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Abraços

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Ontem assisti alguma coisa na televisão que, pela primeira vez, me fez pensar a respeito do ato do abraço, do que ele representa pra uma pessoa em diferentes momentos de sua vida.

O abraço é uma expressão bastante popular, comum no dia-a-dia, por isso passa desapercebida, normalmente, sem que demos a devida atenção ao seu significado.

Abraçar uma pessoa é demonstrar carinho, é compartilhar do calor do corpo. O contato físico pode ser uma demonstração de afeto, e assim é o abraço. Ter-se envolto nos braços de alguém e sentir-se querido, confortado, é essencial pra qualidade de vida. Saber-se importante a ponto de receber um abraço apertado e sincero contribui para o bom-humor e auto-confiança, pois saber que se pode contar com alguém mais além de si nos dá segurança.

Existem pessoas que, em se vendo numa situação de aflição, carregando tristeza na alma, precisam tão somente de um abraço para tirar a armadura, desatar o nó na garganta chorar como se, naquele momento, toda sua dor fosse compartilhada, aliviada e compreendida. Na verdade, o que acontece não é o compartilhamento da tristeza, mas sim o da alegria, quem dá o abraço de conforto se regozija por trazer alívio ao outro.

O abraço de reencontro, com o amigo, com a família, com a namorada, que há tempos não via, aquele abraço que alivia a saudade, é único, é forte, como se se quisesse unir as alegrias de se estar junto. O abraço, quando espontâneo e natural, é verdadeiramente um remédio pra alma e demonstra de forma simples como a vida do ser humano deve ser compartilhada, retomemos aquela idéia de que “a felicidade só é real quando compartilhada”.

Ninguém realiza sua totalidade em completa solidão, ninguém se realiza sozinho. Desde o início da vida recebemos abraços, carinhos e atenção, somos crianças, somos mimados por um deus cheio de vontade de nos dar prazer, somos o próprio prazer, na instância que for, e estar presente em si mesmo em paz é se abraçar, e tenho certeza, uma pessoa que se abraça sabe abraçar o outro de forma muito mais sincera e calorosa.

A felicidade compartilhada

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“A felicidade só é real quando compartilhada

Com a frase acima termina o filme, de livro homônimo, Na Natureza Selvagem. Não vou entrar no mérito do livro porque não li, nem no do filme porque já o vi há tempos e não sou um especialista em cinema, só posso dizer que gostei muito.

A frase final do filme é bastante impactante, principalmente para quem presta atenção às coisas sutis da vida.

Somos, possivelmente, felizes sozinhos, pulando pra cá e pra lá entre pessoas, contudo, é uma felicidade contida, comedida, incompleta. É como quando amigos se encontram e contam os causos das suas vidas, as suas alegrias e vitórias, fazem isso não para se vangloriar e ostentar como se colocando acima do outro, pelo contrário, o amigo conta as coisas boas da sua vida, pois sabe que o ouvinte alegrar-se-á ao ouvi-las, compartilhando um pedaço da alma, do sentido dessa felicidade.

O homem que parte em busca de si mesmo, do auto-conhecimento, caminha por um caminho por vezes solitário, entretanto, deve retornar ao meio social de onde veio (salvo exceções), e ele o faz porque nenhum conhecimento da própria alma tem completude sem a vivência com aqueles que a vida pôs em seu caminho. O caminhante solitário só é sozinho em etapas decisivas, o guerreiro não luta uma guerra sozinho.

Eu vivencio isso o tempo todo, quando encontro uma banda nova que acho legal, ou um vídeo divertido para alegrar uns minutos da vida de um amigo vou correndo para mostrá-lo, quero que compartilhe da minha alegria.

Ter pessoas com quem se possa compartilhar momentos de ócio, ou não-ócio, sem nada para fazer além de ser companhia é fundamental, sejam essas pessoas familiares, amigos ou namoradas.

Talvez isso seja uma necessidade muito primitiva do homem, talvez seja herança da evolução da espécie, ou ainda, um imperativo do âmago do ser, disso que chamamos alma e não sabemos definir, desconhecemos e até, por vezes, desprezamos, mas está sempre lá para nos lembrar o que somos e, se necessário, nos infligir crises internas para que nos reencontremos, e é aí que entram os companheiros de jornada, e é aí que entendemos que a felicidade só é real quando compartilhada.

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