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	<title>Descompassado &#187; espírito</title>
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		<title>Sutura a sanidade</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2010 21:39:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[caverna]]></category>
		<category><![CDATA[esperança]]></category>
		<category><![CDATA[espírito]]></category>
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		<description><![CDATA[&#201; preciso que eu me agarre a minha loucura Diariamente, como uma &#250;nica esperan&#231;a De sobreviver a essa mar&#233; que se avan&#231;a, Que se assoma sobre mim, na minha cura. . Tenho que entrar nesse antro interno, Apanhar esse punhado de tristeza Que sobe pelas paredes com destreza, Que esfria e no ver&#227;o faz mais [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://1.bp.blogspot.com/_kS1LqXGvo84/S9NRpBWXkBI/AAAAAAAAAUY/6VD7__VkqHg/s1600/caverna.jpg" alt="" width="560" height="420" /></p>
<p>&Eacute; preciso que eu me agarre a minha loucura</p>
<p>Diariamente, como uma &uacute;nica esperan&ccedil;a</p>
<p>De sobreviver a essa mar&eacute; que se avan&ccedil;a,</p>
<p>Que se assoma sobre mim, na minha cura.</p>
<p>.</p>
<p>Tenho que entrar nesse antro interno,</p>
<p>Apanhar esse punhado de tristeza</p>
<p>Que sobe pelas paredes com destreza,</p>
<p>Que esfria e no ver&atilde;o faz mais inverno.</p>
<p>.</p>
<p>Quero congelar entre as pedras frias,</p>
<p>Tran&ccedil;ar minha carne nessa imensid&atilde;o</p>
<p>Que se expande e se gela em como&ccedil;&atilde;o</p>
<p>Arrebentando e sangrando essas estrias.</p>
<p>.</p>
<p>&Eacute; que cres&ccedil;o parado, mais do que suporto,</p>
<p>E preciso me agarrar a uma neurose,</p>
<p>Orientar-me pela loucura que cose</p>
<p>A ferida aberta de um oceano natimorto.</p>

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		<title>Mundos ideais</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Sep 2010 22:19:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eu]]></category>
		<category><![CDATA[espírito]]></category>
		<category><![CDATA[idealização]]></category>
		<category><![CDATA[mundo]]></category>
		<category><![CDATA[platônico]]></category>
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<p><img class="aligncenter" src="http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/assuntusdiversus.bloguepessoal.com/images/gd/1237395550/Um-lindo-dia-de-sol.jpg" alt="" width="600" height="450" /></p>
<p>Todos n&oacute;s idealizamos uma esp&eacute;cie de mundo ideal, n&atilde;o um lugar dos sonhos, ainda que um sonho represente perfeitamente bem aquilo que, teoricamente, queremos.</p>
<p>Passamos dias, meses, anos imaginando, detalhando, aprimorando e destruindo um lugar que nos parece ser perfeito, uma situa&ccedil;&atilde;o queria o m&aacute;ximo da poss&iacute;vel a uma vida experimentar nessa encarna&ccedil;&atilde;o e um estado de esp&iacute;rito perfeito, harmonicamente din&acirc;mico.</p>
<p>Pois &eacute; justamente a&iacute; que reside o principal e mais real (e, provavelmente o mais terr&iacute;vel) erro: o estado de esp&iacute;rito, a disposi&ccedil;&atilde;o an&iacute;mica.</p>
<p>Se prestarmos aten&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o incont&aacute;veis as vezes em que o ideal se apresenta na nossa frente, nos d&aacute; a m&atilde;o e nos convida para um passeio. Est&aacute; tudo perfeito, tudo &oacute;timo, e a vida &eacute; s&oacute; caf&eacute;, flores, sol e amor.</p>
<p>Isso acontece repetidas vezes, muito mais do que somos capazes de avaliar e entender, simplesmente acontece e n&oacute;s deixamos passar. Ou ficamos assistindo, ou deixamos escapar por desleixo, ou ainda, largamos da m&atilde;o do perfeito e vamos em busca de outra coisa.</p>
<p>Nosso estado de esp&iacute;rito &eacute; como as cinzas de um cigarro fumado no s&eacute;timo andar em um dia de vento: saem voando sem rumo certo, e v&atilde;o se despeda&ccedil;ando, virando part&iacute;culas cada vez menores at&eacute; que deixamos de enxergar.</p>
<p>O vento rasgou o dia e levou as cinzas.</p>
<p>A vida rasgou nossa for&ccedil;a e levou nossa const&acirc;ncia, somos esp&iacute;ritos inconstantes e medrosos, e &eacute; por isso que h&aacute; a necessidade de construir um novo mundo ideal toda vez que outro, que j&aacute; n&atilde;o serve mais, &eacute; destru&iacute;do ou alcan&ccedil;ado.</p>
<p>N&atilde;o &eacute; a insatisfa&ccedil;&atilde;o que nos move, &eacute; o medo.</p>
<p>Viver de caf&eacute; e flores, sol e sexo, rock and roll e risos.</p>
<p>Os mundos plat&ocirc;nicos v&ecirc;m e v&atilde;o, mas a nossa maior habilidade &eacute; ser constante em nossa inconst&acirc;ncia. Mudar, mudar e mudar e nunca mudar de verdade.</p>

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		<title>tenho o costume de andar pelas estrelas</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Jun 2010 21:15:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[deus]]></category>
		<category><![CDATA[espírito]]></category>
		<category><![CDATA[estrelas]]></category>
		<category><![CDATA[homem]]></category>
		<category><![CDATA[planetas]]></category>
		<category><![CDATA[universo]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho o costume de andar pelas estrelas E de correr pelo espa&#231;o como um deus E s&#243; quando trope&#231;o e caio que entendo - sempre serei mais humano do que gostaria Tenho a mania de brincar com esp&#237;ritos Dan&#231;amos, cantamos e brincamos o tempo todo E &#233; quando me canso e eles continuam ativos Que [...]]]></description>
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<p>Tenho o costume de andar pelas estrelas</p>
<p>E de correr pelo espa&ccedil;o como um deus</p>
<p>E s&oacute; quando trope&ccedil;o e caio que entendo</p>
<p>- sempre serei mais humano do que gostaria</p>
<p>Tenho a mania de brincar com esp&iacute;ritos</p>
<p>Dan&ccedil;amos, cantamos e brincamos o tempo todo</p>
<p>E &eacute; quando me canso e eles continuam ativos</p>
<p>Que me vejo ainda preso em minha hist&oacute;ria</p>
<p>Pois que dessas li&ccedil;&otilde;es t&atilde;o sutis e constantes</p>
<p>Que me fa&ccedil;o vezes mais, vezes menos, v&iacute;tima</p>
<p>Vejo que cada dado tem seu n&uacute;mero certo</p>
<p>E que mesmo o caos &eacute; definido por um momento</p>
<p>E que nos planetas onde durmo, vez por outra,</p>
<p>Nas noites insustent&aacute;veis desse universo,</p>
<p>Possa abrandar esse meu esp&iacute;rito que n&atilde;o &eacute; meu</p>
<p>Sonhando ser mais for&ccedil;a e menos del&iacute;rio</p>

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		<title>Poema pra resistir</title>
		<link>http://descompassado.com/poema-pra-resistir/</link>
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		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 22:11:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[espírito]]></category>
		<category><![CDATA[nonsense]]></category>
		<category><![CDATA[sustentação]]></category>

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		<description><![CDATA[Como um purgat&#243;rio a sustenta&#231;&#227;o, Uma espera infinita e ansiosa, Uma prova&#231;&#227;o el&#237;sea e belicosa; - Quanto da minh`alma em suspens&#227;o. Quanto suporta num instante sorumb&#225;tico, De cair a f&#233; e a certeza nesse embate Que n&#227;o socorre feridos em combate Mas desola o corpo ao tr&#225;gico. Sair de mim ou de ti esse suspiro, [...]]]></description>
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<p>Como um purgat&oacute;rio a sustenta&ccedil;&atilde;o,</p>
<p>Uma espera infinita e ansiosa,</p>
<p>Uma prova&ccedil;&atilde;o el&iacute;sea e belicosa;</p>
<p>- Quanto da minh`alma em suspens&atilde;o.</p>
<p>Quanto suporta num instante sorumb&aacute;tico,</p>
<p>De cair a f&eacute; e a certeza nesse embate</p>
<p>Que n&atilde;o socorre feridos em combate</p>
<p>Mas desola o corpo ao tr&aacute;gico.</p>
<p>Sair de mim ou de ti esse suspiro,</p>
<p>N&atilde;o importa qu&atilde;o envolvente o desengano,</p>
<p>&Eacute; sempre suspiro em dor de cigano.</p>
<p>Da alma que vai e volta como num giro.</p>
<p>Tentar escapar da roda &eacute; desilus&atilde;o,</p>
<p>Cabe em n&oacute;s, rotos, uma profana&ccedil;&atilde;o.</p>

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		<title>sensa&#231;&#245;es &#225;ridas</title>
		<link>http://descompassado.com/sensacoes-aridas/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Dec 2009 23:49:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[aridez]]></category>
		<category><![CDATA[divagações]]></category>
		<category><![CDATA[espírito]]></category>
		<category><![CDATA[intimismo]]></category>
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		<description><![CDATA[&#201; a nudez do meu corpo que mostra aonde est&#225; alma que deixa as cicatrizes contarem onde estive que deixa as formas falarem de quem sou das vit&#243;rias e das derrotas &#201; o corpo nu, numa grama intocada a natureza e s&#243; a natureza como ela sabe ser sem medo, sem pudor, sem bem ou [...]]]></description>
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<p>&Eacute; a nudez do meu corpo</p>
<p>que mostra aonde est&aacute; alma</p>
<p>que deixa as cicatrizes contarem onde estive</p>
<p>que deixa as formas falarem de quem sou</p>
<p>das vit&oacute;rias e das derrotas</p>
<p>&Eacute; o corpo nu, numa grama intocada</p>
<p>a natureza e s&oacute; a natureza como ela sabe ser</p>
<p>sem medo, sem pudor, sem bem ou mal</p>
<p>Na grama tocando meus p&eacute;s</p>
<p>no corpo sentindo o vento gelado duma noite crua</p>
<p>eu ouvi meu esp&iacute;rito conversar com as estrelas</p>
<p>e eles falavam de mim</p>
<p>e eles estavam tensos</p>

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		<title>Parte Oitava &#8211; Interl&#250;dio</title>
		<link>http://descompassado.com/parte-oitava-interludio/</link>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 00:35:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interlúdio]]></category>
		<category><![CDATA[descoberta]]></category>
		<category><![CDATA[espírito]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[self]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Chegamos no templo naquele dia, completamente vazio o lugar, completamente vazia minha alma, esta, por&#233;m, n&#227;o de uma forma triste ou melanc&#243;lica, era um vazio racional, mais para a compreens&#227;o, mais para a presen&#231;a de tudo em vez do nada. Acreditava-me em plena aventura agora, oscilando entre humores e pensamentos contradit&#243;rios, quase excludentes. Enquanto caminh&#225;vamos [...]]]></description>
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<p>Chegamos no templo naquele dia, completamente vazio o lugar, completamente vazia minha alma, esta, por&eacute;m, n&atilde;o de uma forma triste ou melanc&oacute;lica, era um vazio racional, mais para a compreens&atilde;o, mais para a presen&ccedil;a de tudo em vez do nada.</p>
<p>Acreditava-me em plena aventura agora, oscilando entre humores e pensamentos contradit&oacute;rios, quase excludentes.</p>
<p>Enquanto caminh&aacute;vamos pela entrada de ch&atilde;o batido, cercada por uma grama extremamente verde, eu lan&ccedil;ava olhares superficiais para as folhas que me foram entregues. E foi nessa distra&ccedil;&atilde;o proposital que paramos em frente a uma cabana. Em p&eacute;, na frente da porta, estava um senhor de uns cinquenta anos, com barba por fazer h&aacute; mais de uma semana e cabelos compridos, ruivos, presos. O homem tinha cerca de um metro e oitenta de altura, tinha apar&ecirc;ncia vigorosa e sorridente.</p>
<p>A B&ecirc; percebeu a presen&ccedil;a dele antes de mim, e j&aacute; se adiantou em dire&ccedil;&atilde;o a ele, que a cumprimentou calorosamente: certamente sabia da nossa visita. Eu cheguei logo em seguida para cumpriment&aacute;-lo. Ele falava um portunhol for&ccedil;oso, tinha sotaque de brit&acirc;nico nos seus erres e vogais.</p>
<p>Ali, naquele momento &uacute;nico, eu percebi onde tudo se ligava. Das ra&iacute;zes de Thelema, do instrutor ao disc&iacute;pulo, eu acabara de ser enviado para a cidade das minhas mais &iacute;ntimas pretens&otilde;es, ali encontraria o triunfo sobre meus anseios ou a desist&ecirc;ncia mais inexor&aacute;vel.</p>
<p>- Como tu cresceste, Daniel, lembro-me de quanto &iacute;amos na tua casa, nas festas de final de ano, eu e minha esposa. Seus pais nos eram muito amigos antes de se mudarem, e eu enxergava, desde o dia em que reparaste na minha aura, que tu tomarias tal caminho.</p>
<p>- Ent&atilde;o voc&ecirc; conhece meus pais? Mas eu n&atilde;o lembro de voc&ecirc;, nem da sua esposa. Disse isso meio desconfiado, tentando disfar&ccedil;ar o receio da minha voz, com insucesso.</p>
<p>- A Marta conheceu tua m&atilde;e quando foi fazer a matr&iacute;cula do nosso filho no col&eacute;gio, tua m&atilde;e estava l&aacute; fazendo a tua. Uns dias depois eu conheci teu pai em uma reuni&atilde;o, logo ficamos chegados, e eu sabia que n&atilde;o era coincid&ecirc;ncia, na &eacute;poca n&atilde;o soube avaliar minha responsabilidade nessa empresa, mas hoje consigo enxergar.</p>
<p>Olhou-me com olhos de alegria, olhou para a B&ecirc; logo em seguida.</p>
<p>Eu me senti estranhamente em casa, despido de coisas desnecess&aacute;rias que h&aacute; tempos vinha carregando, era o vazio mais profundo e completo que poderia experimentar, lembrei da hist&oacute;ria do monge que “acordara” para o mundo espiritual quando recebera um tapa de seu mestre, como as coisas podiam ser simples e corriqueiras, tanto que, normalmente, nas confus&otilde;es da nossa rotina, passam por n&oacute;s desapercebidas.</p>
<p>Convidou-nos para entrar antes de nos apresentar o lugar, nos ofereceu ch&aacute; e alguns biscoitos. Ele percebeu meu olhar de curiosidade para o salame pendurado ao lado da geladeira. Eles tinham luz l&aacute;, e ele me explicou que nem todos eram vegetarianos, santos, monges, budistas, algumas pessoas simplesmente passavam alguns dias de descanso por l&aacute;, assim como n&oacute;s.</p>
<p>Enquanto colocava um t&ecirc;nis, falou, como quem comenta fatos di&aacute;rios, que eu deveria decorar algumas passagens dos pap&eacute;is que me foram entregues, tamb&eacute;m foi sucinto ao citar as pr&aacute;ticas que deveriam ser realizadas, impreterivelmente, ao nascer do sol, ao meio-dia, ao p&ocirc;r-do-sol e &agrave; meia-noite, a pr&aacute;tica constava no Liber Resh vel Helios, e que em uma semana eu deveria receber o pr&oacute;ximo grau da ordem em uma cerim&ocirc;nia m&aacute;gicka.</p>
<p>Eu lembro daquela semana como a mais viva de todas que tive at&eacute; hoje, a mais cheia de cores e de sons, de cheiros e de sensa&ccedil;&otilde;es, e a perfei&ccedil;&atilde;o disso tudo se misturava &agrave;s obriga&ccedil;&otilde;es m&aacute;gicas e aos deveres dom&eacute;sticos daquela parte do templo. Tudo era um imenso ritual, cheio de significado por todos os lados.</p>
<p>O transe de uma situa&ccedil;&atilde;o muito bem preparada &eacute; terrivelmente superior ao transe obtido por acaso numa exalta&ccedil;&atilde;o moment&acirc;nea do esp&iacute;rito. Nunca terei subtra&iacute;do de mim as vis&otilde;es e vozes daquela noite, minha consci&ecirc;ncia superlativa, um poder quase sobrenatural, e minhas noites jamais tiveram o mesmo gosto de intervalo, de morte.</p>
<p>Continuo sem coragem de comentar sobre essa viagem com qualquer pessoa que n&atilde;o seja a B&ecirc;, nem mesmo perguntei aos meus pais acerca do brit&acirc;nico Alexander, casa com a brasileira Marta, contudo, &agrave;s vezes me parece que eles sabem de tudo, &agrave;s vezes me parece que muitas outras pessoas sabem, e penso que estou constantemente sendo vigiado e preparado para uma prova maior.</p>
<p>[Veja tamb&eacute;m: <a title="V&aacute;lvula de Escape" href="http://mairathums.com/parte-oitava-interludio/" target="_blank">V&aacute;lvula de Escape</a>]</p>

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		<title>Parte Quarta</title>
		<link>http://descompassado.com/parte-quarta/</link>
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		<pubDate>Fri, 11 Sep 2009 02:40:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interlúdio]]></category>
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		<category><![CDATA[Buenos Aires]]></category>
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		<description><![CDATA[                Olhar para dentro de si com uma paisagem como a que pod&#237;amos ver em Buenos Aires era, no m&#237;nimo, disperd&#237;cio do momento. Quando descemos do avi&#227;o, no aeroporto ainda, vimos aquele movimento de pessoas notavelmente diferentes no modo de se vestir, de se portar, era, como diziam, a Europa da Am&#233;rica do Sul.                 [...]]]></description>
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<p>                Olhar para dentro de si com uma paisagem como a que pod&iacute;amos ver em Buenos Aires era, no m&iacute;nimo, disperd&iacute;cio do momento. Quando descemos do avi&atilde;o, no aeroporto ainda, vimos aquele movimento de pessoas notavelmente diferentes no modo de se vestir, de se portar, era, como diziam, a Europa da Am&eacute;rica do Sul.</p>
<p>                Pegamos um Taxi at&eacute; o centro da cidade, sem um lugar espec&iacute;fico para ficar. No caminho passamos por pra&ccedil;as com gramados verdes e bem cuidados, um ar de liberdade pairava no ar. O clima estava bom, nem quente nem frio, sem chuvas. Era s&aacute;bado, pessoas passeavam pela rua com os cachorros, numa das pra&ccedil;as vimos um grupo de pessoas praticando kung-fu ao ar livre.</p>
<p>                Descemos perto da Casa Rosada, ent&atilde;o caminhamos at&eacute; a Pra&ccedil;a de Maio, onde um rapaz tocava viol&atilde;o e cantava m&uacute;sicas dos Beatles com um sotaque bastante peculiar. Ele era bastante afinado, mas apenas umas poucas pessoas paravam para ficar assistindo.</p>
<p>                De fato, n&atilde;o havia nada de extraordin&aacute;rio naquilo tudo. Claro, era uma paisagem linda, um lugar completamente diferente, &eacute;ramos completos desconhecidos naquele cen&aacute;rio de tangos, mas especificamente nada de excepcional poderia ser citado. Ainda desconhe&ccedil;o as raz&otilde;es pelas quais as pessoas se sentem mais em contato consigo mesmas quando se encontram longe de sua terra natal, talvez seja exatamente devido ao fato de se ser um estranho, um desconhecido, algu&eacute;m despojado de suas fantasias e m&aacute;scaras criadas para viver no seu meio, sendo assim, poder-se-ia ser livre para construir novas formas de ser, criar um personagem novo s&oacute; para si, e ningu&eacute;m poderia julg&aacute;-lo, pois n&atilde;o teriam outro ponto de refer&ecirc;ncia, sen&atilde;o aquele.</p>
<p>                Na Avenida de Maio continuamos caminhando. Desde o taxi at&eacute; ent&atilde;o nossas conversas foram amistosas, sem entrar em assuntos delicados, comentamos sobre o visual dos argentinos, sobre a limpeza das ruas, sobre os monumentos e sobre o patriotismo forte e aguerrido dos hermanos. Passamos pelo Caf&eacute; Tortoni e resolvemos entrar para conhecer o lugar e, se n&atilde;o fosse muito caro, comer algo.</p>
<p>                Por fim, resolvemos comer algo por ali, j&aacute; era fim de tarde mas n&atilde;o haviam restaurantes abertos ainda para jantar. Pedi um caf&eacute; expresso e um salgado.</p>
<p>                &#8211; Se perdermos o rumo do que caminhamos at&eacute; aqui podemos ficar completamente desajustados, despersonalizados. J&aacute; pensou nisso?</p>
<p>                Ela me olhou com um olhar indagador e respondeu:</p>
<p>                &#8211; Est&aacute; falando da viagem? Olha, eu sei que n&atilde;o h&aacute; nada planejado aqui, e isso &eacute; o interessante, mas dizer que ficaremos desajustados se nos perdermos nessa falta de planejamento &eacute; um pouco de exagero, n&atilde;o acha?</p>
<p>                &#8211; N&atilde;o me refiro &agrave; viagem. Respondi olhando para o caf&eacute; enquanto o mexia. Falo de n&oacute;s mesmos, dos passos que demos desde aqueles dias de adolesc&ecirc;ncia at&eacute; hoje. E se tudo que fizemos at&eacute; agora foi t&atilde;o somente uma nega&ccedil;&atilde;o daquilo que nos d&aacute; medo? E se nos desviamos daquilo que mais quisemos?</p>
<p>                &#8211; Fala de sonhos?</p>
<p>                &#8211; Falo de sonhos, de projetos, de vontades, enfim.</p>
<p>                &#8211; Mas e se o caminho certo for renunciar a determinadas coisas que desejamos? J&aacute; que os finais n&atilde;o podem ser vislumbrados, como podemos entender o que fazemos agora? Acho que o mais certo &eacute; sermos sinceros com nossa alma.</p>
<p>                Eu n&atilde;o entendi nada do que ela disse, n&atilde;o consegui acompanhar o pensamento e ver aonde ela queria chegar. Parei com um olhar de d&uacute;vida e ela viu que devia continuar.</p>
<p>                &#8211; Falo que se desejamos algo hoje, isso pode n&atilde;o ser assim pra sempre, e a certeza de que se n&atilde;o est&aacute; incorrendo em erro &eacute; deixar uma vontade superior correr nossa mente e nos guiar. O momento &eacute; o correto, sempre, por isso temos que estar atentos a n&oacute;s mesmos.</p>
<p>                &#8211; Acho bonito isso tudo&#8230;</p>
<p>                &#8211; Lembra do Siddarta do Hermann Hesse? &Eacute; preciso ouvir ao rio, perceber o que ele tem para nos dizer.</p>
<p>                &#8211; Acho bonito isso tudo, mas para mim parece muito distante a id&eacute;ia de poder se escutar sem ter interfer&ecirc;ncia de caprichos, estamos o tempo todo sendo atrapalhados por frivolidades.</p>
<p>                &#8211; Concordo. Por&eacute;m, ao se tomar consci&ecirc;ncia disso, podemos separar o que &eacute; de nosso esp&iacute;rito e o que &eacute; do nosso ego. S&atilde;o divisas t&ecirc;nues, delicadas, eu bem sei, mas &eacute; poss&iacute;vel determinar.</p>
<p>                &#8211; Eu j&aacute; estive nessas divisas, mas parece que me recolhi da guerra, &eacute; cansativo permanecer atento tanto tempo, empurrando o que nos jogam, as banalidades.</p>
<p>                &#8211; Depois de um tempo se acostuma.</p>
<p>                &#8211; Acostuma: ficamos frios.</p>
<p>                &#8211; N&atilde;o sei se &eacute; bem isso.</p>
<p>                &#8211; N&atilde;o sei sobre meu caminho. Estar aqui, hoje, me tira muitos pesos do que sou, da minha idiossincrasia edificada. S&oacute; de estar aberto a essas perguntas j&aacute; me alivia e me faz ver o pouco que se abre em mim quando desentulho minha mente.</p>
<p>                Ela me olhou com um olhar quase maternal, como quem se alegra pelo outro, como quem diz “voc&ecirc; est&aacute; indo pelo caminho certo”, compreensiva, tive a impress&atilde;o de que ela visse tormentos passados dela dentro de mim neste instante. Limitou-se a responder:</p>
<p>                &#8211; N&atilde;o v&aacute; se perder mexendo esse caf&eacute;.</p>
<p>                &#8211; Estou aumentando a entropia do universo. Respondi, sorrindo, enquanto chegavam os salgados que hav&iacute;amos pedido.</p>
<p>               </p>
<p>[Veja Tamb&eacute;m: <a title="V&aacute;lvula de Escape" href="http://mairathums.com/parte-quarta/" target="_blank">V&aacute;lvula de Escape</a>]</p>

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		<title>quero acordar sendo gal&#225;xia</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 23:23:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[devaneio]]></category>
		<category><![CDATA[espírito]]></category>

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		<description><![CDATA[Flui como um mist&#233;rio Corre como um desatino Vem pensamento e sai palavra E eu nem percebo o que me &#233; dito Pois &#233; atrav&#233;s de mim que falam E essas palavras n&#227;o s&#227;o minhas Passam como um vento morno predizendo tempestade E eu sopro um pouco mais, para depois chover Sou eletricidade, sou rel&#226;mpago [...]]]></description>
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<p>Flui como um mist&eacute;rio</p>
<p>Corre como um desatino</p>
<p>Vem pensamento e sai palavra</p>
<p>E eu nem percebo o que me &eacute; dito</p>
<p>Pois &eacute; atrav&eacute;s de mim que falam</p>
<p>E essas palavras n&atilde;o s&atilde;o minhas</p>
<p>Passam como um vento morno predizendo tempestade</p>
<p>E eu sopro um pouco mais, para depois chover</p>
<p>Sou eletricidade, sou rel&acirc;mpago</p>
<p> </p>
<p>Quando em mim morrem as id&eacute;ias</p>
<p>Eu j&aacute; me sinto cheio</p>
<p>Quando cessam as vozes dos deuses</p>
<p>Eu quero apenas dormir</p>
<p>Para acordar, quem sabe, daqui mil anos</p>
<p>Mais s&aacute;bio, mais puro, mais belo</p>
<p>Quando eles cessam o discurso, sinto-me p&oacute;</p>
<p>Quero acordar sendo gal&aacute;xia</p>

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		<title>Parte Segunda</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Sep 2009 00:37:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interlúdio]]></category>
		<category><![CDATA[angústia]]></category>
		<category><![CDATA[ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[espírito]]></category>
		<category><![CDATA[realização]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[                Tirei as m&#227;os da mesa como se tirasse os p&#233;s do ch&#227;o, n&#227;o sabia o que sentir, se era saudade da minha casa, da minha fam&#237;lia, da adolesc&#234;ncia, dos amigos ou das festas, ou de tudo, ou simplesmente de nada, numa mistura de sentimentos complexos, feridos, n&#227;o superados. Tirei as m&#227;os da mesa como [...]]]></description>
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<p>                Tirei as m&atilde;os da mesa como se tirasse os p&eacute;s do ch&atilde;o, n&atilde;o sabia o que sentir, se era saudade da minha casa, da minha fam&iacute;lia, da adolesc&ecirc;ncia, dos amigos ou das festas, ou de tudo, ou simplesmente de nada, numa mistura de sentimentos complexos, feridos, n&atilde;o superados. Tirei as m&atilde;os da mesa como quem busca uma corda para se agarrar, tirei as m&atilde;os e abanei para ela vir sentar conosco. Era incerto fazer isso, era incerto abanar, era incerto viajar at&eacute; Porto Alegre, n&atilde;o era certo ser assim, despersonalizado, descompassado.</p>
<p>                O L&uacute;cio era muito mais amigo dela do que eu, ainda assim, eu parecia mais interessado na presen&ccedil;a dela, talvez porque eles se encontram quase toda semana. Na verdade, eu n&atilde;o me interessava muito por ela, perguntei se estava tudo bem mais por educa&ccedil;&atilde;o, gostava da sensa&ccedil;&atilde;o que ela me trazia, duma volta ao passado seguro e intenso. Nessas lembran&ccedil;as mudadas, mem&oacute;rias deturpadas, eu repousava fiel &agrave; minha imagina&ccedil;&atilde;o, e ent&atilde;o estava em paz.</p>
<p>                Logo o L&uacute;cio terminou de comer e embarcou mais na conversa, e eu, gradualmente fui me reservando novamente, a ansiedade inicial passara, a saudade tamb&eacute;m, j&aacute; estava ficando, novamente, entediado e ausente. Olhei para o lado, v&aacute;rias pessoas rindo, e tive vontade de sentar com elas, de fumar um cigarro, de perguntar o que elas faziam, como agiam, como olhavam para si, etc. Eu queria saber da alma, do esp&iacute;rito, e acabara de passar a noite mais comum, aquela com a qual, durante anos, mais me acostumei, e hoje j&aacute; parece estar se distanciando de mim. Eu j&aacute; n&atilde;o estou mais l&aacute;.</p>
<p>                Um homem passou no lado de fora vendendo ma&ccedil;&atilde;s do amor, e bem na frente da janela um menino, com cerca de seis anos, parou-o, logo em seguida chegou quem eu penso era sua m&atilde;e e pagou o homem que j&aacute; entregara a ma&ccedil;&atilde;. N&atilde;o pude enxergar direito o sorriso do rapazinho, muito menos os seus olhos brilhando, mas eu senti isso dentro de mim, mais um resgate da inf&acirc;ncia. Ter tanta saudade e ser inundado cada vez mais por diversas mem&oacute;rias gostosas pode conter algumas possibilidades: ou eu fui demsiadamente feliz quando pequeno, ou sou muito cansado de esp&iacute;rito hoje, ou minha mem&oacute;ria me protege das lembran&ccedil;as ruins, ou ainda tudo isso junto.</p>
<p>                Havia apagado totalmente da nossa mesa, e a B&ecirc; estava dizendo que queria dar uma volta pela cidade, estava procurando algumas coisas, antiqu&aacute;rios, algo assim. N&atilde;o consegui retornar ao conversa, fiquei disperso. Ent&atilde;o nos demos tchau e eu j&aacute; n&atilde;o sabia o que sentir sobre aquela presen&ccedil;a, sobre a recorr&ecirc;ncia, sobre meus sentimentos.</p>
<p>                Pagamos a conta e fomos para o apartamento do L&uacute;cio dormir mais um pouco. Eu dormi uns 30 minutos e acordei inquieto, o L&uacute;cio falava no celular. Disse que um amigo queria de volta a m&aacute;quina fotogr&aacute;fica, ent&atilde;o tivemos que sair para devolver. No caminho ele disse que eu estava mudo, que n&atilde;o parecia presente, eu apenas concordei, n&atilde;o sabia o que dizer, sabia que ele estava certo.</p>
<p>                Devolvemos a c&acirc;mera e fizemos uma rota diferente para voltar, por&eacute;m, no meio do caminho, reencontramos a B&ecirc;. Coisas imposs&iacute;veis assim me fazem prestar aten&ccedil;&atilde;o por uns momentos, sou desligado do mundo, mas n&atilde;o sou negligente para com os sinais. Ela nos acompanhou, &agrave; noite voltaria para sua cidade. Fomos de volta para o apartamento do L&uacute;cio e, enquanto ele tomava banho, conversamos um pouco, eu entrei na internet olhar meus e-mails, mais por h&aacute;bito do que por curiosidade, e nas propagandas do g-mail havia um an&uacute;ncio de uma pousada perto de um templo budista na regi&atilde;o de C&oacute;rdoba, na Argentina.</p>
<p>                A tela piscava na minha frente, eu piscava na frente da tela, emudeci e a B&ecirc; perguntou o que havia acontecido. O que havia acontecido? N&atilde;o sei, senti como se estivesse caindo, tive uma sensa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica de estar perdido. Eu acho que tenho dinheiro para uma viagem simples.</p>
<p>[V&aacute; para: <a title="V&aacute;lvula de Escape" href="http://mairathums.com/parte-segunda/" target="_blank">V&aacute;lvula de Escape</a>]</p>

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		<title>do escrever</title>
		<link>http://descompassado.com/do-escrever/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 21:41:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Eu]]></category>
		<category><![CDATA[espírito]]></category>
		<category><![CDATA[frases]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Vontade]]></category>

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<p>           Tenho uma &acirc;nsia de escrever da alma, do esp&iacute;rito, do universo e da vida, de coisas assim, mas que minha &acirc;nsia n&atilde;o limita ao escrever. Quero, um dia, quem sabe, ter tanta propriedade e sabedoria em minhas palavras para que alguma outra alma venha a utilizar alguma passagem do que digo como uma cita&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>        Nietzsche dizia que n&atilde;o escrevia para ser apenas lido, mas para ser decorado, talvez devesse acrescentar que tamb&eacute;m deveria ser compreendido, de cabo &agrave; rabo. Pois eu diria algo semelhante, gostaria de ter escrito in&uacute;meras das frases e dos textos maravilhosos que j&aacute; li em minha vida, como os fragmentos do livro Gertrud que postei anteriormente, como frases do Assim falou Zaratustra do Nietzsche, entre outros.</p>
<p>     Quando leio Fernando Pessoa, mais precisamente Alberto Caeiro, sinto uma enorme vergonha de ter a pretens&atilde;o de me chamar poeta (at&eacute; mesmo pseudo-poeta ainda me &eacute; pesado). Queria ter escrito cada linha do Guardador de Rebanhos, assim, quando leio esse livro, sinto-me em casa, como se retornasse a mim mesmo por alguns segundos.</p>
<p>   &#8221; Toda a poesia &#8211; e a can&ccedil;&atilde;o &eacute; uma poesia ajudada &#8211; reflete o que a alma n&atilde;o tem. Por isso a can&ccedil;&atilde;o dos povos tristes &eacute; alegre e a can&ccedil;&atilde;o dos povos alegres &eacute; triste.&#8221; Fernando Pessoa</p>
<p>      Existem dias em que  ficar calado &eacute; mais apropriado, pois que eu n&atilde;o quero profanar a alma de nenhum grande poeta e escritor que pisou ou pisa neste planeta. Hesse, Kundera, Pessoa, Augusto dos Anjos e muitos outros mestres da literatura que me perdoem, mas eu vou insistir.</p>

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