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Vende-se

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O Radiohead, sempre inovador, sempre diferente, mesmo sem, talvez, ter vontade consciente disso. A banda lançou um álbum na internet e, pra variar um pouco do normal, cada um deve dar seu preço de compra. Enfim, uma coisa nada convencional até então.
Pergunto-me, ao ver uma coisa desse tipo, quanto pode valer a música? Temos um preço, mais ou menos, tabelado dos CDs atualmente, já nos acostumamos à pagar por isso, ou à baixar gratuitamente, mas, se você fosse o músico, quanto iria querer por seu trabalho? Quanto deveria valer aquele disco que contém uma parte da tua alma e grande parte do teu tempo?
Sejamos, agora, um pouco mais delicados. Se fosse um pintor, por quanto venderia suas telas? Aliás, realmente as venderia ou as guardaria todas, sua crias, filhas da tua imaginação e talento, conjugado de várias idéias e esforços do teu ser.
Escrevo, não sei se posso me chamar escritor, talvez muito menos poeta, mas afirmo: não saberia ofertar meus escritos, não saberia quanto cobrar por eles, eximiria de mim este peso, que ficasse com a editora essa responsabilidade.
Acredito que, no fim das contas, o que realmente importa, ao menos para amadores como eu, é o prazer de desabar em palavras, ou sua arte particular, mostrar sua anímica fragmentação e ser lido, ser decorado, ser citado, ser levado a sério, sendo isso bom ou não, gostem ou odeiem.
Voltando ao Radiohead, que não é das minhas bandas favoritas, mas merece respeito, faz música boa, de qualidade. O que eles gostariam de ganhar? Quanto eles mesmos pagariam pelo álbum recém lançado? Ninguém vende seu filho…bom, talvez se pagarem bem…

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Deixava-te livre
Tu, pois, não retornava
Fazia-te jogos
Tu, pois, nem os percebia
Era vazio e vencido
Por um leve cansaço
Tratava-te rainha, ou então, ignorava
Tu nem idéia fazias, muito menos ideavas
Era teu primeiro, do início ao fim
Da luxúria à castidade
Da versátil vulgaridade
À ignóbil indiferença fingida
Era teu, de corpo e alma
Corpo e alma…

O ósculo da vida

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Ele tentava largar, queria soltar a vida, desvencilhar-se dela. Esta, porém, insistia em agarrar-lhe as pernas, impedia-lhe os movimentos, cingia com seus braços de esperanças a mente dele e o fazia acreditar em possibilidades.
Lá adianta ele caía novamente, um deus falho, uma desordem imprópria ao prometido pela Vida; ah, mas ela ainda o agarrava, queria o homem de qualquer forma, por inteiro, só pra ela… ela e suas esperanças.
A cada momento que ele pensava em desistir, e já havia (quase) desistido, ela, a megera vida, vinha depositar-lhe idéias de renovação, de novidades. Ah, e o pobre escutava os discursos, acreditava mais uma vez, e outra, e mais outra, sempre ponderando que nunca ela estivera certa, porém, persistia.
Ele queria fechar os olhos e descansar, mas a vida vinha lhe fazer cócegas, tirava-lhe a quietude, o silêncio era jogado para longe, a paz se tornava utopia.
Ele queria cair, mas logo no início da queda a vida vinha, com uma nuvem de algodão-doce, amaciar a queda, e fingia que tudo seria perfeito à partir dali.
Oh, pobre tolo é o homem, ainda luta contra vida, num amor e ódio indizíveis.
“O que escreve em máximas e com sangue não quer ser lido, mas decorado.” F. W. Nietzsche.

Um pouco do Zaratustra

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Tô lendo Assim Falou Zaratustra (F. W. Nietzsche). É impossível ler esse livro sem pensar, matutar, meditar…enfim, o que seja. Há uma atmosfera épica, bíblica, filosófica, catedrática (hoje estou adorando adjetivar), que não se explica, apenas se sente, na alma, no corpo, no espírito.
Não vou me aprofundar em muitos comentários por enquanto, ainda estou bem no início, mas algumas coisas já me chamaram a atenção:
Zaratustra fala, enaltece, o corpo sobre o espírito, e citarei, abstendo-me de comentários, por enquanto, algumas frases. “Enfermos e decrépitos foram os que menosprezaram o corpo e a terra, os que inventaram as coisas celestes e as gotas de sangue redentor; mas até esses doces e lúgubres venenos foram buscar no corpo e na terra. (…)E julgaram-se arrebatados para longe de seu corpo e desta terra, os ingratos! A quem deviam, porém, o seu espasmo e o deleite do seu arroubamento? Ao seu corpo e a esta terra.”.
Há, também, outra coisa interessantíssima, pois coincide com o que eu pensava, já sabia eu que minha idéia não era, de forma alguma original (mesmo que eu não a tivesse copiado de outro lugar antes); é acerca do deus que cria um mundo, como nós podemos ser deuses criando universos dentro de nós e como poderíamos ser apenas criações de um outro artista que chamamos de Deus, ou algo do tipo. Cito: “Obra de um deus dolente e atormentado me parecia então o mundo. (…) O criador quis desviar de si mesmo o olhar…e criou o mundo.”.
Enfim…faça sua meditação, tenha sua opinião, conclua. A si mesmo. ;)

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