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Vergonha: Acordo Militar entre Brasil e França

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     Mais de vinte bilhões de reais (R$20.000.000.000,00) para um acordo militar NO BRASIL! Sério, alguém me diz que parte das aulas de história e geografia eu perdi, ou alguém me situa no que diz respeito às políticas internacionais atuais, porque eu não estou entendendo o que acontece.

     O Brasil é um país com riquezas únicas, todos sabemos, mas da desigualdade social, da fome, da corrupção, das mortes na fila de espera dos hospitais, da situação tenebrosa do SUS, do desemprego, da tecnologia, das favelas, so saneamento básico, etc., disso tudo parece que algumas pessoas lá de cima, do comando do país, parecem ter esquecido. Gostaria, sinceramente, que isso fosse uma grande piada; gastar vinte bilhões em helicópteros e submarinos é, no mínimo, uma complicação psíquica de quem fechou o acordo, uma demência, ou burrice mesmo.

     Há tempos atrás escrevi sobre os gastos de algumas nações na indústria bélica( http://descompassado.com/combate-a-fome/ ). Com aqueles números, com as tecnologias que nações como os EUA e China possuem, uma nova grande guerra no planeta duraria, sendo otimista, uma semana, depois disso teríamos pó e pó, carbono, enxofre, ou nem isso mais, apenas átomos dispersos, caóticos, se chocando ao acaso na atmosfera.

     Investir em armamentos como submarinos num país onde a violência nos faz ficar com medo dia e noite é estupidez declarada. Por que não gastar 10 bilhões, então, em equipamentos e cursos de capacitação para as polícias do país, e usar os outros 10 bilhões para pagar salários mais altos por um tempo, até normalizar tudo. Talvez pegar um pouco disso para um projeto social de fiscalização nas câmaras dos senadores e deputados, evitando as falcatruas e desvios que já se tornaram rotineiros nos nossos jornais.

     Sério mesmo, não consigo aceitar a idéia de comprar helicópteros e submarinos militares. Parece que o Lula está compensando uma infância traumatizado pela falta de brinquedos, e agora compra aqueles que o dinheiro pode lhe dar, brinquedos de luxo, pois serão tão somente isso, brinquedos de exibição no próximo sete de setembro. Enquanto o povo está contente com as bolsas esmolas do governo, esses gastos bélicos serão camuflados com a farda do exército brasileiro, que, na minha opinião, há muito já está maculado com a inação, com a corrupção, com a inutilidade e com o sangue de muitos homens de bem.

     São tantos os pensamentos que se debatem na minha cabeça querendo voar para essas paralavras, debatem-se como insetos na luz, que me perco. Minha indignação, claro, é voltada principalmente para os estúpidos governantes deste país sem rumo, que abusam dos seus cargos e os usam de forma egoísta; no entanto, minha indignação se estende àqueles que nem sequer sabem do que se trata este texto, daqueles que não sabem quem são os podres da nossa Brasília, daqueles que se preocupam mais com o final da novela das oito e com a seleção brasileira do que com o destino do país.

     Pão e circo funciona até hoje, e por falar em circo, quem vai ver os brinquedinhos novos no próximo sete de setembro (se eles forem entregues até lá).

Fragmentos de Gertrud

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Hermann Hesse - Gertrud

HESSE, Hermann. Gertrud. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.

“Afinal de contas, é insensato indagar assim da felicidade ou infelicidade, pois penso que mais dificilmente renunciaria aos dias infelizes da minha vida do que aos alegres”

“O que um homem é para si e o que vive interiormente, de que maneira se torna outro e cresce e adoece e morre, tudo isso é inenarrável.”

“Acompanhei-a, penalizado, com o olhar; e, durante muito tempo, não me livrei mais daquela visão. Seria eu, deveras, um ser inteiramente diferente de todos eles, de Marion, de Lotte, de Muoth? E aquilo seria, realmente, amor? Eu as via todas, essas criaturas de paixão, cambalear como arrastadas pelas tormentas e flutuarem no desconhecido: o homem, torturado, hoje, pelo desejo, amanhã, pelo fastio, amado sombriamente e rompendo brutalmente, inseguro de qualquer inclinação, descontente com qualquer amor; e as mulheres, arrebatadas, suportando ofensas e pancadas, por fim enxotadas e, contudo, ainda agarradas a ele, aviltadas pelo ciúme e pelo amor repelido, numa fidelidade canina. Naquele dia, pela primeira vez, desde muito tempo, eu chorei. Chorei lágrimas de indignação e de ira por essas criaturas, pelo meu amigo Muoth, pela vida e pelo amor; e lágrimas silenciosas e secretas por mim mesmo, que vivia em meio a tudo isso como num outro planeta, que não compreendia a vida, que ardia em sede de amor e que, no entanto, devia temê-lo.”

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Pensei em escrever um texto bonitinho, ajeitadinho, que nem filhinho de vovó, com as bochecha bem gorduchas. Porém, percebi que não combinava.
Então, será que um texto raivoso, iracundo, cheio de indignação e palavrões não seria melhor? Também não, palavras ainda estão faltando.
Resumamos, ora, pois: tô apavorado com o mundo.
Leia o jornal, assista ao noticiário, enfim, escolha o meio de comunicação, ou, melhor, vá ao centro da cidade e fique assistindo, ou na frente de onde mora… escolha o seu método. Anote quantas barbáries verá, quantas idiotices, quantas hipocrisias e tiranias.
Entretanto, os jornais são mais divertidos: capitalismo desenfreado, mortes, acidentes, tragédias, caos. Intervalo: COMPRE!
Repito:
- Tô apavorado com o mundo.

estrelas

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Vivemos como se dançássemos… o bom e velho rock’n’roll. Comemoramos nossa própria indignação, avivamos a chama de qualquer sentimento, elogiamos o inimigo, pois, assim, maior é a nossa vitória.
Saímos sob as estrelas, bebemos em nome da própria vida, comemoramos a nós mesmo, e tudo o mais que estivermos com vontade. Nascemos pra fazer filosofia, de bar, de vida, pobre, fingida, ébria e esquecida…esquecida.
Fumamos, a fumaça nos faz recordar a etérea esperança de retornar ao etéreo. Voamos em pensamento, nos comprazemos diante de qualquer brilho de beleza, de força, seja sob a forma que quiser se manifestar.
Dançamos parados, nossos pensamentos são tão rápidos e altivos quanto uma águia… são águias. Mas eles que são, nós mesmo ainda não, por isso eles podem ter um horizonte muito mais amplo pra vislumbrar, mas nós teremos um dia, todos eles, toda singular vastidão de cada um, são profundos e leves.
Somos de nós, somos para nós, só depois nos damos, nos engrandecemos. Somos viajantes, renovadores, novos, mutáveis e voláteis; somos a águia e a serpente, o fogo e a água, de tudo que há, escolhemos o nosso, e aquele é o nosso pão, nada mais… nada mais.
E já é muito.

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