Posts tagged hipocrisia
Ajuda humanitária (?) no haiti
6Até então preferi me abster de comentários acerca dos acontecimentos no Haiti. Preferi ficar calado por inúmeros motivos, contudo, ao assistir o Jornal da Globo News essa noite, vi algo que não me deixou mais ficar calado.
É incrível como o ser humano ainda é rudimentar, incipiente na arte de ser, de fato, algo digno de ser chamado ‘ser humano’. Primeiro porque é incrivelmente estúpido o argumento fanático-evangélico de que o Haiti sofreu tais catástrofes por um castigo de deus pela prática do vudu. Sejamos sensatos, meus caros evangélicos ou cristãos (ou sei lá o que) que se enquadraram nesse espaço, é preciso respeitar a crença alheia, e, no mínimo, saber um pouco antes de criticar. O vudu, assim como o candomblé, o espiritismo e outros, não é uma coisa do mau, aliás, o mau é coisa nossa, essa dicotomia (bem e mau) não deve existir, se falarem com deus como costumam fazer em alguns cultos, perguntem pra ele.
Inicialmente, fiquei indignado com esse empenho brasileiro em doar milhares de toneladas de alimentos e agasalhos (como se fizesse frio lá por aquelas bandas) e financiar a reconstrução de um país que já nasceu fadado ao insucesso (não que isso seja fator determinante).
Em primeiro lugar, nosso país já está fodido desmazelado o suficiente por si só. Os milhões doados para o Haiti poderiam ter sido empregados aqui, nas escolas que estão caindo aos pedaços, nas universidades mal equipadas, no salário dos professores, na segurança, e em tudo aquilo que estamos cansados de saber que o Brasil vai de mal a pior.
Essa síndrome de Madre Teresa vai além das poltronas putridamente habitadas lá no congresso, vai além do dedo que falta e da petralha russa, atinge nossas casas, nossos amigos, familiares, conhecidos, inimigos e toda sorte de pessoas que diariamente praticam a hipocrisia, a falta de caráter, o egoísmo e agora se condoem e se empenham em doar, como se isso os fizesse pessoas melhores.
Pois essa síndrome de Madre Teresa está encontrando um fim um tanto triste (mais ainda) lá no Haiti. Segundo o jornal da Globo News, haitianos fazem protestos nas ruas reclamando as doações que não lhes chegam, que ficam retidas nos chefes de estado. Parece que os que controlam as doações por lá estão cobrando dinheiro para dar cupons de retirada de alimentos. Isso é vergonhoso, e falo sendo um cidadão universal, não um cidadão brasileiro.
Se isso for verdade, espero que nenhum militar brasileiro esteja corroborando com tais sem-vergonhices, pois acredito que nossos compatriotas não teriam tamanha baixeza para agir dessa forma.
Fico bobo ao ver o que o ‘ser humano’ é capaz de fazer. Cobrar por comida que foi doada por milhares de pessoas para amenizar uma situação calamitosa. Essa pessoa deve deitar à noite e dormir um sono tranqüilo, sim, pois quem faz isso não deve ter consciência nenhuma para pesar.
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Após terminar o post, encontrei mais uma coisa bonita que foi feita: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1475746-6174,00-CONTEINER+COM+AGUA+DESTINADA+AO+HAITI+E+ROUBADO+NA+RDOMINICANA.html
Do natal, do aquecimento global, da neve, etc.
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Sim, agora temos neve no blog, por três motivos:
1- Eu gosto de inverno;
2- O Fagner pôs esse aplicativo, eu mal sei atualizar o blog;
3- Tenho medo do aquecimento global;
Agora temos aquela onda de comprações de presentes, um corre-corre selvagem que parece que o mundo vai acabar.
Na época da onda de Natal, que parece começar cada anos antes, as pessoas parecem esquecer de crise, esquecem da prestação do carro que está atrasada, do aluguel no fim do mês, da parcela da geladeira que comprou no meio do ano, etc. Tudo é relevado e mais presentes são comprados.
Cultivando uma cultura assim, qual a esperança de que exista um acordo verdadeiro lá em Copenhague? Bullshit!
Pão e circo funciona há mais de dois mil anos, não vai ser agora que isso vai parar de dar certo.
Como não temos futebol nessa época, então os especiais de fim de ano bombam na televisão, enquanto o povo come lentilha e arroz na sala, e o Roberto Carlos continua lá, quase um museu nos anos novos da rede Globo. Pão e Circo minha gente, pão e circo!
Recuso-me (hoje, porque meu humor ‘vareia’) a voltar aquele lance de descrever de onde veio o natal e tudo mais, mas serei sucinto em dizer: natal não é consumismo! (inclua um ‘porra’ indignado depois da palavra consumismo).
Tampouco é hipocrisia.
Sair na noite de natal ou ano novo é um saco maior do que o do Papai Noel, é um feliz natal de lá, um próspero ano novo de cá, e um pensamento que guardamos para nós mesmos: quem era aquele babaca?
Pessoas que mal cumprimentam na rua repentinamente tornam-se arautos das boas festas de fim de ano.
Eu que não abraço e nem fico desejando coisas boas pra todos que encontro, muito menos faço uma marcha pela paz quando, na verdade, sabemos perfeitamente que quando mexem no nosso apedrejamos essa mão intrometida.
Por isso a neve tá liberada aqui no blog de país tropical subdesenvolvido de terceiro mundo submerso por chuvas e esgotos trancados, porque tenho medo do aquecimento global, captou?
Marcha pela paz – Chapecó/SC
5Buenas, hoje é domingo, dia 13 de dezembro de 2009, são exatamente 16:46 da tarde. Não sei a quantas anda a ‘Marcha pela paz’ que está acontecendo aqui em Chapecó – SC. Pelo que entendi, o evento é uma união entre algumas igrejas para celebrar e incentivar a paz. Bonito isso, não é?
O que acontece, meus caros, é que dessa vez não é minha birra com essa vulgarização de deus e a popularização da preguiça mental, que vão disseminando a aceitação estúpida do povo pelo que lhes é dito pelos pastores e mestres espirituais. Não é birra minha, mas essa marcha pela paz é uma completa farsa, fogos de artifício, só pra aparecer, somente para os pastores poderem comercializar suas religiões com mais propriedade. Sinceramente, não confio nisso, não acho que tenha sentimentos sinceros por lá, e sei que não tenho muitos fatos pra apoiar o que digo, mas sustento mesmo assim.
Nesses últimos dias passei por diversos carros com os adesivos do evento referido. Nas vezes em que cruzei por esses carros enquanto dirigia fiquei admirado com a paz que esses sujeitos transmitiram. Não sei se é perseguição, sendo apenas comigo isso, ou se foi do momento, ou se (o que acredito ser a verdade) as pessoas que participam disso precisam compensar suas atitudes rotineiras com fogos de artifício, disfarçando o que deixam de fazer diariamente com alguns passos lentos e insignificantes.
Foram exatos nove carros que passaram por mim com esse adesivo enquanto eu dirigia, foram exatos oito motoristas destes nove carros que se comportaram como se estivessem num ‘monster truck’, cortando a frente dos outros, entrando em rótulas sem nem ao menos diminuir a velocidade, buzinando por coisas pequenas, e até um deles ficou me encarando ao cortar minha frente quando eu já estava percorrendo a rótulo, ah sim, perguntei-me onde estaria a paz do cara quando ele passou e eu percebi o adesivo.
Tudo bem que o trânsito em Chapecó é uma confusão, e a máxima ‘cuide com os tios chapeludos’ se aplica muito bem, mas então tire o adesivo e então comporte-se como o animal que é.
Marcha pela paz, acho que muitos ali deveriam ficar apenas marchando mesmo, sem tocar num volante, muito menos numa arma, e, se possível, consultem-se com um psicólogo pra entender melhor esse comportamento de compensação, talvez assim consigam perceber que suas falácias são pra disfarçar seus atos, na maioria cometidos tão conscientemente quanto um macaco faria.