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Pacóvio
0É um pouco disperso e muito longe de medidas,
Imensurável em superlativos pacóvios,
Num reino em que o ocaso é constante
E o raiar dum novo dia é porvir fantasioso.
Como se o Jack fosse aliviar a tensão
No fim de uma garrafa que não esvazia
Ou no filtro de um cigarro eterno.
O porvir é fantasioso
E os superlativos são inúteis.
Os superlativos são inexpressivos.
Por isso calar é expressar o ocaso dorido de mil anos,
De um corpo, de uma alma, de um átomo mal ligado.
A energia de aeons que se transfere como um não,
Que transmito como Shiva.
E gritar é um superlativo inútil.
Que haja caos o suficiente para um fim,
Que haja entropia para minha cegueira
E um ocaso finito para um descanso nessa noite.
Dormir é alívio
3Desacreditar, duvidar, de novo e de novo
Acordar como cotidiano, dormir como alívio
E se manter na rotina, morta, sem razão evidente
Deixar as horas sem luzes de vida
Dormir como um alívio e perder-se no sono
Encontrar-se num sonho
Acordar como morte
- Dormir é alívio
Zaratustra, de novo
0Falemos de Nietzsche, ou melhor, do Zaratustra, o übermensch. Se alguém não leu o Assim Falou Zaratustra, de Nietzsche, leia, pois está perdendo tempo, o clássico é irrefutavelmente importante para a evolução pessoal de cada um. Se não gostar, saiba que, com certeza, teve lições mesmo inconscientemente.
Pois bem, Zaratustra era um jovem profeta (mas o livro termina com ele já velho), uma pessoa que passou tempos isolado nas montanhas, com seus animais, a serpente e a águia – use sua própria mente para interpretar esses símbolos, ou, se quiser crer que eram apenas animais mesmo, que seja assim.
Zaratustra volta, um dia, ao povoado. Fala do sobre-homem (Übermensch), de que o homem de hoje é uma ponte entre os macacos e o idealizado sobre-homem, este que era a superação da espécie, mas, sobretudo, destaca-se a capacidade dele de superar a si mesmo, um guerreiro (“Seja o vosso trabalho uma luta! Seja a vossa paz uma vitória!”).
As aventuras do protagonista passam por diversas fases, formas, aspectos e introspecções. Ele se torna famoso e, por isso, um quer se tornar sua sombra, e muitos o procuram buscando sabedoria. Ah, como era incrível aquele sábio.
Mas o mais importante de todo o livro é o conceito do Sobre-homem, alguém que deve sempre superar a si mesmo. Não crendo em além-mundos (vida após a morte), o ceticismo de Nietzsche trazia toda a luta para o agora, para o instante atual, sem fugas, sem escapes, era enfrentar, ganhar ou perder, não tinha outra opção, e esse que enfrenta é o Sobre-homem – “Aquele que pensa passa pelo meio dos homens como por entre animais”.
A beleza do livro é incrível, uma estética bíblica e poética, um misto de força viril e intensidade emocional. Surpreendente até o fim, chegando até a ser, em certos momentos, perturbador.
Enfim, leia. E, depois, medite sobre e busque o Übermensch dentro de você, guiado pela luz do profeta Zaratustra, aquele que dizia que se havia, de fato, um deus, como poderia ele aceitar não o ser também.
Übermensch
0Devo escrever
antes que passe
antes que escape
antes que…
inconstância, eu te bendigo, sagro-te
tu és, assim, minha aventura
ventura dum solilóquio
vim ao mundo num monólogo
e assim permaneço
brilha, brilha estrelinha
nessa casa sem teto