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	<title>Descompassado &#187; intimismo</title>
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		<title>Sutura a sanidade</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2010 21:39:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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		<category><![CDATA[esperança]]></category>
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		<description><![CDATA[&#201; preciso que eu me agarre a minha loucura Diariamente, como uma &#250;nica esperan&#231;a De sobreviver a essa mar&#233; que se avan&#231;a, Que se assoma sobre mim, na minha cura. . Tenho que entrar nesse antro interno, Apanhar esse punhado de tristeza Que sobe pelas paredes com destreza, Que esfria e no ver&#227;o faz mais [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://1.bp.blogspot.com/_kS1LqXGvo84/S9NRpBWXkBI/AAAAAAAAAUY/6VD7__VkqHg/s1600/caverna.jpg" alt="" width="560" height="420" /></p>
<p>&Eacute; preciso que eu me agarre a minha loucura</p>
<p>Diariamente, como uma &uacute;nica esperan&ccedil;a</p>
<p>De sobreviver a essa mar&eacute; que se avan&ccedil;a,</p>
<p>Que se assoma sobre mim, na minha cura.</p>
<p>.</p>
<p>Tenho que entrar nesse antro interno,</p>
<p>Apanhar esse punhado de tristeza</p>
<p>Que sobe pelas paredes com destreza,</p>
<p>Que esfria e no ver&atilde;o faz mais inverno.</p>
<p>.</p>
<p>Quero congelar entre as pedras frias,</p>
<p>Tran&ccedil;ar minha carne nessa imensid&atilde;o</p>
<p>Que se expande e se gela em como&ccedil;&atilde;o</p>
<p>Arrebentando e sangrando essas estrias.</p>
<p>.</p>
<p>&Eacute; que cres&ccedil;o parado, mais do que suporto,</p>
<p>E preciso me agarrar a uma neurose,</p>
<p>Orientar-me pela loucura que cose</p>
<p>A ferida aberta de um oceano natimorto.</p>

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		<title>Pensamento Viscoso</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Oct 2010 19:26:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[intimismo]]></category>
		<category><![CDATA[pensamento]]></category>
		<category><![CDATA[podre]]></category>
		<category><![CDATA[velho]]></category>
		<category><![CDATA[viscoso]]></category>

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		<description><![CDATA[. Pensamentos opacos que destilam E part&#237;culas de infindo cansa&#231;o Que se precipitam em outro ma&#231;o E terminam num ch&#227;o onde urinam. . O ontem vi&#231;oso virou velharia Agora que a alma escorre lentamente, A vida viscosa pesa obstinadamente Absurda, teimosa, como quem n&#227;o queria. . Contrariado, pesado, rastejava como uma hachura; Revirava o leite [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://farm3.static.flickr.com/2346/2077981709_f2fc6404e1.jpg" alt="" width="338" height="450" /></p>
<p>.</p>
<p>Pensamentos opacos que destilam</p>
<p>E part&iacute;culas de infindo cansa&ccedil;o</p>
<p>Que se precipitam em outro ma&ccedil;o</p>
<p>E terminam num ch&atilde;o onde urinam.</p>
<p>.</p>
<p>O ontem vi&ccedil;oso virou velharia</p>
<p>Agora que a alma escorre lentamente,</p>
<p>A vida viscosa pesa obstinadamente</p>
<p>Absurda, teimosa, como quem n&atilde;o queria.</p>
<p>.</p>
<p>Contrariado, pesado, rastejava como uma hachura;</p>
<p>Revirava o leite coalho no seu esp&iacute;rito de manteiga,</p>
<p>Queria saber quando veria verde a sua velha veiga</p>
<p>De terra escura, habitada por fantasmas da sua loucura.</p>
<p>.</p>
<p>Escorria como mel, mas seu gosto sufocava;</p>
<p>Ca&iacute;a lento e pegajoso,</p>
<p>Era roto e indecoroso;</p>
<p>Viscoso, seu sorriso ca&iacute;a e sempre amarelava.</p>

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		<title>Milan Kundera e a exist&#234;ncia</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 02:47:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Eu]]></category>
		<category><![CDATA[a insustentável leveza do ser]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[divagações]]></category>
		<category><![CDATA[intimismo]]></category>
		<category><![CDATA[milan kundera]]></category>
		<category><![CDATA[nietzsche]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Tenho sempre diante dos olhos Tereza sentada sobre um tronco, acariciando a cabe&#231;a Karenin, e pensando no desvio da humanidade. Ao mesmo tempo, surge para mim uma outra imagem: Nietzsche esta saindo de um hotel em Turim. V&#234; diante de si um cavalo, e um cocheiro espancando-o com um chicote. Nietzsche se aproxima do cavalo, [...]]]></description>
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<p><img class="aligncenter" title="Capa do livro A Insustent&aacute;vel Leveza do Ser" src="http://www.terracotabolsas.com/rato/imagens-blog/insustentavel%20leveza%20ser.jpg" alt="" width="360" height="500" /></p>
<p>&#8220;Tenho sempre diante dos olhos Tereza sentada sobre um tronco, acariciando a cabe&ccedil;a Karenin, e pensando no desvio da humanidade. Ao mesmo tempo, surge para mim uma outra imagem: Nietzsche esta saindo de um hotel em Turim. V&ecirc; diante de si um cavalo, e um cocheiro espancando-o com um chicote. Nietzsche se aproxima do cavalo, abra&ccedil;a-lhe o pesco&ccedil;o, e sob o olhar do cocheiro, explode em solu&ccedil;os. Isso aconteceu em 1889, e Nietzsche j&aacute; estava tamb&eacute;m distanciado dos homens. Em outras palavras: foi precisamente nesse momento que se declarou sua doen&ccedil;a mental. Mas, para mim, e justamente isso que confere ao gesto seu sentido profundo. Nietzsche veio pedir ao cavalo perd&atilde;o por Descartes. Sua loucura (portanto seu divorcio da humanidade) come&ccedil;a no instante em que chora sobre o cavalo. E este Nietzsche que amo, da mesma forma que amo Tereza, acariciando em seus joelhos a cabe&ccedil;a de um cachorro mortalmente doente. Vejo-os lado a lado: os dois se afastam do caminho no qual a humanidade, &#8220;senhora e propriet&aacute;ria da natureza&#8221;, prossegue sua marcha para a frente.&#8221;</p>
<p>- <em>A Insustent&aacute;vel Leveza do Ser</em></p>
<h5><em>(Retirado do <a href="http://pt.wikiquote.org/wiki/Milan_Kundera">http://pt.wikiquote.org/wiki/Milan_Kundera</a> )</em></h5>
<h1>♦</h1>
<p>Relembrando algumas coisas do Kundera, me deparei com esse trecho do livro A Insustent&aacute;vel Leveza do Ser. Li esse livro quando ainda fazia faculdade de Direito em Cruz Alta, provavelmente em 2005. Marcou-me muito o estilo de escrita, o conte&uacute;do t&atilde;o intimista e filos&oacute;fico, foi o primeiro livro do Milan Kundera que li, e foi &agrave; partir desse que virei f&atilde; do autor e li tudo dele que caiu nas minhas m&atilde;os at&eacute; agora.</p>
<p>O trecho est&aacute;, obviamente, descontextualizado, contudo, o importante, no momento, &eacute; a id&eacute;ia principal e inicial que ele me traz &agrave; mente, e uma conclus&atilde;o quase l&oacute;gica e escatol&oacute;gica (sim, isso mesmo).</p>
<h1>♦</h1>
<p>O ser humano, essa enorme peste que habita o planetinha, transformou-se num parasita de primeira, e isso &eacute; irrefut&aacute;vel, s&oacute; n&atilde;o enxerga quem tem demasiado orgulho de se sentir humano, quando, na verdade, poder&iacute;amos excluir o ‘humano’ e ficar apenas com o ‘ser’, um vivente pouco pensante.</p>
<p>Pois bem, mergulhado em diversas divaga&ccedil;&otilde;es, terminei por entender que, de fato, o que mais me encanta na humanidade &eacute; essa capacidade t&atilde;o pouco explorada de cair na “loucura” e deixar que sensa&ccedil;&otilde;es, emo&ccedil;&otilde;es e pensamentos tenham vaz&atilde;o, da forma que vierem &agrave; superf&iacute;cie, sem retalia&ccedil;&otilde;es imediatas da mente, sem preconceitos.</p>
<p>Ao deixarmo-nos sentir e pensar o que se &eacute; levado a sentir e pensar no momento, sem se penitenciar por isso ou aquilo ser feio ou proibido, &eacute; que teremos a oportunidade &uacute;nica de observar quem somos, o que somos, como fomos nos construindo ano ap&oacute;s ano e qual a idiossincrasia que vai nos por em contato com nossa pr&oacute;pria cabecinha (n&atilde;o a de baixo).</p>
<h1>♦</h1>
<p>Acontece que tudo &eacute; t&atilde;o feio e digno de repress&atilde;o hoje. Ao passar por um negro mal vestido na rua um n&atilde;o pensa nada, outro pensa em segurar bem sua carteira, outro ainda pensa em linchamento, mas quem est&aacute; errado? Quem est&aacute; certo? Cada um passou por experi&ecirc;ncias &uacute;nicas e sabe (na verdade n&atilde;o sabe, mas seu inconsciente deve saber) porque, instintivamente, age de tal forma.</p>
<p>Como um thelemita, me obrigo, a contragosto, a citar uma frase do L&iacute;ber AL vel Legis: “A palavra de pecado &eacute; restri&ccedil;&atilde;o”. Cada um sabe o que carrega dentro de si, e s&oacute; ter&aacute; luz para analisar o que h&aacute; em seu c&eacute;rebro quando deixar que as coisas venham &agrave; superf&iacute;cie.</p>
<p>Nietzsche sentiu algo incr&iacute;vel e irrefre&aacute;vel na cena descrita no trecho acima, assim como a personagem Tereza com o c&atilde;o Karenin. E &eacute; assim, no limite, quando somos jogados ao extremo do colapso e desestrutura&ccedil;&atilde;o, que temos a ferramenta necess&aacute;ria para jogar luz ao &acirc;mago e perceber o que h&aacute; em n&oacute;s de t&atilde;o humano (ou louco, se preferir).</p>
<h1>♦</h1>
<p>Particularmente, acho muito mais interessante aquela pessoa que percebe seus conflitos e os trata como parte de si e n&atilde;o do mundo, prefiro aquele que se olham sem medo &agrave;queles que t&ecirc;m suas unhas cravadas no bra&ccedil;o da poltrona com medo de sair de frente da televis&atilde;o.</p>

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		<title>sensa&#231;&#245;es &#225;ridas</title>
		<link>http://descompassado.com/sensacoes-aridas/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Dec 2009 23:49:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[aridez]]></category>
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		<description><![CDATA[&#201; a nudez do meu corpo que mostra aonde est&#225; alma que deixa as cicatrizes contarem onde estive que deixa as formas falarem de quem sou das vit&#243;rias e das derrotas &#201; o corpo nu, numa grama intocada a natureza e s&#243; a natureza como ela sabe ser sem medo, sem pudor, sem bem ou [...]]]></description>
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<p>&Eacute; a nudez do meu corpo</p>
<p>que mostra aonde est&aacute; alma</p>
<p>que deixa as cicatrizes contarem onde estive</p>
<p>que deixa as formas falarem de quem sou</p>
<p>das vit&oacute;rias e das derrotas</p>
<p>&Eacute; o corpo nu, numa grama intocada</p>
<p>a natureza e s&oacute; a natureza como ela sabe ser</p>
<p>sem medo, sem pudor, sem bem ou mal</p>
<p>Na grama tocando meus p&eacute;s</p>
<p>no corpo sentindo o vento gelado duma noite crua</p>
<p>eu ouvi meu esp&iacute;rito conversar com as estrelas</p>
<p>e eles falavam de mim</p>
<p>e eles estavam tensos</p>

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		<title>1, 2 e 3 numa noite</title>
		<link>http://descompassado.com/1-2-e-3-numa-noite/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Dec 2009 01:27:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[intimismo]]></category>
		<category><![CDATA[introspecção]]></category>
		<category><![CDATA[tristeza]]></category>

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		<description><![CDATA[1 Eu tenho tanta vida que tudo ficou pesado Sem ser como o resto dos mortos que pensam que vivem mas boiam Eu afundei, na mais profunda correnteza do oceano Por ter tanta vida e ter ficado pesado, afundei 2 N&#227;o sei mais bem o que &#233; confundo o cansa&#231;o com a tristeza pode ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<p>1</p>
<p>Eu tenho tanta vida que tudo ficou pesado</p>
<p>Sem ser como o resto dos mortos que pensam que vivem mas boiam</p>
<p>Eu afundei, na mais profunda correnteza do oceano</p>
<p>Por ter tanta vida e ter ficado pesado, afundei</p>
<p>2</p>
<p>N&atilde;o sei mais bem o que &eacute;</p>
<p>confundo o cansa&ccedil;o com a tristeza</p>
<p>pode ser um, pode  ser outro</p>
<p>pode ser ambos</p>
<p>j&aacute; nem percebo mais os limites entre sono e vig&iacute;lia</p>
<p>&eacute; tudo um constante caminhar frio e cego</p>
<p>e eu continuo confuso: cansa&ccedil;o ou tristeza?</p>
<p>3</p>
<p>Vem um ver&atilde;o mais gelado</p>
<p>n&atilde;o sei bem se &eacute; l&aacute; fora, penso que n&atilde;o</p>
<p>trago no peito o inverno tardio</p>
<p>que n&atilde;o termina h&aacute; anos</p>
<p>&agrave;s vezes ele traz vinhos</p>
<p>&agrave;s vezes traz cigarros</p>
<p>noutras a aridez</p>
<p>vem um ver&atilde;o pra combater meu inverno</p>
<p>mas e se o ver&atilde;o for gelado?</p>

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		<title>Ca&#231;a-bilhetes II</title>
		<link>http://descompassado.com/caca-bilhetes-ii/</link>
		<comments>http://descompassado.com/caca-bilhetes-ii/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 02:01:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[intimismo]]></category>
		<category><![CDATA[introspecção]]></category>

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		<description><![CDATA[Tinha os olhos prontos para a desgra&#231;a E tinha as asas abertas para o v&#244;o ao abismo Era cr&#244;nico em pensar no infinito Era uma s&#243; hora o tempo todo, a hora que desistia Possu&#237;a o dom do contr&#225;rio, era n&#227;o nas afirmativas, era sim nas negativas Era um adjetivo deslocado, o mais &#237;mpio dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<p>Tinha os olhos prontos para a desgra&ccedil;a</p>
<p>E tinha as asas abertas para o v&ocirc;o ao abismo</p>
<p>Era cr&ocirc;nico em pensar no infinito</p>
<p>Era uma s&oacute; hora o tempo todo, a hora que desistia</p>
<p>Possu&iacute;a o dom do contr&aacute;rio, era n&atilde;o nas afirmativas, era sim nas negativas</p>
<p>Era um adjetivo deslocado, o mais &iacute;mpio dos insensatos</p>
<p>Era um substantivo tresloucado, o mais infame dos descabidos</p>
<p>Tinha a boca e os ouvidos cheios de pregui&ccedil;a</p>
<p>Afundado</p>
<p>Infundado</p>
<p>Um trem desviado</p>
<p>Tinha os olhos vermelhos</p>
<p>Prontos pra desgra&ccedil;a</p>

]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Parte Terceira</title>
		<link>http://descompassado.com/parte-terceira/</link>
		<comments>http://descompassado.com/parte-terceira/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 23:48:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interlúdio]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[angústia]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[intimismo]]></category>
		<category><![CDATA[introspecção]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[                Mais por impulso do que qualquer outra coisa eu disse em voz alta, vou pra C&#243;rdova. Nisso n&#227;o havia nada de instrospectivo, nada de premeditado e nenhuma inten&#231;&#227;o, ao menos consciente, era puro e simples impulso despretensioso.                 A B&#234; me olhou com olhos que n&#227;o eu n&#227;o soube entender, ent&#227;o perguntou se eu [...]]]></description>
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<p>                Mais por impulso do que qualquer outra coisa eu disse em voz alta, vou pra C&oacute;rdova. Nisso n&atilde;o havia nada de instrospectivo, nada de premeditado e nenhuma inten&ccedil;&atilde;o, ao menos consciente, era puro e simples impulso despretensioso.</p>
<p>                A B&ecirc; me olhou com olhos que n&atilde;o eu n&atilde;o soube entender, ent&atilde;o perguntou se eu estava falando s&eacute;rio. Falando s&eacute;rio? Eu n&atilde;o sabia se me levava a s&eacute;rio tamb&eacute;m, resolvi prosseguir na id&eacute;ia sem dar muito cr&eacute;dito ao que dizia, respondi que sim. Dessa vez vi que ela ficou s&eacute;ria.</p>
<p>                Depois de persistir, meio jocoso, na id&eacute;ia descabida, comecei a acreditar na pr&oacute;pria inven&ccedil;&atilde;o, e enquanto a B&ecirc; saiu do meu lado para fumar um cigarro na janela, eu acessei o site do Aeroporto Salgado Filho. Descobri que n&atilde;o haviam v&ocirc;os para C&oacute;rdova, teria, portanto, que pegar um avi&atilde;o de Porto Alegre para Buenos Aires, e de l&aacute; ir para C&oacute;rdova.</p>
<p>                Virei para a janela onde a B&ecirc; estava fumando, ela olhava para fora, pensando sabe-se l&aacute; no que. Eu comecei a gostar da id&eacute;ia de viajar, contudo, provavelmente por medo, n&atilde;o queria ir sozinho, aceitaria de bom grado a companhia dela.</p>
<p>                Aquela noite n&atilde;o dormi direito. &Eacute; engra&ccedil;ado como uma novidade muda a vida de um homem, talvez esse seja o segredo para que se mantenha o &acirc;nimo, se n&atilde;o se age com &iacute;mpeto, com ousadia, buscando novidades, submerge-se nos p&acirc;ntanos viscosos do t&eacute;dio e do marasmo, e l&aacute; se morre pouco a pouco. Eu estava morrendo quando percebi isso, e como quem segura a corda de algum her&oacute;i, eu estava extasiado para ser jogado para fora da minha fantasia interna.</p>
<p>                Liguei para minha fam&iacute;lia avisando que &agrave;s 14h40 voaria para Buenos Aires. Informar a eles, e n&atilde;o pedir, parecia meio estranho, e, devo dizer, sentiram-se at&eacute; aliviados quando disse que viajaria e que iria acompanhado da B&ecirc;. H&aacute; tempos eles ficam felizes quando digo que vou sair de casa, fazer pequenas aventuras, n&atilde;o gostam de me ver trancado no meu quarto, chegaram a me oferecer um dep&oacute;sito na minha conta, mas disse que n&atilde;o precisava, que tinha economizado um bom dinheiro “trancado em casa”.</p>
<p>                Acordar com olhos de aventura &eacute; como renascer, &eacute; como tornar a ser crian&ccedil;a, e assim se reconhece a alegria como algo de si, a minha, por&eacute;m, erguia-se t&iacute;mida por detr&aacute;s dos morros de inseguran&ccedil;a, timidez e impaci&ecirc;ncia. Depois que a ang&uacute;stia toma uma alma para si &eacute; dif&iacute;cil florescer algo mais, ela &eacute; como um parasita; mas essa aurora foi diferente, nela eu vi o sol como uma estrela, seis raios iluminavam um amanhecer depois dos dias de chuva.</p>
<p>                N&atilde;o havia muita coisa pronta para uma viagem dessas, n&atilde;o posso dizer que quando embarquei estava pronto, &agrave; vontade com a B&ecirc;, nem que n&atilde;o pensava em desistir. Por&eacute;m, estava ansioso, divididamente ansioso, e resolvi que j&aacute; n&atilde;o era hora de parar. Ao entrar no avi&atilde;o essa ansiedade excessiva passou, e consegui dormir boa parte da viagem.</p>
<p>Pouco conversei com a B&ecirc; durante o v&ocirc;o. Ela me parecia animada e resoluta, decidida. Aos poucos, desde ontem quando decidimos a viagem at&eacute; o momento, ela foi se revelando diante de mim como uma pessoa que eu n&atilde;o conhecia, fui retirando, lentamente, a n&eacute;voa das minhas mem&oacute;rias e expectativas de, atrav&eacute;s dela, resgatar um passado, e assim fui enxergando com mais clareza. Duas pequenas almas juntas numa jornada demasiadamente inusitada, e se a raz&atilde;o n&atilde;o nos cobria a alma, o esp&iacute;rito trazia energia para seguir em frente. Eu balan&ccedil;ava dentro de mim e contemplava o universo imenso que havia no &acirc;mago.</p>
<p> </p>
<p>[V&aacute; para: <a title="V&aacute;lvula de Escape" href="http://mairathums.com/parte-terceira/" target="_blank">V&aacute;lvula de Escape</a>]</p>

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		<title>pobre Werther</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Mar 2009 03:07:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
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<p>Essa semana li Os Sofrimentos do Jovem Werther, do Goethe, escritor alem&atilde;o. O livro, escrito na forma de cartas que o pr&oacute;prio Werther redige na maior parte, deixando (um pouco) esse formato perto do final, quando mais detalhes acerca da psique do personagem s&atilde;o necess&aacute;rios, conta a hist&oacute;ria do nosso Jovem, um rapaz destoante dos costumes da &eacute;poca, da aristocracia, do h&aacute;bito e das burocracias.<br />      Werther estava em conflitos com a sociedade em que vivia, e resolve morar numa cidade longe de sua fam&iacute;lia e conhecidos para se dedicar &agrave; pintura, o que n&atilde;o acontece. O que, de fato, sucede-se &eacute; de o jovem se apaixonar por Carlota, uma bela rapariga que perdeu sua m&atilde;e h&aacute; algum tempo e, desde ent&atilde;o, tomara o papel de cuidar da casa e de seus irm&atilde;os para si. Claro que todo conte&uacute;do sobre Carlota nos &eacute; fornecido pelo pr&oacute;prio Werther, que,  (repito) apaixonado, n&atilde;o hesita em enaltecer a angelicalidade da mo&ccedil;a.<br />     Sabe-se desde o in&iacute;cio que Carlota &eacute; noiva, e mais tarde o pr&oacute;prio Werther conhece o noivo, Alberto, por quem nutre uma amizade quase t&atilde;o grande quanto a que tem para com Carlota, e mesmo amanda descomedidamente essa mulher, ele acompanha o casal em in&uacute;meros passeios, conversas e refei&ccedil;&otilde;es. Ah, pobre Werther, suportar tantas prova&ccedil;&otilde;es contra seu amor. Com o realismo, &eacute; &oacute;bvio que Carlota se casa com Alberto, e, aos poucos, Werther vai sendo afastado do casal, seu comportamento se torna mais arredio, tempestuoso.<br />     Juntemos, agora, os fatos: longe da fam&iacute;lia, sem conseguir produzir o of&iacute;cio ao qual deveria se dedicar, revoltado para com os prceitos sociais da &eacute;poca e, acima de tudo, seu amor rejeitado, de certa forma, por Carlota.  O final &eacute; &oacute;bvio, e se pra voc&ecirc;, meu n&atilde;o t&atilde;o bom entendedor, isso n&atilde;o foi o suficiente, aconselho que leia o livro.<br />     Tanto fogo e inconst&acirc;ncia na alma de Werther podem ser, facilmente, trazidos por identifica&ccedil;&atilde;o a n&oacute;s mesmos. O jovem vai se metendo cada vez mais por uma caminho negro e sem volta. Ouvi dizer, ou li, que o livro havia sido proibido por alguns anos quando foi editado, pois o fizeram bem, o leitor mais desavisado pode, facilmente, ser guiado como aqueles primeiros leitores dos finais do s&eacute;culo XVIII, terminando como um peru.<br />     Em minhas leituras tenho notado uma grande divisa no intimismo e profundidade ps&iacute;quica e filos&oacute;fica dos livros pr&eacute; e p&oacute;s Nietzsche. Explico: antes, tratava-se mais de paisagens, ambientes, cores e afins; depois, de pensamentos, causas, sensa&ccedil;&otilde;es, emo&ccedil;&otilde;es, etc. Os Sofrimento do Jovem Werther, no entanto, fogem ao padr&atilde;o do que li at&eacute; hoje da &eacute;poca, e, por que n&atilde;o, at&eacute; mesmo do pr&oacute;prio Goethe, pois, ainda que subjetivamente, traz uma enorme carga emocional.<br />     Havia lido esse livro quando era adolescente, achei certo rel&ecirc;-lo, aproveitar melhor com o que conhe&ccedil;o hoje, e jurei para mim nunca mais pensar em l&ecirc;-lo outra vez. &Eacute; perigoso. Portanto, meu caro leitor, sinceramente, se n&atilde;o se sente muito alegre, nem comece a leitura, n&atilde;o quero perder um dos poucos que me visitam.</p>

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