Posts tagged introspecção

1, 2 e 3 numa noite

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1

Eu tenho tanta vida que tudo ficou pesado

Sem ser como o resto dos mortos que pensam que vivem mas boiam

Eu afundei, na mais profunda correnteza do oceano

Por ter tanta vida e ter ficado pesado, afundei

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Caça-bilhetes II

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Tinha os olhos prontos para a desgraça

E tinha as asas abertas para o vôo ao abismo

Era crônico em pensar no infinito

Era uma só hora o tempo todo, a hora que desistia

Possuía o dom do contrário, era não nas afirmativas, era sim nas negativas

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Parte Terceira

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                Mais por impulso do que qualquer outra coisa eu disse em voz alta, vou pra Córdova. Nisso não havia nada de instrospectivo, nada de premeditado e nenhuma intenção, ao menos consciente, era puro e simples impulso despretensioso.

                A Bê me olhou com olhos que não eu não soube entender, então perguntou se eu estava falando sério. Falando sério? Eu não sabia se me levava a sério também, resolvi prosseguir na idéia sem dar muito crédito ao que dizia, respondi que sim. Dessa vez vi que ela ficou séria.

                Depois de persistir, meio jocoso, na idéia descabida, comecei a acreditar na própria invenção, e enquanto a Bê saiu do meu lado para fumar um cigarro na janela, eu acessei o site do Aeroporto Salgado Filho. Descobri que não haviam vôos para Córdova, teria, portanto, que pegar um avião de Porto Alegre para Buenos Aires, e de lá ir para Córdova.

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deveras pensante

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                Quinta-feira de muita chuva, quando acordei não estava tão frio, por sorte escutei a faxineira que me disse “leva um casaco garoto”, eu obedeci, como me foi ensinado a obedecer os mais velhos. Durante a vinda de ônibus para a universidade, olhando as nuvens escuras que se aglomeravam e também, outro pouco, olhando para o chão do ônibus com serragem para não ficar liso, para os meus pés calçando all-star e foi só isso.

                Estranho dizer “foi só isso”, é como se isso fosse um vazio, um espaço, um interlúdio, mas não, isso é, justamente, o todo, o preenchimento, o recheio de uma mente dispersa e incontida.  Cheguei a conclusão que minha mente é como uma empresa em desenvolvimento com um dono auto-suficiente.

                No início tudo era simples, uma empresa de pequeno porte, com produtos baratos e simples, fáceis de se fabricar e de vender, com apenas um sorriso se vendia de tudo, e também recebia donativos de empresas maiores, migalhas importantes pra construção do que viria.  Depois começou a expansão, abriu-se uma filial que exigia mais atenção e queria produzir produtos novos, diferentes da proposta inicial, e assim ela passou a ter mais autonomia. Sucedeu-se, então, que essa empresa exigia cada vez mais coisas extravagantes, queria produtos impecáveis, mas de pouca utilidade, ainda assim, foi crescendo de forma espantosa. Concomitantemente, a empresa original crescia, sua taxa exorbitante de informações e dados se transformava numa pilha diárias de laudas lidas e relidas e confundidas.

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