Posts tagged Eu

Ao abismo indecifrável

0

Acima do prédio, ele estava no parapeito do terraço. Olhava para baixo, apenas algumas luzes na avenida movimentada ele conseguia observar, pois, além da enorme altura em que estava, o vento gelado fazia seus olhos lacrimejarem, atrapalhando a visão.
Como disse, ventava, muito, gelado. Seus cabelos voavam desordenadamente, e até em sua barba sentia o vento. Absorto em um mundo impensável, ele percebeu novamente seu corpo por um frio na espinha. Ao acordar de seus devaneios, tirou a camiseta e a soltou de lá mesmo, para o chão.
Assistiu a queda daquele pedaço de tecido, não muito barato. Ia caindo sem direção certa, às vezes flutuava um pouco, mas normalmente ia sendo tragado pelas rajadas. Lembrou-se de sua vida, sempre fora carregado como aquela camiseta, inerte e impotente, seguia a corrente, descaracterizado de si mesmo, vivera às custas das decisões alheias. Fantoche, robô, respondia a estímulos externos sem reagir por si, cada escolha fora feita por influência de seus pais.
Impotente!! Gritava para si mesmo.
Impotente!! Gritava para o mundo, sabendo que ninguém lhe escutaria.
Em um acesso de fúria, voltou ao centro do terraço, correndo, tremendo, não pelo frio que sentia, mas pelo sentimento inominável. Era indecifrável para si mesmo, um mundo de infinitas possibilidades, e ele temia sua própria infinitude. Pegou um tijolo que estava lá, provavelmente pela construção ainda incompleta de um jardinzinho, e o jogou na torre de antenas. O bloco bateu nas grades de ferro e se despedaçou, estilhaços se espalharam pelo ar.
“Minha consciência é o conjunto desses estilhaços: se todos juntos, sou impassível e letárgico; entretanto, quando provocados por uma ação, separa-se em milhares de pensamentos, consciências difusas dentro de mim mesmo, perco o foco, fico inócuo, inconcusso. O inferno se estabelece em mim, perco-me. Paranóia!!”
Juntou um pedaço grande do tijolo. Rabiscou no chão uma frase:
“Ao mundo indecifrável, devoro o fogo que me consome, conquisto minha independência”
Pensava que aquela era a primeira e última vez que tomava uma decisão por si só.
Largou o bloco. Levantou-se, algumas lágrimas, estufou o peito como um guerreiro que enfrentará sozinho uma tropa. Correu até o parapeito e, no ato mais covarde, como ainda teve tempo de reconhecê-lo como tal, saltou contra a vida.
Segundos, milésimos de segundos, antes de perder a consciência, percebeu a infantilidade de sua atitude. Questionara-se: se foi capaz de tal ação, do que mais não seria capaz? A maior das covardias alicerçada numa intransponível coragem.
Caiu, já inconsciente, sobre o meio fio da calçada.
Finado Mr. Money.

Honey, …

1

Estranho e cinza o dia nasceu;
Bom, como eu disse que seria.
Nem tanta alegria caberia,
- Precisaria dum sonho teu.

Para o brilho teu,
Não há referência possível:
Olhos de luz incrível.
- Preciso dum sonho teu.

Doçura, mel sobre-sentido,
Sabes, não se pode dizer;
O que posso, então, fazer:
Deixar algo subentendido.

Sobre palavras – palpitação,
Exaltação.

Seja tato, realidade, palpável,
Passionalmente insustentável.

Ganha o dia…ou mais.

Simples assim

1

Deixe-se perder, consciência vaga,
Inexata na tua insanidade,
Desencontrada em tanta idade;
Surge-me, pois, mais uma chaga.

À noite, pensei estar curado
Dessa cósmica maldição,
Que se me traz desolação:
Meu espírito, meu nobre fardo.

Dói-me a alma inconstante:
Aquieta tua imensidão,
Permite-me ser são.

- São sombras incessantes
Saboreando-se sobre mim,
Assim, só, simiesco arlequim.

Fora

1

Sentir-se desconvidado,
Eternamente um estorvo.
Toda as culpas, eu as absorvo.

deixe aqui seu título, se lembrar

0

“Abençoados os que esquecem, pois aproveitam até mesmo seus equívocos.” Nietzsche

Precisa-se de comentários? Sei que tinha pensado em algo, mas esqueci.
Assim tem sido ultimamente, esqueço tão rápido que to começando a adotar um caderninho de anotações e até mesmo este pútrido blog, além de um frágil, superficial e estúpido diário, só pra lembrar do que, provavelmente, deveria esquecer.
Não é ato falho, não condeno nada do que penso ou faço. É falta de atenção mesmo, displicência com minha mente, ou excesso de álcool…alguma dessas coisas, não todas, senão…ahm, sei lá.
Enfim, quero esquecer todas lembranças ruins, cultivando apenas o que aprendi com o experimentado. Quero esquecer, por certo prisma, das lembranças agradáveis, pois suas constates re-ocorrências em minha mente, uma saudade inócua, causam-me o desespero da impotência diante do tempo, a não ser quando recorro as minhas teorias misturando Einstein, Física Quântica, Kepler, Magia e filosofia, não necessariamente nessa mesma ordem.
Sabe, apesar de tudo, considero-me abençoado, pois já não tenho muita noção do que escrevi acima, mas sei que minhas memórias causam sensações que permito que me causem…tão insensível esse idiota…deve esconder alguma coisa guardada no seu miocárdio. Mas deixa esquecer disso.
Ame a vida, ou seja ao menos apaixonado por ela: por enquanto é tudo que você tem.

Page 31 of 32« First...1020...2829303132
Go to Top


Faça parte da nossa comunidade no Facebook
basta clicar em "Curtir".