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Parte Sétima
3O cansaço era grande, mas fiquei supreso ao perceber que logo depois que decolamos a Bê já estava dormindo. Parecia tranquila. Enquanto a viagem tomava ares de suspense para mim, o que parecia um simples ir, como se no caminho tudo fosse se esclarecendo, agora parecia que eu remava num oceano viscoso, gelatinoso, e que a noite ia caindo cada vez mais densa.
Contudo, foi bom que ela estivesse dormindo, pude abrir o pacote com calma e uma certa privacidade. Havia ali um baralho do Tarô de Thot, desenhado pela Frieda sob orientação do Crowley, as lâminas eram grandes e de cores vivas, ele estava envolvido num tecido aveludado preto. Havia alguns textos de instrução interna e rituais da Ordem, bem como alguns exercícios de meditação e uma carta de um Adeptus Major.
Na carta havia uma frieza enorme, nenhum tipo de encorajamento, congratulações, nada disso, e logo me repreendi por ter expectativas desse tipo, não deveria esperar nenhum elogio nem repreensão, ainda que esta última servisse bem. Com a roupagem thelêmica, a Ordem deixava seus membros relativamente livres sobre seus próprios caminhos. O irmão que escrevia assinava sob o pseudônimo de A., e dizia diretamente acerca de um irmão que estava há cerca de oito anos naquele templo para o qual eu me dirigia, me dava instruções de como me apresentar a ele e de como proceder para receber a iniciação nos mistérios que aquele homem guardava. Sentia meus dedos formigarem enquanto segurava aquelas folhas, parecia surreal, como poderiam saber sobre meus rumos? Parecia que cada passo meu era vigiado, e isso tirava de mim o conceito de que eu era vigiado unicamente por meu Ser Interno, e somente a Ele prestava contas.
Parte Sexta
3Era um olhar intenso, porém, desprovido de qualquer intenção perceptível, era frio e intrigante. Suas sobrancelhas arqueadas deixavam seus olhos ainda mais vivos, parecia uma mulher que beirava os quarenta anos, conservava em si uma beleza madura, mas era estranha.
Algo me atraía naquela mulher, não era propriamente a beleza dela, pois que ela não era, de fato, linda, mas tinha uma sexualidade que a denunciava como um halo sobre sua cabeça. Minha atenção era para sua expressão, que denunciava um segredo querendo ser contado, um mistério pedindo para ser revelado. Nessa atração incoerente eu me vi perdido. A Bê me olhou, pois havia diminuído o passo.
– Vou ali falar com aquela mulher. Eu disse a ela.