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Da consciência

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Esse post foi feito no dia 08 de novembro de 2009, no entanto, esse tema me ocupa tanto espaço de tempo na minha vida e esse vídeo me impactou de uma certa forma que achei interessante e pertinente postá-lo novamente.

Porque viver e apenas passar vivendo, sem se questionar, sem se investigar de dentro pra fora, de fora pra dentro, pelo ocultismo, pela magia, pela filosofia, pela psicologia, pela física, etc, é inútil.

Segue o post do dia 11/08/09:

Primeiramente, se você não assistiu ao vídeo, assista antes de continuar lendo, sei que é compridinho, mas veja.

Desde que me conheço por gente, questões como o que somos, o que fazemos, por que isso e aquilo, e acredito que toda criança é assim, alguns crescem e deixam as perguntas para trás, vão se moldando mais práticos, objetivos, ainda que essa objetividade seja empregada em besteiras, enfim, não vem ao caso agora.

O interessante é que além das questões que fazia inconscientemente a mim mesmo, e hoje parece que eu era especialmente guiado a isso, existiam as sensações, semelhantes àquelas que Jill Bolte falou da “Terra da Alegria”, sentia-me conectado às coisas ao redor, às árvores, aos pássaros, a minha família, aos cheiros da comida da minha mãe, aos desenhos na televisão, ao vento, etc.; essa conexão não era um simples gostar e admirar, isso eu tenho muito claramente até hoje, mas era uma espécie de fusão, eu experimentava deixar o meu eu e era junto do objeto em questão (difícil de explicar).

Como podemos, então, ir largando aos poucos isso tudo e, além de perder essa habilidade, afogar as memórias de que fazíamos isso tão naturalmente quanto caminhávamos (ou só eu tinha essas sensações?)?

Não tenho propriedade nenhuma para falar de neuroanatomia, contudo, juntando tudo que já li e experimentei, pode-se entender porque a música e as artes em geral têm um importante papel em nossa vida, conectando nossos hemisférios. Viver em sociedade, atualmente, exige muita objetividade, praticidade, mecanicismo, e isso vai nos afastando do hemisfério que nos faz experimentar a sensação de unicidade com o mundo.

A questão que abordei dias atrás aqui sobre acordar as pessoas também pode ser inserida nesse contextos.

No entanto, temos as luzes apagadas, temos as cabecinhas programadas, e somos relapsos e displicentes, ignoramos.

Até hoje experimento a sensação de ser fluido, muito maior que o meu próprio corpo, me junto ao vento, à eletricidade de um dia de tempestade, às bolhas de ar que os pingos de chuva formam numa poça, ao barulho da chuva. Não quero falar de espiritualidade (ainda que me sinta atraído a isso), quero falar das impressões físicas, da validade disso tudo como realidade, de como isso que parece tão ínfimo é responsável pela formação mental e emocional, como as histórias pessoas vão se construindo dos miúdos dos dias, dos momentos, das sensações.

Há tanto para dizer e tanta falta de habilidade para isso. O texto foi confuso, e assim que eu queria que fosse. Não existem ideias organizadas no momento, só jogo informações. O estudo dirigido vem mais tarde.

Por enquanto, leia também o texto que me pôs em contato com o vídeo postado acima: http://somostodosum.ig.com.br/clube/c.asp?id=20085

Parte Oitava – Interlúdio

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Chegamos no templo naquele dia, completamente vazio o lugar, completamente vazia minha alma, esta, porém, não de uma forma triste ou melancólica, era um vazio racional, mais para a compreensão, mais para a presença de tudo em vez do nada.

Acreditava-me em plena aventura agora, oscilando entre humores e pensamentos contraditórios, quase excludentes.

Enquanto caminhávamos pela entrada de chão batido, cercada por uma grama extremamente verde, eu lançava olhares superficiais para as folhas que me foram entregues. E foi nessa distração proposital que paramos em frente a uma cabana. Em pé, na frente da porta, estava um senhor de uns cinquenta anos, com barba por fazer há mais de uma semana e cabelos compridos, ruivos, presos. O homem tinha cerca de um metro e oitenta de altura, tinha aparência vigorosa e sorridente.

A Bê percebeu a presença dele antes de mim, e já se adiantou em direção a ele, que a cumprimentou calorosamente: certamente sabia da nossa visita. Eu cheguei logo em seguida para cumprimentá-lo. Ele falava um portunhol forçoso, tinha sotaque de britânico nos seus erres e vogais.

Ali, naquele momento único, eu percebi onde tudo se ligava. Das raízes de Thelema, do instrutor ao discípulo, eu acabara de ser enviado para a cidade das minhas mais íntimas pretensões, ali encontraria o triunfo sobre meus anseios ou a desistência mais inexorável.

- Como tu cresceste, Daniel, lembro-me de quanto íamos na tua casa, nas festas de final de ano, eu e minha esposa. Seus pais nos eram muito amigos antes de se mudarem, e eu enxergava, desde o dia em que reparaste na minha aura, que tu tomarias tal caminho.

- Então você conhece meus pais? Mas eu não lembro de você, nem da sua esposa. Disse isso meio desconfiado, tentando disfarçar o receio da minha voz, com insucesso.

- A Marta conheceu tua mãe quando foi fazer a matrícula do nosso filho no colégio, tua mãe estava lá fazendo a tua. Uns dias depois eu conheci teu pai em uma reunião, logo ficamos chegados, e eu sabia que não era coincidência, na época não soube avaliar minha responsabilidade nessa empresa, mas hoje consigo enxergar.

Olhou-me com olhos de alegria, olhou para a Bê logo em seguida.

Eu me senti estranhamente em casa, despido de coisas desnecessárias que há tempos vinha carregando, era o vazio mais profundo e completo que poderia experimentar, lembrei da história do monge que “acordara” para o mundo espiritual quando recebera um tapa de seu mestre, como as coisas podiam ser simples e corriqueiras, tanto que, normalmente, nas confusões da nossa rotina, passam por nós desapercebidas.

Convidou-nos para entrar antes de nos apresentar o lugar, nos ofereceu chá e alguns biscoitos. Ele percebeu meu olhar de curiosidade para o salame pendurado ao lado da geladeira. Eles tinham luz lá, e ele me explicou que nem todos eram vegetarianos, santos, monges, budistas, algumas pessoas simplesmente passavam alguns dias de descanso por lá, assim como nós.

Enquanto colocava um tênis, falou, como quem comenta fatos diários, que eu deveria decorar algumas passagens dos papéis que me foram entregues, também foi sucinto ao citar as práticas que deveriam ser realizadas, impreterivelmente, ao nascer do sol, ao meio-dia, ao pôr-do-sol e à meia-noite, a prática constava no Liber Resh vel Helios, e que em uma semana eu deveria receber o próximo grau da ordem em uma cerimônia mágicka.

Eu lembro daquela semana como a mais viva de todas que tive até hoje, a mais cheia de cores e de sons, de cheiros e de sensações, e a perfeição disso tudo se misturava às obrigações mágicas e aos deveres domésticos daquela parte do templo. Tudo era um imenso ritual, cheio de significado por todos os lados.

O transe de uma situação muito bem preparada é terrivelmente superior ao transe obtido por acaso numa exaltação momentânea do espírito. Nunca terei subtraído de mim as visões e vozes daquela noite, minha consciência superlativa, um poder quase sobrenatural, e minhas noites jamais tiveram o mesmo gosto de intervalo, de morte.

Continuo sem coragem de comentar sobre essa viagem com qualquer pessoa que não seja a Bê, nem mesmo perguntei aos meus pais acerca do britânico Alexander, casa com a brasileira Marta, contudo, às vezes me parece que eles sabem de tudo, às vezes me parece que muitas outras pessoas sabem, e penso que estou constantemente sendo vigiado e preparado para uma prova maior.

[Veja também: Válvula de Escape]

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