se simplesmente lembrássemos de tudo? Tenho certeza de que não dançaríamos um tango, mas uma marcha fúnebre.
Ou nasceríamos diferentes. Não sei, não me decidi.
Ajuda a opinar?
Poema de fermata
3Enterra de mim o que ainda há de vivo,
Enquanto enterro a mim em teu coração
E me lambuzo dessa oca comoção,
Qual pranto me seria tão incisivo.
Afogo-me em teu distante passado
E me debato afundando nas ondas
De águas tão frias e tão insossas
Como um lembrete pardo e borrado.
Como a falta de senso que dominava
Nossos compassos desbaratinados
Em tempos e discussões sem lados
Donde um beijo ou riso nos salvava.
Tecer uma linha da tua alma delicada
Enquanto sopro um coração quente
É queimar o que existe de latente
Em uma caixa de madeira, trancada.