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Na hora morta
0Quando pensei abandonar a mim mesmo
No delírio da hora morta
O engano era tão somente erro de percepção
Eu me agarrava a mim como uma criança
E quando pensava estar me desprendendo
Antes da Parte Primeira
3Acordei sem despertador, algum barulho nos vizinhos me despertou. Já eram onze horas da manhã, o dia estava nublado, morno, com eletricidade no ar, obviamente teria temporal mais tarde. Sentei na cama com as mãos apoiando o corpo nos lados. Olhava para o chão, ou para meus pés, ou para o nada. Sentia-me suspenso, não necessariamente vazio, mas minha nota não soava, era latente.
Depois de checar meus e-mails, tomei um banho e me arrumei. Nem orkut, nem twitter, nem nada me atraía hoje. Resolvi almoçar fora, sentia fome, mas tinha preguiça de comer, também não queria lugares movimentados, sinto uma ressaca social, uma fobia crescente que me afasta mais e mais.
Almocei um sanduíche de atum no Sanduba, no centro da cidade. Depois, dei uma volta no centro aproveitando o ar morno que soprava. Comprei um café e continuei caminhando, agora acompanhado de um cigarro. Eu ainda era a mesma casca que acordou, eu ainda estava latente.
da tônica
3
À caminho de casa eu me perdi, então sentei sob toldo nenhum, sobre pedra alguma, e comecei a pensar: quem mesmo?
Lembro que nasci em Cruz Alta – RS, depois eu esqueci, agora estou em Santa Maria – RS. Mas quem mesmo?
Fui bastante, hoje sou muito, mas muito pouco. Ainda assim, pra preencher o bastante que fui, me encho de nadas.
re-pousa em ti
1Sim, eu te vi, e tu estavas linda
E era de ti que eu esperava minha felicidade
E é em ti que eu pouso minhas ilusões
Pois me é tão doce tua imagem, e tão alva tua presença
Ai de mim se sentisse de novo tua respiração
Se esse sopro pousasse em minha pele, eu seria reticências
Sim, eu te vi, e poderia ficar te olhando se suportasse pousar meus olhos nos teus
Porque se assim acontecesse, eu estaria trancado, eu ficaria preso
Em teu cárcere eu moraria de boa vontade
Porém, na minha alma eu sinto medo da gaiola
Assim, fingi não ter visto
neo aliteração de ti
2Ai que me esgotam as palavras e o tato
Se ao menos minhas letras em ti deitasse
Formaria o poema mais belo se deitasse
Em ti minhas palavras, ai mas me falta tato