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Viscosidade da vida
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Fluidos, de uma maneira geral, podem ser identificados como gases e líquidos, a maioria de vocês deve lembrar disso e de alguns conceitos que serão apresentados no texto, são conceitos introduzidos no ensino médio e, para alguns, complementados e aprofundados no ensino superior.
Pois bem, os fluidos têm uma propriedade chamada Viscosidade (dinâmica ou cinemática). Viscosidade pode ser facilmente visualizada quando citamos dois exemplos: água escorrendo e mel escorrendo. Qual o mais viscoso? Obviamente o mel, né?
O mel é, sim, mais viscoso, isso quer dizer que ele tem resistência interna para fluir maior que a da água. O atrito que existe dentro da estrutura do próprio fluido é determinante disso, ou seja, quanto maior o atrito interno maior a viscosidade do fluido.
Essa propriedade de viscosidade é influenciada pelas interações intermoleculares do fluido, e essas, por sua vez, são diretamente influenciadas pela temperatura. Fica mais fácil de entender usando exemplo: se você pegar o mesmo mel e aquecer, ele vai escorrer muito mais facilmente, ou seja, maior a temperatura menor a viscosidade.
Tá bom, Christian, vai ficar dando aulinha de fluidos agora? Não, calma aí que a viagem tá chegando.
Nossos pensamentos fluem, costumamos dizer, mas o que faz com que, de tempos em tempos, nos sintamos mais ou menos criativos? Mais ou menos inteligentes e atentos?
As ideias, por vezes, parecem escorrer amargamente devagar em nossa mente, parecem grudar em cada sinapse, em cada neurônio, e vão tão lentamente que ficamos inaptos ao desenvolvimento intelectual satisfatório (sim, tenho me sentido assim, por isso do texto).
Quando os pensamentos demoram a escoar por nosso sistema nervoso, ficamos apáticos cerebralmente, algo assim, não entendemos as coisas, nos faltam insights, nos falta luz nas ideias, clareza em tudo.
Seria, essa viscosidade, uma conseqüência de alguma frieza dentro de nós? Quero dizer, como se baixássemos a “temperatura” de algo dentro do nosso ser, e isso trouxesse o infeliz resultado da diminuição do rendimento intelectual?
Ou então, sendo mais atual, poderíamos traduzir os vários tipos e níveis de estresse como o “atrito interno” do nosso fluido de pensamentos, e assim, nossas ideias ficariam mais pegajosas, nojentas, pesadas et Cetera?
É fato, não se pode negar, o estresse (não aquele que chamam atualmente de “estresse saudável”) compromete nossas faculdades mentais, físicas e espirituais, tudo fica distante e barulhento, nos tornamos barulhentos e caóticos de dentro pra fora, ficamos viscosos.
Porém, o que fazer para consertar esse escoamento que traduz nossa vida?
É sabido que exercícios físicos têm a propriedade de esquentar nosso corpo, nossas relações e nossa saúde, melhora muito o rendimento em vários níveis, em vários aspectos. Mas vamos além disso: mudar, quebrar a rotina, rir mais, ler, estudar, trabalhar diferente, ou seja, se reinventar diariamente parece modificar essa estrutura “intermolecular”, facilitando o escoamento das ideias, melhorando a fluidez dos pensamentos.
Ai ai, esse texto foi fluindo tão bem que nem parece que tenho andado meio viscoso, como sempre, vai pro ar sem revisar, o escoamento não volta atrás, desculpem-me se fui ficando desconexo, mas sabem como é, a entropia vai acontecendo e…
E acho que isso fica pra outro dia.
Mas antes: como você tem andado, viscoso como o mel ou como a água?
Fim de semestre, ou surto final
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Eu tenho uma veia pulsando freneticamente na minha têmpora esquerda. É amigo, não é copa do mundo, é final de semestre, dias em que grande parte das twittadas são sobre provas, notas, desesperos e câimbras no cérebro. E as arvres somos nozes.
O interessante dessa época pra quem faz faculdade é que acaba se apercebendo do quanto tudo muda de uma hora pra outra. Repentinamente, os “nãos” para as festas começam a dominar nossa boca, as noites começam a se encher mais e mais de café e uma nostalgia não sei de que… tá bom, eu sei, daqueles tempos de temas de casa, notas 9,5 no boletim e mamãe fazendo comidinha e chamando “filho, vem jantar”.
Depois que as semanas de provas, trabalhos e relatórios, passa (ok, vamos incluir nisso a semana dos exames) uma espécie de alívio inunda o corpo e o espírito, uma leveza quase transcendental se apodera de nós, e uma cerveja tem o gosto do vinho de Baco e da orgia dos deuses do Olimpo.
Qual o limite que um estudante suporta no fim do semestre? Quero dizer, o que separa o estresse normal do surto total? Não conheci, até agora, essa ruptura com a sensatez, não sou muito desesperado com notas e coisas afins, faço o que dá com o mínimo de esforço (sim, sou meio preguiçoso) e não costumo sacrificar minhas horas de lazer e bem-estar. Mas me vejo, algumas vezes, à beira de um lapso cognitivo, quando o cérebro pára, o sistema límbico parece mais altivo e inexorável e o sistema nervoso autônomo assume a bronca e toca em frente o corpo pra cama dar uma descansada.
É, meu caro, mesmo sem jogo hoje as vuvuzelas não param, parecem um dos quatro cavaleiros do apocalipse, tocando infernalmente sua melodia terrível, aumentando a força dessa pulsação na têmpora esquerda… e eu que tenho que estudar ainda.
Ai meus sais… fim de semestre é isso, não é?