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Parte Oitava – Interlúdio

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Chegamos no templo naquele dia, completamente vazio o lugar, completamente vazia minha alma, esta, porém, não de uma forma triste ou melancólica, era um vazio racional, mais para a compreensão, mais para a presença de tudo em vez do nada.

Acreditava-me em plena aventura agora, oscilando entre humores e pensamentos contraditórios, quase excludentes.

Enquanto caminhávamos pela entrada de chão batido, cercada por uma grama extremamente verde, eu lançava olhares superficiais para as folhas que me foram entregues. E foi nessa distração proposital que paramos em frente a uma cabana. Em pé, na frente da porta, estava um senhor de uns cinquenta anos, com barba por fazer há mais de uma semana e cabelos compridos, ruivos, presos. O homem tinha cerca de um metro e oitenta de altura, tinha aparência vigorosa e sorridente.

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Parte Quarta

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                Olhar para dentro de si com uma paisagem como a que podíamos ver em Buenos Aires era, no mínimo, disperdício do momento. Quando descemos do avião, no aeroporto ainda, vimos aquele movimento de pessoas notavelmente diferentes no modo de se vestir, de se portar, era, como diziam, a Europa da América do Sul.

                Pegamos um Taxi até o centro da cidade, sem um lugar específico para ficar. No caminho passamos por praças com gramados verdes e bem cuidados, um ar de liberdade pairava no ar. O clima estava bom, nem quente nem frio, sem chuvas. Era sábado, pessoas passeavam pela rua com os cachorros, numa das praças vimos um grupo de pessoas praticando kung-fu ao ar livre.

                Descemos perto da Casa Rosada, então caminhamos até a Praça de Maio, onde um rapaz tocava violão e cantava músicas dos Beatles com um sotaque bastante peculiar. Ele era bastante afinado, mas apenas umas poucas pessoas paravam para ficar assistindo.

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quero acordar sendo galáxia

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Flui como um mistério

Corre como um desatino

Vem pensamento e sai palavra

E eu nem percebo o que me é dito

Pois é através de mim que falam

E essas palavras não são minhas

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Parte Segunda

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                Tirei as mãos da mesa como se tirasse os pés do chão, não sabia o que sentir, se era saudade da minha casa, da minha família, da adolescência, dos amigos ou das festas, ou de tudo, ou simplesmente de nada, numa mistura de sentimentos complexos, feridos, não superados. Tirei as mãos da mesa como quem busca uma corda para se agarrar, tirei as mãos e abanei para ela vir sentar conosco. Era incerto fazer isso, era incerto abanar, era incerto viajar até Porto Alegre, não era certo ser assim, despersonalizado, descompassado.

                O Lúcio era muito mais amigo dela do que eu, ainda assim, eu parecia mais interessado na presença dela, talvez porque eles se encontram quase toda semana. Na verdade, eu não me interessava muito por ela, perguntei se estava tudo bem mais por educação, gostava da sensação que ela me trazia, duma volta ao passado seguro e intenso. Nessas lembranças mudadas, memórias deturpadas, eu repousava fiel à minha imaginação, e então estava em paz.

                Logo o Lúcio terminou de comer e embarcou mais na conversa, e eu, gradualmente fui me reservando novamente, a ansiedade inicial passara, a saudade também, já estava ficando, novamente, entediado e ausente. Olhei para o lado, várias pessoas rindo, e tive vontade de sentar com elas, de fumar um cigarro, de perguntar o que elas faziam, como agiam, como olhavam para si, etc. Eu queria saber da alma, do espírito, e acabara de passar a noite mais comum, aquela com a qual, durante anos, mais me acostumei, e hoje já parece estar se distanciando de mim. Eu já não estou mais lá.

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do escrever

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           Tenho uma ânsia de escrever da alma, do espírito, do universo e da vida, de coisas assim, mas que minha ânsia não limita ao escrever. Quero, um dia, quem sabe, ter tanta propriedade e sabedoria em minhas palavras para que alguma outra alma venha a utilizar alguma passagem do que digo como uma citação.

        Nietzsche dizia que não escrevia para ser apenas lido, mas para ser decorado, talvez devesse acrescentar que também deveria ser compreendido, de cabo à rabo. Pois eu diria algo semelhante, gostaria de ter escrito inúmeras das frases e dos textos maravilhosos que já li em minha vida, como os fragmentos do livro Gertrud que postei anteriormente, como frases do Assim falou Zaratustra do Nietzsche, entre outros.

     Quando leio Fernando Pessoa, mais precisamente Alberto Caeiro, sinto uma enorme vergonha de ter a pretensão de me chamar poeta (até mesmo pseudo-poeta ainda me é pesado). Queria ter escrito cada linha do Guardador de Rebanhos, assim, quando leio esse livro, sinto-me em casa, como se retornasse a mim mesmo por alguns segundos.

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