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Mundos ideais
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Todos nós idealizamos uma espécie de mundo ideal, não um lugar dos sonhos, ainda que um sonho represente perfeitamente bem aquilo que, teoricamente, queremos.
Passamos dias, meses, anos imaginando, detalhando, aprimorando e destruindo um lugar que nos parece ser perfeito, uma situação queria o máximo da possível a uma vida experimentar nessa encarnação e um estado de espírito perfeito, harmonicamente dinâmico.
Pois é justamente aí que reside o principal e mais real (e, provavelmente o mais terrível) erro: o estado de espírito, a disposição anímica.
Se prestarmos atenção, são incontáveis as vezes em que o ideal se apresenta na nossa frente, nos dá a mão e nos convida para um passeio. Está tudo perfeito, tudo ótimo, e a vida é só café, flores, sol e amor.
Isso acontece repetidas vezes, muito mais do que somos capazes de avaliar e entender, simplesmente acontece e nós deixamos passar. Ou ficamos assistindo, ou deixamos escapar por desleixo, ou ainda, largamos da mão do perfeito e vamos em busca de outra coisa.
Nosso estado de espírito é como as cinzas de um cigarro fumado no sétimo andar em um dia de vento: saem voando sem rumo certo, e vão se despedaçando, virando partículas cada vez menores até que deixamos de enxergar.
O vento rasgou o dia e levou as cinzas.
A vida rasgou nossa força e levou nossa constância, somos espíritos inconstantes e medrosos, e é por isso que há a necessidade de construir um novo mundo ideal toda vez que outro, que já não serve mais, é destruído ou alcançado.
Não é a insatisfação que nos move, é o medo.
Viver de café e flores, sol e sexo, rock and roll e risos.
Os mundos platônicos vêm e vão, mas a nossa maior habilidade é ser constante em nossa inconstância. Mudar, mudar e mudar e nunca mudar de verdade.
tenho o costume de andar pelas estrelas
3Tenho o costume de andar pelas estrelas
E de correr pelo espaço como um deus
E só quando tropeço e caio que entendo
- sempre serei mais humano do que gostaria
Tenho a mania de brincar com espíritos
Dançamos, cantamos e brincamos o tempo todo
E é quando me canso e eles continuam ativos
Que me vejo ainda preso em minha história
Pois que dessas lições tão sutis e constantes
Que me faço vezes mais, vezes menos, vítima
Vejo que cada dado tem seu número certo
E que mesmo o caos é definido por um momento
E que nos planetas onde durmo, vez por outra,
Nas noites insustentáveis desse universo,
Possa abrandar esse meu espírito que não é meu
Sonhando ser mais força e menos delírio
Poema pra resistir
0Como um purgatório a sustentação,
Uma espera infinita e ansiosa,
Uma provação elísea e belicosa;
- Quanto da minh`alma em suspensão.
Quanto suporta num instante sorumbático,
De cair a fé e a certeza nesse embate
Que não socorre feridos em combate
Mas desola o corpo ao trágico.
Sair de mim ou de ti esse suspiro,
Não importa quão envolvente o desengano,
É sempre suspiro em dor de cigano.
Da alma que vai e volta como num giro.
Tentar escapar da roda é desilusão,
Cabe em nós, rotos, uma profanação.
sensações áridas
2É a nudez do meu corpo
que mostra aonde está alma
que deixa as cicatrizes contarem onde estive
que deixa as formas falarem de quem sou
das vitórias e das derrotas
É o corpo nu, numa grama intocada
a natureza e só a natureza como ela sabe ser
sem medo, sem pudor, sem bem ou mal
Na grama tocando meus pés
no corpo sentindo o vento gelado duma noite crua
eu ouvi meu espírito conversar com as estrelas
e eles falavam de mim
e eles estavam tensos
