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nightmist
2Enquanto te abraço, no teu sono,
É como um lento gozo diáfano,
Onírico, dos meus anseios.
E tu tens um riso comedido
Que me absorve os sentidos,
Beijo-te os lábios unidos
Nesse teu cansaço rendido.
Bocas, peles e cheiros se confundem,
E teu som é sempre harmônico,
Nessas notas tuas fico afônico,
E ao te tocar meus dedos tremem.
Tens o teu encanto de prazer,
E quanta memória não se apaga,
Da tua mão que hoje afaga
Outro homem e meu doer.
thelema, existencialismo e outras
1Tu não tens o dever de ser sempre feliz;
Tu não tens que ser bem sucedido;
Tu não tens que ser bonito;
Tu não precisas ser simpático;
Tu não precisas ser otimista;
Tu não tens nenhuma obrigação de ser o melhor;
Tu não necessitas te importar com os outros;
Tu não tens que ser sempre bem-educado;
Tu não tens que rir;
Tu não precisas de ninguém;
Tu não tens direitos;
Tu não tens deveres;
Tu não necessitas de nada, se assim o quiseres.
E agora, sem precisar ser feliz ou bem sucedido ou etc., ficou difícil né?
Se tu vives pra alguma dessas coisas, dá-me uma razão pra que eu possa refutá-la. A vida é insustentável, a beleza é efêmera, a inteligência é masturbação mental, e o sexo é instinto. Bichos, bichos, bichos…
A vida é insustentável.
(re)trato
3Sou desequilíbrio na corda bamba,
Um melancólico na roda de samba,
Enchendo minhas idéias de vento.
E um nó me aperta e cinge,
E só, vejo tudo que se passa,
Na indiferença se faz disgraça;
E o poeta finge que finge.
Grito em bemol para um mundo surdo,
Imagino o que há além dessas paredes
De galáxias ou pensamentos verdes,
Fora de estação, como eu no mundo.
E se tua mão me fosse estendida
Sei que não cairia, e o nó soltaria,
Calando o grito numa aurora em euforia;
Ah, se tua mão me fosse estendida.
tic doesn’t tacs
1Daqui sinto tua tristeza,
Posso ver tuas lágrimas cadentes,
A mim não explicas o que sentes
Pois eu o sei, com certeza.
Importa-me nada o quão custoso
Poderia ser fechar tuas chagas,
Expelir essa fumaça que tragas
Ainda num pretérito indecoroso.
Ai de mim se tiver ido ao distante
O brilho terno que em ti eu via,
Que culpa não me caberia
Por tal mazela desaforante.
duas personagens x dois sentimentos = 4 versos
1Prazer, em inoperância total
Eis que me afasto do teu abraço;
Recolhe teus laços, teus elos de aço,
E me deixa nu em dia de temporal.
E ali, sem saber sobre sossego,
Sou sombra sem sol, conforme
Aos ventos do deus disforme
Desses dias que me achego.
[Animae:]
E da imparcialidade da natureza
Aprendi do sexo em mais amantes
Que poderia ter tido quando antes
Era a distante estrela de frieza.
E, se se queima a chama dum gozo de prazer,
Eu rolo ereto em fêmeas entranhas,
E as suas partes não me são estranhas,
São luz e vida, um mundo a me comprazer.


