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É Fantástico

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E quem duvida ainda do sensacionalismo de primeira do fantástico?

Belchior foi viajar, segundo ele, há quatro semanas no Uruguai, mas pra rede globo ele já estava desaparecido, merecendo uma séria investigação do seu paradeiro.

S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L-I-S-M-O!!!

Eu ainda me admiro quando me pego dando créditos pra esse programinha. Ainda bem que a cada dia que passa tenho menos paciência pra televisão.

Uma salva de palmas pra incrível produção desse programa, do faustão, do didi, do zorra total, etc. Desse monte de porcaria que empilham nas cabeças do povo: ficando buuuuuuuuurro!!!!!

interlude

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Era hora fora de chão, rala, parca, era hora e havia em mim a combustão completa dos sentidos, eu era abstração, abstrato, absorto, pois que da queima restou ausência de mim manifesta em carbono e água, a liquidez de emoções estancadas, sensações estagnadas, num barco onde eu remava com pensamentos circulares.
Tinha cheiro de infância, aquele oceano, porém, era imóvel, suas ondas não me lançavam à frente nem me atrasavam. Eu via, sob as águas alvas, a ânsia imediata da criança cheia de vontade, e quanto mais essa criança crescia, mais vinha o adulto cheio de si, vazio de mundo.
Fiquei horas mergulhado nessa introversão caótica, e essas horas de minutos se tranformaram em dias de anos que não soube medir. Voltei de lá com as notas de timbre claro da infância, mas, como se fossem areia em minhas mãos, escorreram. As outras notas, as de hoje, porém, ficaram, seu timbre opaco formou uma harmonia densa, espessa e pegajosa, como se pesasse e grudasse em minhas mãos.
À grande hora do absurdo seguia-se um interlúdio para retornas às gentes. São, a mim, dois universos demasiadamente distintos, um habitado por anjos e arcanjos coloridos e cheios de poder, outro por tédios, banalidades e vilanias. Eu sou, ainda assim, bruto, um rude desencontrado, assistindo a minha comunicação falhar, faltar, para que me seja impossível compartilhar.
Quando é noite e a lua me visita, vou ao outro lado, e lá bebo e comemoro em gozo, pois desses prazeres aprendi a mestrar, e reger seus ritmos me agrada, porquanto o tédio não se me venha visitar novamente.
Sinto saudade da coxilha dos ventos, onde os trigais se balançavam em ondas harmônicas, simétricas, suaves, como se fossem regidos por Mozart, como se tivessem mãos para acariciar e acalentar minha alma. Hoje, afasto essa saudade com os afagos dum corpo igualmente suave, sutil, cheirando à óleo de castanha ou buriti, e ela a mim agrada o corpo, arrefece minha pele, e enterra os pensamentos circulares.
Quando, em mim, ela termina sua sede, eu ainda estou hirto, e minha sede nunca cessa, nunca cessará, é, pois, uma ânsia de infinito. Nela, entretanto, só vejo o gozo atendido, como uma criança, o corpo desfalecido em cansaço e suor, e ali está bem claro o limite, contrário ao meu infinito, e teimo comigo para circunscrever aquele pequeno planeta, e assim vou, tal um corpo celeste negro, um halo ao avesso, murcho flores, empalideço cores para alimentar de vida o monólogo daquela combustão, aumentar a chama com o carvão dos corpos que gemem e gozam em mim.
Era uma tarde de verão, e os vendedores de picolé cruzavam as ruas. Ela tomou em suas mãos um picolé mini-saia, até hoje o cheiro e o gosto me seguem, chupou o doce com vontade e gula insaciável. Acho que tomei para mim a parte do insaciável e deixei ela chupando o picolé como se quisesse de volta o que eu havia lhe tirado.
Esse escárnio que hoje vês em meu sorriso é a ironia que lanço ao espelho, pois são tão carente de mundaneidade quanto uma sombra de seu dono.
Ao conversar, olho nos olhos das pessoas, elas desviam o olhar constantemente, como se eu pudesse lhes roubar algo, bem que eu gostaria, mas o que desejo já lhes falta, e não foi tomado à força, mas esquecido numa fila, esperando. E seus globos são vagos, suas órbitas tangentes à verdade.
Quanto mais caminho pelos ermos do meu mundinho, quanto mais das minhas miudezas me torno consciente, tanto mais doloroso, demorado e inútil se torna meu interlúdio.
Que tal terminar a sonata e ir para o próximo ato?

e agora?

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Queria poder gravar todas as coisas lindas que escuto na televisão (leia-se rede globo), são tantas maravilhas que me surpreendem diariamente que fico assim, sem palavras.
Hoje, porém, não resisti, precisei vir aqui registrar. Foram tantos elos de ligação, tantas surpresas inesperadas, tantas entradas para dentro que hoje, ao ouvir um jornalista comentando sobre a reportagem nas palavras “caminhamos a pé”, senti-me saturado desse jornalismo sério e congruente.
Falarmos errado em conversas informais, tudo bem; errarmos em textos sem muita projeção, aceitável. Enfim, há uma série de erros permissíveis, mas todos os dias uma infinidade de bobagens sendo disparadas por uma das principais redes de televisão nacional se torna uma ofensa. Não há como, desta forma, exigir do povo que fale corretamente seu idioma, sedo que diariamente ouvem que ganharam de graça na promoção.
É indispensável o uso correto do português nos meios de comunicação, ao menos.
Acho que vou lançar uma campanha para esse bom uso lingüístico, vamos encarar de frente esse problema que atinge uma multidão de pessoas.
Apoiado?

carência de si, ou de mi

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Acho que foi no Zero Hora, li uma entrevista com a Fernanda Young. Primeiramente, devo elogiá-la pelo caráter, por ser ela mesma independente do que falam ou pensam, podem até não gostar dela, mas a sinceridade e retidão para consigo que ela tem, ou ao menos demonstra ter, deve ser parâmetro e exemplo para nós.
Aliás, quem tem visto o programa O Sistema, da rede Globo? Ela é escritora do programa, junto com, acredito eu, seu marido. Estou adorando, é uma viagem completa, uma ironia não muito forte, mas divertida, e piadas inteligentes ou, talvez, intelectuais.
Enfim, já ia me esquecendo o porque de ter citado ela. Retomemos: foi numa entrevista com ela que li sobre a “necessidade” dela de escrever, não vou lembrar exatamente os termos que usou nem os porquês mais precisos, o que também não vem ao caso.
Meus caros, e raros, leitores, este que aqui lhes fala compartilha da Sra. Fernanda Young no que tange a uma necessidade de escrever. Pois bem, vejamos, o ser humano sente uma necessidade de viver, é inquieto, insatisfeito, incompleto e inacabado. Não vejo muitas exceções a essa regra. Se mamíferos humanos são impelidos a viver como caçadores, antes de comida para sobreviver, hoje de qualquer coisa que os compraza, se há essa necessidade, e eu vejo nescidade nisso tudo, nessa imperfeição, nesse ser desajeitado e desorientado, se vejo tolice em grande parte das coisas que vejo quando estou são – seria muito mais sábio admitir sermos ainda animais completamente reacionários aos instintos e impulsos externos. Nesse sentido, e nessa tendência minha à exclusão, vejo a arte como um meio de propagar sentimentos intensos e pesados, aqueles que não vivo, pois se me apaixono não dura mais do que uma ressaca.
A certeza do que escrevo é estúpida, amanhã é incerta. Assim são os poemas incrivelmente negros: metamórficos e mutáveis. No que escrevo existem apenas possibilidades, mas dificilmente verdades completas (e verdade pela metade é mentira). Escapo por ali na minha vontade de viver intensamente, se há algo ali é inveja de não conseguir ser sempre desatento e superficial (por isso há o álcool, e, ainda assim, em doses altas).
Portanto, caro leitor, cuidado: sou ficcionista, romântico e irônico; uma verruga na vida da poesia. Quem me há de cauterizar? Sou animal, instintivo, e aqui expresso o que não é para que, ao menos finja, por alguns segundos, ser; afinal, como escreveu o Marcelo Camelo (ou o Rodrigo Amarante), “e alguma coisa a gente tem que amar, mas o que eu já não sei mais”. Além da família, amigos de verdade, eu mesmo, meu SAG e minha nódoa de razão desajuizada que chamam de poesia, não há nada mais para amar. Escrevo na necessidade de amar algo que não alcanço e não termino(a), pois sou animal insatisfeito.

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